TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira registra:

CDL e Prefeitura homenagearam cratenses que se destacam na cultura local

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)

Os postes da Avenida Maildes de Siqueira, próximos ao Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, durante o período da Expocrato, foram alvo das atenções da grande multidão que participou do maior evento festivo da região do Cariri. Lá, o Clube dos Diretores Lojista do Crato, associado a Prefeitura local, prestou um tributo a diversos cratenses que se destacam em atividades relacionadas às arte, cultura e educação, através da exposição de fotos dos homenageados.
A iniciativa foi bem recebida  por toda a opinião pública. Da nossa parte, enaltecemos este ato de reconhecimento às ilustres personagens cratenses.
Vejam algumas fotos:





segunda-feira, 17 de julho de 2017

O ADEUS AO "JUIZ NATURAL" - José Nílton Mariano Saraiva

Antecipadamente, até a “velhinha de Taubaté” já sabia que Sérgio Moro condenaria Lula da Silva na pendenga em que se transformou o caso do triplex. E por uma razão simplória: desde o surgimento da tal Operação Lava Jato o “objeto de desejo” daquele assanhado juiz era acabar com o PT e impossibilitar que a sua estrela maior tivesse (ou tenha) condição de concorrer nas próximas eleições presidenciais de 2018, quando, certamente, terá oportunidade de voltar ao poder nos braços do povo (conforme as pesquisas indicam).


Só que o “ranço” se mostrou tão arraigado que, depois de chafurdar por mais de três anos a vida de Lula da Silva e familiares e não encontrar nenhuma prova cabal (nenhuma, é bom repetir), Sérgio Moro (auxiliado por dezenas de procuradores arrogantes) viu-se enroscado e vítima da armadilha que ele mesmo engendrou: assim, independentemente da existência de qualquer prova, teria que condenar o ex-presidente, porque, não o fazendo, se desmoralizaria perante a opinião pública.


Para tanto, ancorado nas “lunáticas convicções” do pastor-evangélico-procurador Deltan Dellagnol (aquele do Power Point) e no depoimento informal (onde não há a obrigação do denunciante de falar a verdade ou apresentar provas) de um condenado pela justiça, Léo Pinheiro (em busca de redução da pena), só restou ao juiz Sérgio Moro “encher linguiça” pra preencher mais de duzentas páginas, sem, no entanto, apresentar uma única prova contundente de algum ilícito do ex-presidente. Um fiasco. Quem quiser conferir é só se debruçar sobre o calhamaço, pra constatar.


Fato é que, dada a fragilidade e inconsistência da peça acusatória, Sérgio Moro sequer teve coragem (como o fez com muitos outros. impunemente) de decretar a prisão de Lula da Silva, transferindo a “batata quente” (responsabilidade) para os integrantes do Tribunal Regional Federal, 4ª turma, em Porto Alegre.


Nesse ínterim, obedecendo ao rito processual, em pouco mais de simplórias 60 páginas, a defesa do ex-presidente encaminhou ao próprio juiz curitibano a peça “embargos de declaração”, que é um instrumento jurídico-legal usado para solicitar ao juiz revisão de pontos da sentença; e ali (é só ter coragem de ler), literalmente é demolida”, ponto a ponto, a sentença proferida por Moro (só que ele, naturalmente, recusará a argumentação usada).


Assim, como também cabe recurso do ex-presidente ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, se não prevalecer o “corporativismo” exacerbado do Judiciário as chances de reversão ou mesmo anulação da pena são as mais promissoras possíveis, é o que atestam juristas de escol, face a fragilidade da peça acusatória apresentada pela “República de Curitiba”.


Alfim, uma lamentável constatação: a “esculhambação” jurídica vigente hoje no país (onde um juiz de primeira instância estupra impunemente a Constituição Federal, diuturnamente), deve ser creditada aos prolixos e preguiçosos membros do Supremo Tribunal Federal, que passivamente assistiram Sérgio Moro assumir o monopólio de tudo que se referisse a corrupção, independentemente de onde ocorra. Em suma, o princípio do “juiz natural” foi pro beleléu e Moro reina absoluto como o único juiz do Brasil (determinando, inclusive, a agenda do sonolento STF).


Que merda !!!







quinta-feira, 6 de julho de 2017

MEMORIAL DA IMAGEM E DO SOM DO CARIRI REGISTRA:

90 ANOS DE NASCIMENTO DE ARIANO SUASSUNA

Por Jackson Bantim, (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira)

Calé Alencar (cantor e compositor), Ariano Suassuna (escritor) e Jackson Bantim (cineasta e produtor cultural) na IV Bienal do Livro do Ceará (Fortaleza, 2009)

O próximo dia 23 de julho marcará três anos de morte do escritor Ariano Suassuna. Nascido há 90 anos na Cidade da Parahyba, atual João Pessoa, Ariano imprimiu uma marca de vida consagrada pela sua brilhante e produtiva defesa da cultura nordestina brasileira. Dentre suas mais relevantes realizações nos campos literário e artístico destacam-se a idealização do Movimento Armorial e a autoria das obras Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino.
Sua morte deixou uma grande lacuna na cultura não só brasileira mas mundial, pois Ariano, com sua obra de grande qualidade e compromisso social, alcançou o patamar ocupado pelos grandes gênios da humanidade.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

ADEUS, OÁSIS (Dr, Demóstenes Ribeiro)


Ninguém deveria errar duas vezes, eu jamais me perdoarei por isso, mas o mundo não é como a gente quer. No entanto, foram épocas encantadoras, inesquecíveis e de magia sem igual. Se você viveu algo parecido certamente me compreenderá.

A primeira vez, em São Paulo, saindo da adolescência, eu fazia um curso de História e ele, Direito Internacional. Quantas vezes fugindo do frio e tomando uísque barato, ouvimos jazz na “Opus 2004,” assistimos filme-cabeça no “Belas Artes” ou descemos a Rebouças num fusca azul, a caminho do Embu, para a privacidade de um motel.

Lá fora o mundo era sombrio. A ditadura militar amedrontava, mataram o Herzog e apareceu aquela militante carioca muito mais bonita do que eu. Quando ela se exilou em Portugal, Rodolfo foi atrás. Tanta légua, tanto mar, era abril, a Revolução dos Cravos e ele ficou por lá. Quase morri. Voltei pra Fortaleza e decidi não me envolver com outra pessoa nunca mais.

O tempo passava, eu vivia para o colégio e para os meus pais, para os sobrinhos e para o trabalho na pastoral. Feliz dessa maneira, se é possível ser assim. Chegou o aniversário da diretora e decidiram comemorar no “Oásis.” Eu não queria ir, pra mim aquele era um lugar de desespero, de homens tristes e de mulheres complicadas. Mas, os “Brasas” tocaram uma balada, os nossos olhares se cruzaram, o anjo do amor desceu sobre mim e Fortaleza ficou a nossos pés.

