TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O "ANIVERSÁRIO" - José Nilton Mariano Saraiva

Há exatos quatro meses (26.10.14), a “tucanalhada” sofria sua oitava derrota consecutiva (em 12 anos) na disputa para a Presidência da República, porquanto a maior parte da população brasileira negou-se peremptoriamente a sufragar em segundo turno (e em oito eleições), seus insossos e despreparados candidatos (Serra, Alkmin e Aécio Neves).

Esperava-se, compreensivelmente, que de tanto levar “peia”, levando-os quase à “depenação” absoluta, que os tucanos, depois de tanto apanhar, enfim tivessem aprendido a lição e respeitassem o resultado das urnas, portando-se dignamente ante o fato consumado. Mera ilusão, puro devaneio.

Comandados pelo “sociólogo-gagá” (FHC) e secundado pelo “playboy do Leblon” (Aécio Neves), a “tucanalhada” fez foi partir pra atitudes radicais e inimagináveis, na tentativa de criar uma espécie de “terceiro turno”, cujo clímax deu-se agora, com a idiotice extrema de tentar insuflar a população para que desfralde a bandeira do “impeachment”, num atentado eloquente à democracia.

Como qualquer motivo constituir-se-ia desculpa para a tomada de tão estapafúrdia medida, o “gancho” encontrado foi atribuir uma falsa paternidade ao “esquema” (descoberto na Petrobras por uma instituição do governo) e aliar-se à parte podre da mídia tupiniquim, a fim de repercutir com estardalhaço os “malfeitos” perpetrados por uma quadrilha que atuava “com apetite desvairado” naquela estatal.

Só que, na pressa, por descuido, e ignorando que a mentira tem pernas curtas, “esqueceram” que os ladrões tinham ramificações eminentemente tucanas, porquanto introduzidos na Petrobrás desde o “primeiro-reinado-mandato” de FHC (conforme restou comprovado após declaração de um dos componentes) e cujo objetivo maior era sangrar de morte a Petrobras a fim de entregá-la de mão beijada aos “gringos” (nem que para isso fosse necessário mudar o próprio nome para Petrobax).

Descoberta a “maracutaia” e obstadas as operações-bandidas (graças à excelência dos órgãos governamentais envolvidos na apuração), a Petrobras salvar-se-á, porque é uma das maiores empresas do mundo em termos de tecnologia e “know-how” na exploração do petróleo, porque tem milhares de funcionários que “vestem a camisa” e dela se orgulham, porque possui reservas inimagináveis de um produto que metade do mundo e mais uma banda almeja e necessita, porque a maioria dos brasileiros dela sente orgulho e, principalmente, porque o governo já avisou que dela não pretende se livrar (pondo-a à venda, como certamente fariam os tucanos).

Será, sim, saneada e fortalecida em seus controles, e continuará contribuindo de forma decisiva para alavancar o Brasil ao seleto grupo de nações do primeiro mundo. Independentemente do mau humor e do “entreguismo” da “tucanalhada”, que insiste, persiste e não desiste para que os brasileiros enxerguem a Petrobrás apenas a partir de 2003, ignorando os portentosos roubos do passado.

Se são tão "puros", estão com receio de quê ??? 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Os Muros da Cidade Alta


J. FLÁVIO VIEIRA

                                               Findo o período momino, o Governador da Bahia,  Rui Costa ,  debruçando-se sobre os crescentes índices de violência no Carnaval, chegou a uma conclusão polêmica : a separação dos foliões que pagam dos que não pagam, por cordas, nos trios elétricos, é o principal motor das cenas de agressividade. “Quanto menos cordas, menos violência teremos no Carnaval”, fechou o governador em entrevista.