No Dragão do Mar ou na Praia do Futuro, no Iguatemi ou no Zé de Alencar, sob a lua de Iracema ou no sorvete da Beira Mar, foram beijos ardentes e abraços carinhosos, constrangendo a quem nos assistia, e toda a loucura de que a paixão é capaz.

Na minha família ninguém gostou: embora ele morasse sozinho, ainda era casado. Pouco me importava, eu era de novo a adolescente enfeitiçada e deslumbrada vivendo outra vez a primavera dourada. Às vezes, ele era estranho, aparentava distância e temia que nos observassem. Eu pensava que era discrição, receio, ou timidez... Aproximava-se o final do ano, haveria a reunião familiar, nós estaríamos juntos e eu o protegeria como uma fera – que ninguém se atrevesse a maltratá-lo.

Veio o Natal, o Ano Novo, ele não apareceu e eu fiquei sozinha. Preferiu a mulher e as filhas. Então, caiu a ficha e me desesperei. Entrei na igreja aos prantos, arrastada pelo vendaval e desabafei com o padre Renato: minha filha, ele é muito diferente de você. Deus sabe o que faz, quem somos nós pra compreender a vontade do Senhor?

Com o tempo, a paixão desvaneceu e nunca mais o vi. Jamais percebi que fosse mais um solitário e mulherengo, que só pensava em si e que não gostava de ninguém. Parece que eu escapei de uma boa. Voltei à catequese das crianças, às aulas no colégio e redobrei o cuidado com os meus pais. Reencontrei-me comigo mesma. Outro dia me surpreendi sorrindo e o tempo aliviou a minha dor.

Hoje, sem querer, passei em frente ao “Oásis.” Fazia um sol poente e a boate não funciona mais. Está sendo demolida, já quase toda no chão. Eu fechei os olhos, contive o choro e quando o sinal abriu, parti sem rumo, com um aperto no coração.

Acabou a festa, mas a vida continua. Aprendi a costurar, faço artesanato, ontem mesmo paguei o professor de dança e vou passar a noite inteira no Círculo Militar. 

Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista/Fortaleza-CE)

sábado, 1 de julho de 2017

LICENÇA PARA... ROUBAR E MATAR - José Nílton Mariano Saraiva


Estupefatos, num primeiro momento os brasileiros ouviram o áudio, em rede nacional de TV, onde o Senador-bandido Aécio Neves acerta com o empresário-mafioso Joesley Batista o recebimento de uma propina de R$ 2.000.000,00 em 04 parcelas de R$ 500.000,00 e com um agravante: o emissário-recebedor seria alguém... “que a gente mata ele antes de fazer a delação” (nas palavras do próprio Senador). Ato seguinte, em vídeo estarrecedor, ao vivo e a cores, o “eliminável” emissário (o primo Fred, de confiança, do Senador) é visto recebendo do preposto do empresário uma das parcelas, colocando-a numa mochila e, depois, repassando-a para um segundo emissário do Senador, dentro de um estacionamento, de onde seguiu para Belo Horizonte para a entrega “delivery”. Como se vê, tudo dentro do mais requintado estilo mafioso.

Num segundo momento, atônitos e embasbacados, os brasileiros assistiram, também ao vivo e a cores, as imagens/áudio do homem (ex-deputado Rodrigo Loures) da “estrita confiança” do golpista sem povo e sem voto (Michel Temer), acertando com o mesmo preposto do emissário-mafioso o recebimento da primeira parcela SEMANAL de R$ 500.000,00 (que se repetiria por 20 anos) e, ato seguinte, visto a correr pateticamente pela noite paulistana, carregando uma mala com a bufunfa para ser entregue ao Chefe (Michel Temer).

No calor do momento, e até para dar uma satisfação momentânea à sociedade, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, houve por bem afastar do Senado Federal o bandido Aécio Neves, ao tempo em que lhe impunha uma série de restrições administrativas, numa pseudo atitude moralizadora que mereceu aplausos da população, ao passo que o emissário-presidencial (Rodrigo Loures) foi aquinhoado com a prisão preventiva, objetivando prestar esclarecimento sobre o destinatário da grana recebida.

Tudo fogo de palha. Hoje, no encerramento das atividades semestrais do tal Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Melo, em decisão monocrática, não só não atendeu ao Procurador Geral da República (Rodrigo Janot), que houvera solicitado a prisão do senador Aécio Neves, como houve por bem trazê-lo de volta ao Senado Federal (sem restrições), enquanto o mesmo ministro que houvera decretado a prisão de Rodrigo Loures, Edson Fachin, sensibilizado com o apelo da família do meliante, resolve liberá-lo para uma prisão domiciliar (com tornozeleira); aquela, onde o apenado se sente tão à vontade que leva uma vida social das mais ativas (que o diga o tal Pedro Barusco, que mesmo portando a dita-cuja, vive “melando o bico” na orla carioca, conforme já flagrado).

Particularmente, já há vários meses afirmamos neste mesmo espaço, de forma peremptória e definitiva, que a esculhambação jurídica vigente no país à época (e que se deteriorou sobremaneira de lá até cá) deveria ser creditada à omissão e covardia dos integrantes daquela corte, ao permitirem que o juizeco de Curitiba, Sérgio Moro, estuprasse a Constituição Federal diuturnamente, findando por destituir uma Presidenta da República eleita com quase 55 milhões de votos.

É pois, com a chancela do poder mais corrupto da república, o Poder Judiciário, que agora Aécio Neves, Rodrigo Loures, Michel Temer e integrantes da quadrilha que tomou de assalto o poder, estão com uma perigosa licença em mãos. A licença para roubar e matar. Impunemente e sem restrições. Sob o frondoso guarda chuva do STF.

terça-feira, 30 de maio de 2017

OBRIGADO, SENHOR - Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)

Obrigado, Senhor! - Demóstenes Ribeiro 

Eu ainda não havia nascido quando meu pai morreu afogado, salvando um italiano. E nunca vi a minha mãe adormecida, fosse eu criança ou adolescência afora. Ao me deitar, ela continuava na máquina de costura; raiava o dia e já estava a trabalhar.

Herdei, assim, uma tendência incontrolável de só fazer o bem. Mas, no serviço militar, surpreendeu-me a habilidade em manejar armas. Tiro certeiro, jamais errei um alvo e com os prêmios que eu ganhei, comprei uma pistola com silenciador.

Ao deixar o quartel e voltar para casa, fiquei indignado, pois a vida da minha mãe mudara para pior. Havia o Borges, um grandalhão barrigudo e irresponsável, exigindo dinheiro e a lhe maltratar. Percebi o desespero da coitada em não saber como resolver essa questão.

Aos poucos, descobri os hábitos do vagabundo e onde ele morava. Certa noite, quando ele desceu do ônibus e a rua estava deserta, deixei-o se afastar um pouco e acionei a pistola. Um tiro na cabeça e mais um crime misterioso, apesar dos muitos inimigos que o filho da puta deixara. Um dia, mamãe olhou nos meus olhos e disse, serenamente, Deus lhe pague!

Daí em diante, embora bem de vida, uma dor esquisita na barriga atrapalhava a paz que eu deveria sentir - um sofrimento que se tornava insuportável. Levaram-me à Emergência e a visão da morte se esboçava. Um Professor, cercado de estudantes, me deu uma atenção que eu não esperava. Era úlcera perfurada. Ele me operou e salvou a minha vida. Não tinha como lhe ser grato, exceto o tiro certeiro, o melhor de mim, se algum dia ele precisasse.

Muito tempo depois, as amizades no Exército levaram-me para uma multinacional responsável pela segurança de autoridades. Naquele dia, FHC viria inaugurar o novo hospital e eu estava entre os escalados. Em meio a tanta gente, vislumbrei o Professor. Não era mais o homem vibrante que me curara. Acabrunhado, envelhecido, triste. Não sou doutor, mas ele parecia sofrer de uma doença da alma. Por fim, nos aproximamos.
- Mestre, lembra de mim? O Senhor salvou minha vida, sou Plácido, tiro certeiro, da úlcera perfurada!

- Plácido, como vai, preciso de você, amanhã venha fazer uma revisão.

No dia seguinte, a sós e com as portas fechadas, ele me falou da sua desgraça. O casamento desandara. Foram-se as alianças, o respeito e a amizade. Era vítima de chacotas e não mais conseguia trabalhar. A mulher perdera totalmente a discrição. Às vezes, chegava embriagada. Diziam ter vários amantes, nem o pior dos inimigos faria tanta maldade. Como encarar os pacientes, os estudantes, os colegas, a vida enfim? Você me prometeu, ele repetiu muitas vezes, e sei que não me fará ingratidão.

Descobri toda a rotina da putana. Ela saía do estacionamento de uma igreja e ia rezar num motel. Sem despertar suspeita, como a esperar alguém, eu fiquei por perto. Parou um carro, a outra fez sinal, ela entrou e beijaram-se na boca. A vaca, ainda por cima, era sapato. Anunciei o assalto. Deram-me bolsas, telefones, relógios... Em troca, um tiro em cada cabeça - pistola com silenciador.

Muito rápido, rua quase deserta, fugi no meu carro. Adiante, saquei a placa fria e joguei com as coisas num matagal. As luvas, eu queimei quando cheguei em casa. Após um banho, chamei um rádio-táxi, fui pro aeroporto e embarquei pra Salvador. Um árabe importante chegaria e eu faria parte da segurança.

No hotel, após uma oração, tomava o café da manhã e pensava em minha mãe, quando o celular tocou. A ligação breve, sem muita nitidez, veio de um telefone público. Mas era uma voz conhecida, de novo firme e alegre, dizendo tão somente: obrigado, Senhor !

terça-feira, 23 de maio de 2017

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

50 anos de morte do cantador cratense Cego Aderaldo

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)
Foto: do Museu Histórico de Quixadá


No próximo dia 29 de junho, daqui há pouco mais de um mês, ocorrerá o transcurso dos 50 anos da morte de um dos maiores nomes da cultura popular brasileira, o poeta popular e cantador cratense Cego Aderaldo.
Aderaldo Ferreira de Araújo, nome de batismo do lendário Cego Aderaldo, nasceu em Crato, no dia 24 de junho de 1878, vindo a falecer em Fortaleza, com 89 anos, no dia 29 de junho de 1967.
Embora nascido em Crato, Aderaldo começou sua vida artística na cidade de Quixadá, após perder a visão em um acidente. Com o falecimento da mãe, Cego Aderaldo decidiu viajar pelos sertões nordestinos, cantando seus versos acompanhado de uma rabeca e disputando desafios de repente com outros cantadores. É lendário o desafio mantido com o também famoso cantador piauiense Zé Pretinho, ocorrido em 1914 e registrado por Firmino Teixeira do Amaral no cordel “A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho”, ficando, igualmente, imortalizado na memória e no imaginário popular.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

VALE A PENA LER DE NOVO - José Nílton Mariano Saraiva

Cineasta Jackson Bantim destaca-se na curadoria de mostras de arte

Por Carlos Rafael Dias

O cineasta e fotógrafo Jackson Bantim, mais conhecido por Bola, apelido que traz desde a infância, vem se destacando ultimamente como curador de interessantes e bem elaboradas exposições artísticas.
Nesta semana, podemos contemplar três mostras que traz sua assinatura e que integram a programação cultural da 69ª Reunião Regional da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (RR – SPBC), que está acontecendo na região do Cariri. São elas: “Passado e presente da cidade do Crato”, por ocasião da abertura do evento, no Centro de Convenções do Cariri; “Patativa do Assaré, de poeta matuto a poeta doutor”, na Galeria Maria Célia Bacurau, e “Expo-Lira URCA”, no Salão da Terra. Estes dois últimos espaços estão localizados no Campus do Pimenta da URCA, em Crato.
A Exposição “Passado e presente da cidade do Crato”, composta por fotografias de autoria de fotógrafos caririenses, enfoca diversos registros do patrimônio arquitetônico da cidade, desde o início do Século XX até a atualidade, objetivando a manutenção e difusão de um acervo iconográfico que venha subsidiar a preservação da memória histórica local e servir como fontes de pesquisa e estudo.
A exposição “Patativa do Assaré, de poeta matuto a poeta doutor” homenageia o aniversário de 108 anos de nascimento de Patativa, recentemente transcorrido, e é composta por fotografias, livros, discos, cordéis e reportagens sobre o afamado poeta de Assaré, além da réplica de sua casa, localizada na Serra de Santana, município do Assaré.
A Exposição “Expo-Lira URCA” enfoca a trajetória da Gráfica Lira Nordestina, e conta a história da literatura de cordel e da xilogravura na região, visto que a Lira deriva da lendária Tipografia São Francisco, fundada em 1932, em Juazeiro do Norte, e que foi uma das maiores produtoras de folhetos de cordel do Brasil.
Está de parabéns a Universidade Regional do Cariri e, especialmente, o fotógrafo Jackson Bantim, pela realização destas mostras que primam pela qualidade e representatividade do acervo exposto, motivos porque tanto vem encantando o público visitante.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

IRMÃ GERTRUDES - Demósteners Ribeiro


Surpreso, ele sofreu um impacto indescritível, quando a mulher, ainda jovem e vestida de freira, entrou de repente e começou a falar:

Vai longe o tempo e sei que pareço ridícula com essa roupa, mas aprendi que só a graça divina traz a qualquer um a razão de viver. Achei o sentido e rezo para que também encontre o seu. Lembra que nos conhecemos na mocidade? O colégio, a faculdade, o movimento estudantil, a invasão da reitoria, como esquecer? Apesar de tudo, vou em frente, caminhando, cantando e seguindo a canção.