                                   Dias antes, um dos maiores compositores brasileiros, Gilberto Gil, dono de um camarote exclusivíssimo no Circuito Barra-Ondina, citou uma frase não menos polêmica, ao ser perguntado sobre o esgotamento daquela modalidade de Carnaval baiano, extremamente industrializado. Gil disse que sempre foi assim no Brasil : As elites nos camarotes assistindo ao povo brincando e se divertindo na avenida. Para ele, essa modalidade de festa à baiana só cresce por conta da tecnologia e dos negócios. A tendência seria, neste oásis da classe rica que são os camarotes, acontecerem festas específicas outras, enquanto na rua, rolaria o carnaval propriamente dito. As duas frases me parecem perfeitas para uma reflexãozinha, neste período quando sacudimos os confetes e serpentinas e deslanchamos o início real de 2015.
                                   O Carnaval, desde seus primórdios, teve sua força no potencial anárquico que carregava consigo. De repente, o mundo virava de ponta cabeça : homens se vestiam de mulher; escravos esguichavam água nos amos; amores ganhavam a eternidade de  quatro dias; maridos escapavam à sorrelfa a despeito da vigilância das esposas. Charangas, blocos de sujos ganhavam a rua e  cada um  se travestia , de repente, dos seus desejos mais íntimos, banhados numa certa cortina de anonimato. A irreverência da festança caiu no gosto dos brasileiros e o Carnaval foi tomando um vulto inesperado, principalmente em alguns polos que se foram tornando mais tradicionais : Rio de Janeiro, Salvador e Recife.
                                    O Mercado, o deus dos dias atuais, rapidamente percebeu que existia ali uma enorme possibilidade de lucro. Só que numa festa tão anárquica era preciso colocar regras fixas para poder cobrar o ingresso. Aí vieram os cordões de isolamento, os camarotes exclusivos, o desfile fechado dos blocos na Sapucaí, a venda de fantasias e adereços, os bailes mominos  em clubes. O Rio de Janeiro terminou por acabar com seu invejável e vultoso carnaval de rua, resumiu-o a um mero espetáculo de arquibancada. As Marchinhas picantes e bem humoradas de outrora foram substituídas pela monotonia de Sambas-Enredos repetitivos e chatos.   Só nos últimos anos, o Rio  vem tentando correr atrás do prejuízo com “A Banda de Ipanema”, o “Monobloco” e outros tantos que tais.
                                   Salvador, que começou com o sonho de Dodô-Armandinho-Osmar,  industrializou seu Carnaval, com seus trio-elétricos fechados por cordão de isolamento e os foliões todos com seus abadás uniformizados e seus camarotes todos caríssimos. O povão ,se quiser brincar, fica de “pipoca” do lado de fora, sujeito aos safanões e aos descuidistas . Talvez muitos dos trombadinhas  contratados pelos mesmos blocos para forçar os pipoqueiros a comprarem seu ingresso nos próximos carnavais. A Axé Music, monocórdica, depois de trinta anos espatifando tímpanos, perdeu fôlego e percebe-se, claramente, que já não traz o fervor e a alegria dos velhos tempos. O formato do Carnaval de Salvador parece estar em pleno declínio.
                                   Restou Recife que mantém a tradição do Carnaval de Rua, com seu frevo que carrega uma bagagem lúdica de mais de um século e sua dança esfuziante e malabarística. Não há cordões de isolamento nos blocos, as fantasias são simples e perfeitamente criativas e não existe apartheid. Todos estão juntos na avenida. Há 25 anos acompanho o Carnaval de Olinda e Recife e conto nos dedos as brigas que presenciei. O “Galo da Madrugada” que arrasta mais de um milhão de foliões de todas as classes sociais dá , anualmente, um exemplo de como é possível juntar tantos , mesmo sob o poder do álcool, alegres, irmanados e tolerantes.
                                   A citação de Rui Costa, assim, me parece perfeita. Vivemos em uma sociedade de castas, apesar de propalarmos a beleza da nossa miscigenação. Os bacanas não querem se misturar com o povaréu. Infelizmente, um dia esses conjuntos têm alguma intersecção. Não dá para morrer de fome quieto  no morro, vendo o vizinho logo abaixo comendo caviar. O Cordão de Isolamento faz com que essas diferenças surjam claras e translúcidas : dentro da corda os cidadãos, fora da corda, a corja.
                                   A frase de Gil, com todo respeito que tenho ao meu compositor brasileiro preferido, me parece muito infeliz. Primeiramente, passa essa separação como uma coisa natural. Os ricos nos camarotes e a pobreza na rua. E mais , transparece uma tendência de imutabilidade: sempre foi assim, meu povo, nunca vai mudar! Por outro lado, Gil esquece que não foi bem isso que aconteceu no Carnaval de Salvador. A Elite já não se conforma em ficar no camarote, ela invadiu a avenida, impermeabilizando-se pelas cordas do blocos  e não permite mais ao povão brincar: “Xô, carniça ! O Carnaval, agora, é privilégio dos bacanas!” Gil que  um dia já morou na Cidade Baixa, deveria lembrar-se como é difícil a vida para quem quer ir à Cidade Alta e  não lhe dão acesso ao Elevador Lacerda.  
                                   Felizmente, essas fórmulas industriais de Carnaval parecem estar se exaurindo. Organizar uma festa anárquica por natureza é, simplesmente, arrancar-lhe a essência. Depois, os festins da Elite são contidos, cheio de regras, seguranças e arrebites extracurriculares. Um dia ruirão todas os camarotes, os trios sairão dos caminhões e virão para rua, as cordas se esfacelarão e todos serão exatamente iguais:  partilhando a alegria, a dança e o milagre da vida.