Depois, vieram os anos de chumbo e foi cada um pro seu lado. Eu continuei na luta, fui pro Araguaia e entrei na clandestinidade. Quando Geraldo caiu, me transferi pra São Paulo. Morei em favela e fui missionária numa Comunidade Eclesial de Base até fechar-se o cerco e a partida se tornar inevitável.

Em Paris, acolheram-me em um convento. Vivi o drama de Tito e uma vez, morta de saudade, lembrei da “Canção do Exílio” e chorei um temporal. Mas, perdida a batalha, aos poucos, me despontou a fé. Tantos anos depois, estou de volta. Virei a irmã Gertrudes e daí esse hábito.

Agora me diz, por que esse olhar reprovador? Não me faça ser cruel. A sua profissão é como qualquer outra e você ainda não encontrou a razão de viver. Na época da repressão, se revelou um estudante acovardado, refugiado em livros e plantões. Logo depois de formado e ainda hoje, se entrincheirou no trabalho, fugindo sempre, perdido na indecisão. Naquele tempo, dizia que me amava, pensei que tudo daria certo, mas você, assustado, tinha medo que nos vissem. Não era um homem livre e nem sei se algum dia vai se libertar desse egoísmo atroz.

Eu estou suando, mas não sou estúpida nem faço nada errado, você bem sabe. Não vivo enclausurada como lhe parece. A ação é o fundamento da minha ordem. Nada de retiro e contemplação. À minha maneira, como instrumento do Pai, no alívio da dor e da desigualdade, faço a hora e ensino cidadania. Pouco importa os desvios do caminho, o mensalão, o petrolão... Eu encontrei o meu destino e peço a Deus, todos os dias, que lhe ajude a encontrar o seu. Gostei de lhe ver e, vez por outra, relembre aqueles tempos, se não for demais.”

Pálido e confuso, o mundo girou e ele não disse palavra. Abraçou fortemente a irmã Gertrudes, entre lágrimas e corações disparados. E então, fecharam os olhos, deram-se os braços e aos dezoito anos, desceram a avenida da Universidade, gritando “abaixo a ditadura”, numa inesquecível passeata. Depois, era São Paulo, a grama do Ibirapuera, o primeiro motel e, no show, a Elis Regina, insuperável, cantando “Como Nossos Pais”.

De novo em Fortaleza, houve o sorvete, o anoitecer e o caminhar de mãos dadas, anônimos na Beira-Mar. Uma multidão os cercou e assistiu espantada. Não mais pisavam o chão, não lembravam quem eram nem onde estavam – subiram para a estrela acima e ninguém os via mais.

Uma vez, sessenta e oito... A lua, a estrela, o céu, o mar... E as velas do Mucuripe saindo para pescar.


Demóstenes Ribeiro - Cardiologista

segunda-feira, 24 de abril de 2017

TORTURA: “FÍSICA OU PSÍQUICA” (ou O MILAGRE DA CONVERSÃO) - José Nílton Mariano Saraiva


A priori, um esclarecimento: em sendo agnóstico, não acreditamos em ocorrências de milagres ou coisas tais. Assim, permitimo-nos refutar a teoria disseminada por alguns de que em Curitiba, nas masmorras do juiz federal Sérgio Moro, verdadeiros “milagres de conversão” estariam a ocorrer com seus “hóspedes”, já que repentinamente renegam o que fora explicitado antes e assumem o que lhes é determinado pelo juiz. Paradoxalmente, entretanto, acreditamos que o apregoado e difundido “milagre da conversão” pelo menos tem o condão de nos levar a uma reflexão séria e pra lá de assustadora: afinal, na busca de informações consideradas pelo representante do Estado (o juiz) como necessárias, qual a metodologia mais eficiente e eficaz de se torturar um ser humano: a física ou a psíquica ???

Como sabemos, na tortura física vige a brutalidade e morbidez em toda a sua crueza e iniquidade, quando “animais” travestidos de carrascos insensíveis e orientados por superiores psicopatas (vide Luiz Antônio Fleury, do Doi-Codi paulista, no tempo dos milicos), submetem o ser humano ao auge da degradação física, em diferentes gradações do modus operandi, tais quais: despir e pendurar a pessoa no famoso “pau-de-arara” e em seguida arrancar-lhe os dentes à base da porrada, até que se disponha a “abrir o bico”; extrair-lhes as unhas (dos pés e mãos) lentamente e sem anestesia, com alicate; submergi-los em afogamentos forçados, que se estendem ao limite do suportável pelo ser humano; aplicar-lhes choques elétricos nas partes íntimas (mamilos, vagina, ânus, língua, ouvidos e por aí vai, em intervalos diminutos, fazendo-as urinar e defecar involuntariamente; praticar sexo à força, com mulher ou homem, pouco importa, no intuito de desmoralizá-los; fazer uso de um tal telefone, quando a vítima recebe, de surpresa e por trás, violentos safanões nos ouvidos, capaz de fazê-la perder a consciência momentaneamente; e, alfim, interrogatórios que duram dias e dias, sem intervalo, com o revezamento dos inquisidores (mas não da pauta), de forma a que o preso não tenha direito a dormir e finde por assinar qualquer papel que lhe seja posto à frente ou falar o que queiram os juízes. A tais “métodos de convencimento”, foram submetidos alguns brasileiros no tempo de vigência da ditadura militar. Se uns poucos resistiram e NÃO “deduraram” (entre eles a ex-presidenta Dilma Rousseff), boa parte não suportou e “entregou” companheiros de luta. Em tais situações, pois, tínhamos as “delações NÃO premiadas”, onde o corpo certamente ficou marcado indelevelmente ao servir como mero e banal “instrumento de convencimento”.