Crato, 24/02/15

                                   

PETROBRAS

DEFENDER A PETROBRÁS É DEFENDER O BRASIL

Há quase um ano o País acompanha uma operação policial contra evasão de divisas que detectou evidências de outros crimes, pelos quais são investigadas pessoas que participaram da gestão da Petrobrás e de empresas fornecedoras. A ação institucional contra a corrupção tem firme apoio da sociedade, na expectativa de esclarecimento cabal dos fatos e rigorosa punição dos culpados.
É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de Óleo e Gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados.
A Petrobrás tem sido alvo de um bombardeio de notícias sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos.
Assistimos à repetição do pré-julgamento midiático que dispensa a prova, suprime o contraditório, tortura a jurisprudência e busca constranger os tribunais. Esse método essencialmente antidemocrático ameaça, hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras, penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas.
Ao mesmo tempo, o devido processo legal vem dando lugar ao tráfico seletivo de denúncias, ofensivo à consciência jurídica brasileira, num ambiente de obscuridade processual que propicia a coação e até o comércio de testemunhos com recompensa financeira. Na aparente busca por eficácia, empregam-se métodos que podem – isto, sim – levar à nulidade processual e ao triunfo da impunidade.
E tudo isso ocorre em meio a tremendas oscilações no mercado global de energia, num contexto geopolítico que afeta as economias emergentes, o Brasil, o Pré-Sal e a nossa Petrobrás.
Não vamos abrir mão de esclarecer todas as denúncias, de exigir o julgamento e a punição dos responsáveis; mas não temos o direito de ser ingênuos nessa hora: há poderosos interesses contrariados pelo crescimento da Petrobrás, ávidos por se apossar da empresa, de seu mercado, suas encomendas e das imensas jazidas de petróleo e gás do Brasil.
Historicamente, tais interesses encontram porta-vozes influentes na mídia e nas instituições. A Petrobrás já nasceu sob o ataque de “inimigos externos e predadores internos”, como destacou a presidenta Dilma Rousseff. Contra a criação da empresa, em 1953, chegaram a afirmar que não havia petróleo no Brasil. São os mesmos que sabotaram a Petrobrás para tentar privatizá-la, no governo do PSDB, e que combateram a legislação do Pré-Sal.
Os objetivos desses setores são bem claros:
- Imobilizar a Petrobrás e depreciar a empresa para facilitar sua captura por interesses privados, nacionais e estrangeiros;
- Fragilizar o setor brasileiro de Óleo e Gás e a política de conteúdo local; favorecendo fornecedores estrangeiros;
- Revogar a nova Lei do Petróleo, o sistema de partilha e a soberania brasileira sobre as imensas jazidas do Pré-Sal.
Para alcançar seu intento, os predadores apresentam a Petrobrás como uma empresa arruinada, o que está longe da verdade, e escondem do público os êxitos operacionais. Por isso é essencial divulgar o que de fato aconteceu na Petrobrás em  2014:
- A produção de petróleo e gás alcançou a marca histórica de 2,670 milhões de barris equivalentes/dia (no Brasil e exterior);
- O Pré-Sal produziu em média 666 mil barris de petróleo/dia;
- A produção de gás natural alcançou 84,5 milhões de metros cúbicos/dia;
- A capacidade de processamento de óleo aumentou em 500 mil barris/dia, com a operação de quatro novas unidades;
- A produção de etanol pela Petrobrás Biocombustíveis cresceu 17%,  para 1,3 bilhão de litros.
E, para coroar esses recordes, em setembro de 2014 a Petrobrás tornou-se a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto, superando a ExxonMobil (Esso).
O crescente sucesso operacional da Petrobrás traduz a realidade de uma empresa capaz de enfrentar e superar seus problemas, e que continua sendo motivo de orgulho dos brasileiros.
Os inimigos da Petrobrás também omitem o fato que está na raiz da atual vulnerabilidade da empresa à especulação de mercado: a venda, a preço vil, de 108 milhões de ações da estatal na Bolsa de Nova Iorque, em agosto de 2000, pelo governo do PSDB.