Já no tocante à tortura psíquica, o método requer um pouco mais de “requinte e sofisticação”, porquanto o padecimento se dá através da deletéria “perturbação mental” do indivíduo. Assim, num primeiro momento e objetivando ofertar ao indigitado a “vantagem” de uma “delação premiada”, mesmo sem nenhuma prova material do suposto crime cometido (mas só por convicção da autoridade competente), conduz-se coercitivamente o suspeito para a cadeia, joga-se no fundo de uma cela, onde permanece incomunicável por dias, até que se disponha a “colaborar espontaneamente”. Não sendo a narrativa “espontânea” do agrado do todo poderoso senhor juiz, temos o imediato retorno do preso à cela, onde terá tempo de sobra para refletir se aceita ou não confirmar a versão da autoridade competente. Como prêmio pela colaboração, mais à frente terá redução substancial de uma suposta pena.

As reflexões são só para lembrar dois casos recentes e emblemáticos: ao ser preso, o empresário-bandido Marcelo Odebrecht, indagado sobre se estaria disposto a colaborar, via “delação premiada”, indignou-se e peremptoriamente afirmou ante as câmaras televisivas não ser “dedo-duro”, que tinha caráter, formação moral e religiosa, que inclusive em casa houvera ensinado os filhos menores a jamais praticar tal ato, e por aí vai. Com o tempo, mofando no fundo de uma cela nada confortável para os seus padrões, deglutindo as “quentinhas” da vida e já condenado a dezoito anos de prisão, eis que esqueceu as convicções de outrora, o ter ou não caráter, moral, religião e o escambau, e não só “botou a boca no trombone”, como autorizou seus homens de confiança a também fazê-lo. E a tal “delação do fim do mundo” está apavorando os políticos corruptos que fazem da bela Brasília uma espécie de refúgio de marginais (agora, se o Marcelo Odebrecht apresentará provas contra todos, de tudo o que disse, aí é uma outra história).

Um outro portento da construção civil, o empresário dono da OAS, Leo Pinheiro, que se dizia “amigo” do ex-presidente Lula da Silva, num primeiro depoimento cometeu a “ousadia” não só de NÃO acusá-lo em momento algum, como até inocentá-lo, já que não praticara qualquer crime; foi o suficiente para que as autoridades competentes desconsiderassem tal documento, ao tempo em que “magnanimamente” resolveram dar-lhe tempo para uma reflexão mais apurada, de modo que, numa próxima oportunidade contemplasse, obrigatoriamente e por cima de pau e pedra, Lula da Silva; para tanto, reverteram a prisão domiciliar que lhe fora concedida, lhe acrescentaram dez anos à pena original e o recambiaram de volta às masmorras de Curitiba. Foi o suficiente e bastante para que Leo Pinheiro contrariando seus advogados, desdissesse tudo o que afirmara no depoimento anterior, agora acusando frontalmente Lula da Silva de tudo o que as autoridades lhe atribuíam (embora ressalvando a não existência de provas). Por não concordarem com o novo posicionamento do cliente, seus advogados resolveram abdicar da causa. Só que este era o álibi para que o juiz de Curitiba, Sérgio Moro, consiga seu “objeto de desejo”: condenar o ex-presidente Lula da Silva e impedir-lhe de candidatar-se em 2018.

Ante situações tão díspares, e adstringindo-se ao tema-título do presente artigo, o questionamento seria: para você, que está aí do outro lado da telinha, qual o tipo de “tortura” mais eficaz e eficiente a fim de que se consiga o tal "milagre da conversão", e que no fundo privilegiam bandidos de alta periculosidade: a física ou a psíquica ???

Enquanto você reflete, lembre-se que Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Sérgio Machado e Pedro Barusco dentre outros, estão por aí, livres, leves e soltos, farreando e gastando a fortuna obtida através de roubo (devolveram uma ínfima parte) após delatarem antigos companheiros. Ou você acredita que por usarem tornozeleira eletrônica permanecem reclusos e silentes em suas mansões ???

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Post Scriptum:
Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça, sintetiza magistralmente o que expomos acima, quando afirma... “o mal da tortura é que não oferece provas sólidas da verdade, mas apenas provas sólidas da (in)capacidade de resistência do torturado”, ao tempo em que lembra que a tortura não é apenas física, do pau de arara, do choque elétrico, mas também psicológica.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Livro sobre o Cariri será lançado hoje na URCA



O Laboratório de Pesquisa em História Cultural - LAPEHC, do Curso de História da Universidade Regional do Cariri - URCA, promoverá o lançamento do livro "Cariri, Cariris - Outros olhares sobre um lugar incomum". O evento ocorrerá hoje, 19/04, às 19h, no Salão da Terra, localizado no Campus do Pimenta da URCA, em Crato.

O livro tem a colaboração de professores do Curso de História da URCA e de outras universidades, como Durval Muniz, Rosilene Melo, Sônia Meneses (também organizadora do livro), Joaquim dos Santos, Carlos Rafael Dias, Jane Semeão, Roberto Marques, Pryscilla Cordeiro e Edianne Nobre, com prefácio de Titus Riedl.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Exposição Patativa do Assaré prolongada até maio


A Exposição “Patativa do Assaré, de poeta matuto a poeta doutor", que está acontecendo no Campus Pimenta da URCA, em Crato, será prolongada até o dia 06 de maio.

A exposição homenageia o aniversário de 108 anos de nascimento de Patativa e é composta por fotografias, livros, discos, cordéis e reportagens sobre o afamado poeta de Assaré, além da réplica de sua casa, localizada na Serra de Santana, município do Assaré.

O acervo e a curadoria da exposição é do fotógrafo cratense Jackson Bantim, que também é diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri.

Vale a pena conferir, pela riqueza e originalidade do acervo exposto.

A promoção é da Universidade Regional do Cariri (URCA), através da Pró-Reitoria de Extensão (Proex).

Postado por Carlos Rafael Dias
 

domingo, 2 de abril de 2017

PECADO AMBULANTE - Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)


Aproximava-se o dia do idoso e eu escreveria uma reportagem sobre a terceira idade. Cheguei cedo ao abrigo e ao me entrosar com vários internos três velhinhos não me largaram mais. Falavam da vida e entre eles transparecia grande amizade.

Um deles na infância imitava Joselito e, ao cantar “La Paloma,” também foi chamado de “Pequeno Rouxinol.” Já adulto, sentindo-se um Orlando Silva, se apresentou no show do Mercantil e por pouco não se tornou a voz orgulho do Ceará. No entanto, tudo se transformou e ele perdeu espaço. Restaram-lhe as churrascarias e o apelido de Zé Seresta.

Outro senhor, o Adelino, violão debaixo do braço, perdeu-se no alcoolismo e no difícil caminho da música instrumental. Fumava muito, tinha mania por anúncios fúnebres e ao perceber meu interesse por música surpreendeu-me com o choro número um de Villa-Lobos, logo após a minha chegada.

Um outro, mulato alto de carapinha branca, no abrigo tornou-se o Coronel. Repetidamente, em posição de sentido, ele prestava continência às pessoas e queria tudo em ordem. Era admirador dos militares e muito respeitado. Quando jovem, no Rio de Janeiro, matara mendigos para limpar a cidade e teria sido segurança do Lacerda quando do suicídio de Vargas.
 
E os três destoavam da tristeza geral. O dia passando e histórias se sucedendo ao sabor de lembranças, simpatias e antipatias pessoais. Assim, a velhinha de terço na mão era mais uma viúva que deu a vida pelo marido e filhos. O velho calado e abandonado pela mulher mais nova, herdou uma depressão incurável. E aquela, que fazia tricô e ficou pra tia , no seu delírio, invejava a prima que fugiu com um trapezista de circo e nunca mais voltou.

Alguns sequer sabiam de parentes e não recebiam visitas. A ex-dançarina da TV não se apercebeu do tempo e insistia na saia curta, no batom e no decote, sonhando com um milionário chinês. E o mantra incessante do médico demente: quem fui, quem sou e quem serei... Ali, a principal doença era abandono e solidão.
 
Muitos me cercaram e fiquei pensando... Fez-se, então, um silêncio ensurdecedor quando passou a maca com o lençol branco envolvendo um corpo. Todos entenderam: alguém terminara a viagem feroz, traiçoeira e sem finalidade. Ao violão, Adelino iniciou a “Marcha Fúnebre” e o Coronel, solene, balbuciou “do pó viestes e ao pó retornarás.”
 
Mas, de repente, Esmeralda, a cuidadora boazuda, apagou o cinza. Ela empurrava a cadeira de rodas com a mãe de um deputado. Adelino, brejeiro, mudou rapidamente a música e Zé Seresta – eterno dom-juan – mirou aquela bunda, ajeitou a peruca e atacou, imitando Nelson Gonçalves: “quando ela passa, florindo a calçada, pisando macio ... pecado ambulante!”

(publicado no Diário do Nordeste – pg. 3. 27.7.14)

quinta-feira, 23 de março de 2017

Exposição Patativa do Assaré ocorre no Campus do Pimenta da URCA - por Carlos Rafael

"De poeta matuto a poeta doutor" é o título da exposição que homenageia o aniversário de 108 anos de nascimento do poeta Patativa do Assaré.
Com curadoria e acervo pertencente ao cineasta Jackson Bantim (Bola), a exposição ocorre no Campus do Pimenta da Universidade Regional do Cariri (URCA), em Crato.
Foi aberta na última segunda-feira, dia 20 de março, mas permanecerá  até o dia 12 de abril, franqueada ao público em geral, das 8 às 21 horas, de segunda a sexta.
A exposição consta de fotografias, livros, discos, cordéis e reportagens sobre Patativa, além da réplica da casa do poeta, localizada na Serra de Santana, município do Assaré.
Vale a pena conferir, pela riqueza e originalidade do acervo exposto.
A promoção é da Universidade Regional do Cariri (URCA), através da Pró-Reitoria de Extensão (Proex).
A seguir, cobertura fotográfica feita na noite de abertura.







terça-feira, 21 de março de 2017

RECORDAR É VIVER ???


Aécio Neves após derrota nas urnas:


"Vamos obstruir todos os trabalhos legislativos

 até o país “quebrar” e a Presidenta Dilma ficar

 incapacitada de governar. Sem o Poder

 Legislativo nenhum governo se sustenta!”

segunda-feira, 20 de março de 2017

Falece a arqueóloga Rosiane Limaverde - por Carlos Rafael


Faleceu na manhã de hoje, 20/03, a arqueóloga caririense Rosiane Limaverde, vítima de um câncer de útero, contra o qual vinha lutando há quatro anos.
Rosiane, de 51 anos, deixou uma rica contribuição à cultura caririense, principalmente por ter o sido, ao lado do esposo Alemberg Quindins, fundadora da Fundação Casa Grande, entidade que faz um reconhecido trabalho de inserção socioeducacional com as crianças do município de Nova Olinda.
É uma perda irreparável, mas que deixará um duradouro e relevante legado em prol da cultura regional, de valorização da identidade construída pelos saberes populares.

terça-feira, 14 de março de 2017

QUADRILHA LONGEVA

OPERAÇÃO ABAFA - Bastou o presidente Fernando Henrique Cardoso entregar os ministérios dos Transportes e da Justiça para ELISEU PADILHA e Iris Resende e os peemedebistas fizeram as pazes com o Governo. O Presidente da Câmara, MICHEL TEMER (PMDB-SP), ELISEU e o líder do PMDB na Câmara, GEDDEL VIEIRA LIMA (BA), fecharam neste final de semana a estratégia para abafar o escândalo das denúncias de compra de votos na votação da reeleição” (Jornal O GLOBO, segunda-feira, 19 de maio de 1997 ).

Como se observa, 20 anos atrás a “irmandade” já atuava com desembaraço e desfaçatez (os atores são os mesmos e o modus operandi idem).

domingo, 5 de março de 2017

Hoje diria mil desaforos
Machucaria todos os momentos
Que um dia me fez feliz
Quebraria os copos, os pratos
E todas as mentiras que acreditei
Talvez saísse uns gritos engasgados e uma represa de choro quebrasse
Ainda assim permaneceria
Humanas estátuas carregadas de dureza e desumanidade.

Alexandre Lucas


A cama preenchida de cachos
Ondula desejos
Resta um doce espalhado entre os lençóis
Hora de arrumar a cama
Tomar banho
Vestir a roupa e saculejar um adeus.

Alexandre Lucas


Um poema apertado
Entre o que não se quer dizer
E a pressão de querer se manifestar
feito nó cego
O poema não desata
E se guarda.

Alexandre Lucas



Escreveria em tuas pernas
Um manifesto de prazer
A língua fiel escritora da tua pele
Deixaria em carrossel seus sentidos
Deitado sobre a presença
Transcrevo lembranças.

Alexandre Lucas


Sem cerimônias atravessaria os teus olhares
Entrelaçaria tuas pernas em minha cabeça
Até sentir gemidos trêmulos
Tua respiração descompassada
Não faria nenhuma jura de amor
Guardaria teu corpo nas minhas lembranças
E queimaria todas as promessas imaculadas.

Alexandre Lucas

Os contratos entre os corpos tem prazo
Alguns passados no papel , outros no sagrado e ainda aqueles passados na língua
Duram às vezes uma noite inteira
As vezes uma mexida de nuvens
Outras vezes um tempo definido que não se define
Esse corpo que é meu, até parece que é teu
Mas se for ver
 aqui tem porta
E ai também
Se entra sem permissão
Não é contrato
É invasão.