Aquela operação de lesa-pátria reduziu de 62% para 32% a participação da União no capital social da Petrobrás e submeteu a empresa aos interesses de investidores estrangeiros sem compromisso com os objetivos nacionais. Mais grave ainda: abriu mão da soberania nacional sobre nossa empresa estratégica, que ficou subordinada a agências reguladoras estrangeiras.
Os últimos 12 anos foram de recuperação e fortalecimento da empresa. O País voltou a investir em pesquisa e a construir gasodutos e refinarias. Alcançamos a autossuficiência, descobrimos e exploramos o Pré-Sal, recuperamos para 49% o controle público sobre o capital social da Petrobrás.
O valor de mercado da Petrobrás, que era de 15 bilhões de dólares em 2002,  é hoje de 110 bilhões de dólares, apesar dos ataques especulativos. É a maior empresa da América Latina.
A participação do setor de Óleo e Gás no PIB do País, que era de apenas 2% em 2000, hoje é de 13%. A indústria naval brasileira, que havia sido sucateada, emprega hoje 80 mil trabalhadores. Além dos trabalhadores da Petrobrás, o setor de Óleo e Gás emprega mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.
É nos laboratórios da Petrobrás que se produz nosso mais avançado conhecimento científico e tecnológico. Os royalties do petróleo e o Fundo Social do Pré-Sal proporcionam aumento significativo do investimento em Educação e Saúde. Este é o papel insubstituível de uma empresa estratégica para o País.
Por tudo isso, o esclarecimento dos fatos interessa, mais do que a ninguém, aos trabalhadores da Petrobrás e à população brasileira, especialmente à parcela que vem conquistando uma vida mais digna.
Os que sempre tentaram alienar o maior patrimônio nacional não têm autoridade política, administrativa, ética ou moral para falar em nome da Petrobrás.
Cabe ao governo rechaçar com firmeza as investidas políticas e midiáticas desses setores, para preservar uma empresa e um setor que tanto contribuíram para a atração de investimentos e a geração de empregos nos últimos anos.
A direção da Petrobrás não pode, nesse grave momento, vacilar diante de pressões indevidas, sujeitar-se à lógica dos interesses privados nem agir como refém de uma auditoria que representa objetivos conflitantes com os da empresa e do País.
A investigação, o julgamento e a punição de corruptos e corruptores, doa a quem doer, não pode significar a paralisia da Petrobrás e do setor mais dinâmico da economia brasileira.
É o povo brasileiro, mais uma vez, que defenderá a empresa construída por gerações, que tem a alma do Brasil e simboliza nossa capacidade de construir um projeto autônomo de Nação.
Pela investigação transparente dos fatos, no Estado de Direito, sem dar trégua à impunidade;
Pela garantia do acesso aos dados e esclarecimentos da Petrobrás nos meios de comunicação, isentos de manipulações;
Pela garantia do sistema de partilha, do Fundo Social e do papel estratégico da Petrobrás na exploração do Pré-Sal;
Pela preservação do setor nacional de Óleo e Gás e da Engenharia brasileira.
Defender a Petrobrás é defender o Brasil – nosso passado de lutas, nosso presente e nosso futuro.



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"DECISÃO POLÍTICA" - José Nilton Mariano Saraiva

E acabou restando vergonhosa e infrutífera a tentativa de alguns maus brasileiros de, em se aproveitando dos problemas surgidos na Petrobras, entregar para a banca internacional aquela que é uma das principais empresas do mundo, porquanto detentora das fabulosas reservas petrolíferas do pre-sal.

É que a presidenta Dilma Rousseff, contrariando o tão poderoso “mercado” e a parte podre da mídia tupiniquim, optou por colocar no comando daquela estatal um técnico da sua irrestrita confiança, com especialidade em finanças e não em petróleo, a fim de conseguir não só estancar a corrupção praticada por bandidos de alta periculosidade que por lá agiam impunemente desde o governo FHC, bem como também continuar explorando em sua plenitude o nosso “passaporte para o futuro” (o pre-sal).