Alexandre Lucas

Não consigo lembrar o afeto que me contagiava à noite
Devia ser intenso,
Hoje resta, cacos pontiagudos que contam o carinho
E que deixam as noites silenciosas e dolorosas
Como num velório
Em que os risos são contidos
e as ideias embaraçadas
Enterro, a noite
Para que os dias renasçam brilhantes
escaldantes e cheios de amor.

Alexandre Lucas


Com quantos poetas definiu a noite?
A noite é tua
Faz dela o que quiser
E os poetas?
Eles, lógico, não são teus
Podem até definir a tua noite.

Alexandre Lucas


Estava ali na mesa
Entre o pão e a manteiga
Uma xícara de choro
O tempo estava frio
Como as almas áridas
Pensei no ultimo gole
Da Água-ardente
E no sorriso das crianças
Liquidifiquei os pensamentos
Passei na peneira
E bebi em lentidão.

Alexandre Lucas


Só isso
Passe pela outra rua
Essa é calçada de ferida
Aberta
Só quero evitar que a insensiblidade se instale
A gente é um pedacinho de carne viva e uma infinidade de sentimentos
Uma rua machucada
Em que o cano do coração
Estoura em tempos ácidos
E as pedras dão cascudos
Nos caminhos empinados.

Alexandre Lucas

Declaro para os devidos fins e a quem interessar possa
Que todos os dias remendo
Partes de mim
ou ainda completo
Partes que me faltam
Carrego cicatrizes
Que de tão profundas
Atravessam a alma e a epiderme
Aqui reina saudades, lembranças,
Medos e vários punhados de dores,
Hora e outra, (as vezes demora muito tempo )
corto os cabelos
Preparo o caldeirão
E jogo porções de tanta coisa boa
Que sou capaz de voar de tão leve que a alma fica.

Alexandre Lucas


Hoje a saudade veio como chuva
Inundou de lembrança a estrada
Orgulhoso o sol logo veio
Mais um dia árido
Resiste
Entre as flores que continuam a brotar em tempos de chuva e aridez.

Alexandre Lucas


Não sou o  pão da esquina
Que está ali para ser comprado e comido
Ou só comido, como arroz e feijão
Não venha  me passar manteiga
E encher o bucho
E depois  virar de lado
Jogando uns trocados
O pão da esquina fica parado
Para ser bulinado
Enquanto gente
Pinota, dar cambalhotas  e goza
Grita e chora, recua e diz não
Gente, não é pão!

Alexandre Lucas

Surge o  nascimento de braços
Alumiados de esperança
em cada casa sem chaminé
nos sacos vazios
de uma vida inteira
Em cada Jesus sem Nazaré  que já nasce crucificado
Não haverá trenós, nem barrigudos do consumo
Nem ceia farta para um único dia
Quando cada castelo for ocupado,
A  comida deixar de ser   uma preocupação constante  
A felicidade não ter placas de  venda em cada esquina
E  a confraternização  ficar impossibilitada de ser orquestra artificial
Defumando ilusões
Nem o natal capital, nem migalhas de caridade
Quando o povo tiver que mendigar a felicidade,
Em doses homeopáticas
De apatia humanitária.    

Alexandre Lucas

Escreve no meu corpo e guarda segredo
Esquece os jornais
 notícia no meu ouvido
O teu release de prazer
A matéria terá argumentos
E sairá quentinha
eu e você na redação
Escrevendo narrativas
Deliciosas nas páginas da pele
E  leituras reviradas
De afetos e temperos singulares.

Alexandre Lucas

Que todos os molotovs sejam declarações de amores
Espalhadas pela cidade
Estilhaços de fraternidade impregnem nos desejos
Que o caminhar possa ser com as mãos  livres
 para que possamos dançar soltamente
e que a partilha seja como como o ar
se não existir nada brotará.

Alexandre Lucas

Enquanto vou me acordando
Sinto o cheiro quente dos teus seios
Lembro do café feito de gente
Nos  provamos
Entre pernas, mãos e línguas
As únicas canções que escuto
São galopes e uma sequência inumerável  de hum
Debulhados
Já podemos dizer bom dia.

Alexandre Lucas

No meio do caminho tinha uma fita de cetim
Balançando
De todas as palavras pronunciadas
De todos os gemidos professados
De todos os olhares
Diante da fita de cetim
Apenas o silencio do seu balançar.

Alexandre Lucas

Ajoelhou-se sem penitência
Com delicadeza e sem protocolos
Fez o meio transbordar
Escreveu no  seu rosto um poema de prazer.

Alexandre Lucas

Deixe que as línguas sejam maliciosas
Que a boca revire os sentidos
Que os dentes façam percursos tatuados de prazer
Deixe apenas aquilo que quiser
Que deixo aquilo que me for permitido.

Alexandre Lucas

Trafega as tuas mãos sobre meu corpo
A água escorre
Tua boca fresca, teus olhos vivos
O banheiro
Pernas entrelaçadas
O banho de línguas
Uma pausa para um curto-circuito
O chuveiro goteja
Meus olhos respiram
As paredes e os braços se abraçam
Enquanto planejamos o próximo banho

Alexandre Lucas

Sair com o coração amputado, mas sair
Ganhei um livro inteiro de Maiakóvski para tomar com cappuccino
Com todas as quebras e quedas
Que compõe a  sua poesia ácida
Árida,
A sua poesia vida
Veio a massagem
Como curativo da alma
Antes de desmoronar
devore poemas Maiakóvskianos e insulte o vento
Para que ele decomponha
a tristeza em partículas  imensuráveis.

Alexandre Lucas

Não me peça perdão
Depois das flores violadas
Árido  me reinventou na resistência
Como mandacaru bem espetado
Sobrevivo com pouca frescura
O sol tempera
A chuva que se afasta
Aguarde, de tempos em tempos
Brotará lindas e pequenas flores vermelhas num cacho de espinhos
Pegue com cuidado
Ou deixe quieta
Para que elas sobrevivam sem feridas.

Alexandre Lucas

Plenamente nunca sou
Os baralhos na mesa
São cartas curtas de histórias inventadas
Como poemas de açúcar
Tem vida curta
Depois de toneladas  adocicadas de afeto, todas com prazo de validade vencida
Sempre desconfiamos
Plenamente.

Alexandre Lucas

Desconfio do silêncio
Da cidade cinza
Da franquia da vida
Da robotização da fala
Da propriedade privada
Desconfio de cada fio
Do beijo sem suspiro
De sexo sem orgasmo
Do Deus bancário
Do amor de fotografia
Desconfio de mim
Só desconfio mesmo
Por está vivo.

Alexandre Lucas

Lágrimas se tecem num corpo surrado, já é tarde.
As palavras se espremem
Na sensibilidade, o verso sai ferido
A liberdade ainda tem longos passos,
O tempo exige resistência!
Amanhã, o corpo será sussurrado e as lágrimas saíram brancas de felicidade.

Alexandre Lucas

Tuas pernas desenham sexo na minha cabeça
Inevitavelmente,
Mas prefiro as passadas das tuas palavras
Que fazem andança profunda
Nas curvas da minha admiração
O que seria das tuas pernas sem a composição das tuas palavras?
Poderiam elas afinar, engrossar, enrugar e encabelar    
Só não pode você faltar  com a palavra.

Alexandre Lucas

Que o corpo não seja apenas
A selvageria que se quer
Uma válvula para extorquir prazer
Ainda em tempos de posse
A extorsão do gozo é uma liminar do patriarcado
Que o gozo seja mais amplo
que se entrelace entre as conversas ao pé do olhar
e aos sussurros de tremer pescoço
que ele tome banho após o riso
e que sem pressa  ele preencha de delicadeza
o corpo, os seus contextos e a selvageria.

Alexandre Lucas

No encosto da parede
Seguro minhas pernas trêmulas
Enquanto você segura
Ajoelhada e freneticamente inquieta,  meu meio
Na sua  sentença de prazer
Contorço-me
Enquanto me espalho como hidratante no seu rosto
E assim vamos povoando a alma com a carne.

Alexandre Lucas

Miçangas de conto
Contam uma história sucinta
A porta que abriu,  ficou derrubada.
Pronto, era apenas um microconto
O restante cabe na tua imaginação.  

Alexandre Lucas

Deslizo segredos sobre teu corpo
A linguagem da língua,
Botam em erupção a tua pele  
Vulcão de lavas-corpos
Derretem-se
Entre as contorções
Sorridentes do prazer

Alexandre Lucas

Que não falte carambolas,  chocolate e  hortelã
Para estrelar a dança dos desejos
Saculejar a partilha
Da pele friccionada a outra pele
Versos da epiderme
Que venha os molotovs de Feniletilamina
Para florar de tesão os encontros
Nus
E debulhar a sabedoria das trocas.

Alexandre Lucas

A mesa guarda ainda as lembranças do café
Suas pernas cruzadas
Esquenta tuas entranhas e meus pensamentos
Apenas uma blusa leve
Cobre teus seios limão
Seus dedos dedilham
Poemas eróticos
Deitado
Imagino
As  minhas mãos decompondo
O silêncio,
A nudez fazendo carnaval
Num frevo matutino.

Alexandre Lucas

Comer à mesa
Aponta a forma correta
De  falar como se  vai comer
Possivelmente poderia
Comer na mesa,
com a comida espalhada na mesa, comer!
se não fosse negado comer
poderia se comer à mesa e na mesa
Teve um tempo que nem mesa tinha
E o povo comia
Sempre que tinha fome.

Alexandre Lucas

Dói
A ausência do amor
Como o tombo
No escuro do abismo
A espera corroe  o brilho
As lágrimas chicoteiam a esperança
A casa continua sem portas
Esperando que um dia
Você se faça presente
Não tarde, posso não suportar.

Alexandre Lucas

Deixou-me  por alguns instantes sem as pernas,
Deixe-me sempre
Em contorções  e esparramado pela cama
Acorde-me cedinho
sentindo as estrelas e a boca
Lenta e devoradora
Conte-me uma história de luta  pela vida e sorria,
antes de sair
Escreva no espelho do banheiro: bom dia.  

Alexandre Lucas
Não me interessa a poesia que codifica o código
Que faz da junção das palavras
Um cálculo complexo
Que fala para poucos
Nem  a que fala para muitos e nada acrescenta
Gosto mesmo é daquela poesia
Que me deixa de pé
Cheio de tesão
E do poema que em cada verso chama-me para a luta
E daqueles de tão meigos
Fazem
Ventania nos olhos
A poesia pode tudo isso:
Tamanho, métrica e ritmo
Rima,  forma, adereço e enredo
Se  ela não tiver  a palavra que  toque e o verso que afete
Não  me interessa .

Alexandre Lucas


23/1 16:57] Alexandre Lucas: Um dedo que não pede silêncio
Separa nossos lábios que se desejam
Nossas pernas continuam querendo se encaixar
Nossos pescoços se acolhem
Esses nossos olhos brilham
De afeto
O tempo acelera as emoções
A alma lateja de alegria
E fico aqui embebecendo os pensamentos da tua companhia

Alexandre Lucas

Esse poema carregado de brilhos nos olhos
Que faz mar e que se adocica no tempo
que agarra no olhar,
que abana as palavras com frescor
esse  poema vestido de pura nudez
de cabelo assanhado
de toque suave
que entra dançarino
no banquete da alma
Esse poema lindo
Feito brincadeira  de criança que encanta
Poema atrevido,  teima em ser feliz
Não é de Neruda, nem de Drummond, nem Vinicius
É um poema feito   na rede
No balanço  que não termina
No aconchego
Nas lembranças dos beijos
É um poeminha que germina
Com os olhinhos fechados e
Uns sorridos esbugalhados.

Alexandre Lucas

A rede vazia e trago  você aqui com esses olhinhos que me fazem sorvete
Derretido e doce
Ensaio um eu te amo
Cacheado de estrelas verdes
As estrelas verdes existem
E são bordadas de delicadeza
Tem pontas fininhas
que de tão  macias
Nós deitamos para sonhar.

Alexandre Lucas

Eu que tenho um relacionamento amoroso separado
Assinado no papel dos meus olhos
Que entre tantas vírgulas e quase pontos
Cheguei a pensar  que os versos  acordariam  descrentes
Mas eles se fizeram emaranhados de cachos
Com pontas de afetos para todos os lados
E eu que pensei que os versos adormeciam  ou enlouqueciam
E ponto final
Decreto, infinitamente impossível
Declaro, o verso pode ser o que você quiser
até um relacionamento amoroso e separado.

Alexandre Lucas

No banho jorra água e lembranças
A toalha
Nossos corpos afogueados e nossas mãos de cuidado
Esse olhar particular
Que acaricia a intimidade da alma
O espelho que nos fotografa em risos
Sem modéstia
A felicidade germina.

Alexandre Lucas

O tempo frio, a chuva massageia a vontade de sonhar
Escancaro lentamente um som instrumental
Fecho os olhos para escrever  um poema cacheado
Ele vem Afrodite
Dançando como uma folha ao vento
Abro a porta e  deixo os brilhos rodopiarem
Fitas de cetim se cacheiam na ventania dos desejos
E um pássaro anuncia pelos céus a alegria de voar

Alexandre Lucas