Claro que, em virtude do rombo descomunal praticado pelos marginais-engravatados comprovadamente vinculados à “tucanalhada” (Pedro Barusco, Paulo Roberto & Cia) o estrago foi significativo, e somente descoberto em razão da “decisão política” da Presidenta Dilma Rousseff de “ir fundo” nas investigações (atitude pra lá de comprobatória de quem não tem o que temer).

Cabe agora à justiça (principalmente ao Supremo Tribunal Federal) agir com rigor em relação aos marginais que se locupletaram, impondo-lhes penas compatíveis com os crimes perpetrados, independentemente da posição e filiação partidária.

Quanto à Petrobras, agora livre dos ladrões-engravatados e contando mais que nunca com o apoio do povo e do seu excelente corpo técnico e funcional, certamente recuperar-se-á do baque muito em breve e, mais importante, sem perder sua identidade, já que livre de ser entregue aos “gringos”, como a “tucanalhada” apostava e faria, se por acaso assumisse o poder o despreparado “Aébrio Never”.




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

INCONSTITUCIONALIDADE

Conselho Municipal de Política Cultural
Crato-Ceará
Eleição 2015

 

Há mais de dois penosos anos a gestão cultural do Crato vem acontecendo inexplicavelmente sem o cumprimento legal de fazer funcionar o Conselho Municipal de Cultura, de acordo com Lei datada do final dos anos 90. 

Depois de muita peleja, já com outra legislação, de 9 de dezembro de 2014 – a Lei Municipal nº 0912001/2014-GP – ajeitada em gabinete e sem participação direta da comunidade, finalmente dá-se início, neste fevereiro de 2015, aos trâmites para a composição do agora denominado Conselho Municipal de Política Cultural. 

Foi ontem, dia 19. Alegramo-nos no primeiro momento e depois fomos tomados de triste surpresa ao ler o Edital nº 01/2015, da Secretaria de Cultura do Crato, publicado no Diário Oficial do Município nº 3144, de 13 de fevereiro do corrente ano, chamando para a eleição dos representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Política Cultural, período 2015/2016. O Artigo 4º, que trata do registro de candidaturas, estranhamente VETA A PARTICIPAÇÃO de membros dos diversos segmentos culturais que porventura sejam funcionários públicos do Município, do Estado ou da União, quando, textualmente, exige do/a cidadão/dã, no Inciso 4.2.2, “Declaração de que não é servidor público (esferas municipal, estadual ou federal) (...).” 

A determinação aludida fere o princípio da participação democrática nos conselhos setoriais, não sendo, por isso, constitucional! 

Diante dessa situação, reivindicamos da Secretaria de Cultura do Crato: 

1. Revogação do Edital nº 01/2015 e publicação de nova chamada, desta feita sem a frase impeditiva da participação dos servidores públicos municipais, estaduais e federais, e respeitando a Lei Municipal nº 0912001/2014-GP, Artigo 40, Inciso II, Parágrafo 3º, que diz: “Nenhum membro representante da sociedade civil, titular ou suplente, poderá ser detentor de cargo em comissão ou função de confiança vinculada ao Poder Executivo do Município.”; 

2. Definição de novo calendário, em que a eleição de representantes da sociedade civil se dê nos fóruns de linguagens, conforme sugere o manual do Sistema Nacional de Cultura, de modo que a escolha seja mais participativa e qualificada (as linguagens são, de acordo com a Lei Municipal: música; tradição; artes visuais; fotografia; audiovisual; teatro, circo e dança; literatura; patrimônio; memória; artesanato; moda; gastronomia; design);

3. Abertura para cadastramento de eleitores e candidatos também nos respectivos fóruns (o edital atual fixa o prazo de 18 de fevereiro a 03 de março de 2015, no sítio da secretaria de cultura ou em sua sede).

Esperamos atendimento. Queremos diálogo.

Crato-CE, em 20 de fevereiro de 2015.

Cacá Araújo
Professor, Ator, Diretor, Dramaturgo
Guerrilha do Ato Dramático Caririense



CONSULTAS: 
Lei, Divulgação Secult, Edital, Diário Oficial do Crato, Cartilha SNC.

https://www.facebook.com/culturacrato/photos/a.1393887624175402.1073741838.1391018957795602/1595537807343715/?type=1&theater
http://conselhoculturacrato.blogspot.com.br/p/conselho-municipal-de-politica-cultural.html
http://pt.calameo.com/read/0003074718521c9301f56
http://www.simplit.com.br/diario/
http://www.cultura.gov.br/documents/10907/963783/cartilha_web.pdf/8cbf3dae-0baf-4a30-88af-231bd3c5cd6e

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Selfie

                J. Flávio Vieira

                         Todo verão, amigos,  --não se enganem não !—lá se vem uma moda nova. Tivemos uma infinidade delas que se alternaram na mesma regularidade das estações. Já vieram:  o Walkman, o Celular, a máquina digital, o smartphone que, de alguma maneira, terminou por fundir muitas outras funções. Com ele, chegou uma das mungangas mais incríveis desses tempos : os selfies. O cabra bate selfie com o defunto no cemitério;  ensanguentado no acidente que acabou de sofrer; com a namorada na cama depois do venha-ver. E, mais que tudo! Manda imediatamente para as redes sociais, pois já não existe vida possível fora da virtualidade. Sem se mostrar para os outros, não é possível sobreviver.  Cada uma dessas invenções trazem, consigo, a ideia de ascensão social. Não ter no verão uma dessas estrovengas , remete, imediatamente, o sujeito  para a base da pirâmide e , de lá, não dá para ver o sol e nem se deleitar com a sombra. Claro que, em pouco, as feiras populares, fervilhantes vão se apropriando dessas modas , com produtos alternativos, para que o povaréu não fique na pior e possa também, de esguelha, bicorar um pouco desse paraíso de consumo. Quando a classe privilegiada descobre que o filho da empregada já possui a última novidade, a moda , imediatamente, é sustada e se inventa outra.  O ciclo, como um moto-contínuo,  se vai repetindo. 
     
                         A moca desse verão, por incrível que possa parecer,  é o tal do “Pau de Selfie”.  Talvez o leitor já tenha visto este penduricalho por aí. O sujeito usa um suporte para agarrar o Smartphone , dando uma certa distância, e facilitando o enquadramento, ao abrir mais o ângulo da selfie a ser tirada. As praias, os pontos turísticos se encheram destes “paus”, nestas férias, dava para se fazer uma apresentação de “Maneiro-pau”, se Mestre Cirilo topasse a brincadeira. Imaginem a dificuldade de carregar um trambolho desses, nas viagens, junto com uma infinidade de outras quinquilharias. Na Chapada Diamantina, um dos mais bonitos espetáculos , o pôr-do-sol visto do Morro do Pai-Inácio. Lá se postam inúmeros turistas , cada qual com o seu pau-de-selfie ( felizes, impávidos e orgulhosos com o novo aparelho), filmando o espetáculo e  privando-se, assim,  de assistir a ele. Vale mais o registro e, principalmente, a possibilidade de mostrar aos outros o vídeo, depois. A beleza do crepúsculo não interessa, degustá-lo, calmamente, nem pensar ! Nada de beber o Champanhe ! Vamos é mostrar aos amigos o rótulo do Moet-Chandon ! Freud diria, quem sabe, observando o brilho incandescente nos olhos dos pausistas,  que o pau-de-selfie, é um símbolo fálico, imprimindo aos seus proprietários um poder viril avassalador e inusitado.
                        Dizem os pausistas, justificando a aquisição, que a importância do  pau-de-selfie seria se bater a foto sem precisar incomodar ninguém. Se se refletir um pouco, veremos que a própria Selfie vai além do simples narcisismo. Há , por trás do retrato tirada por mim mesmo, uma certa dose de individualismo: eu sou eu e não preciso de ninguém! O pau de Selfie é, apenas, um aperfeiçoamento dessa arrumação. Houve um tempo, em que, nas viagens, as pessoas , solicitamente, pediam para os companheiros baterem suas fotos e retribuíam o favor, tirando a de outras pessoas e outros casais. Quantas amizades não começaram nestes simples contatos? Quantas paqueras não se encetaram, motivadas pelas fotografias que se iam alternando ? Se se reparar bem, esse individualismo tem sido um dos sintomas mais fortes dos tempos em que vivemos. As pessoas fogem dos relacionamentos como  o satanás da água benta. Amizades já não se fazem entre companheiros de trabalhos ou colegas de classe, até, porque, já não são colegas, mas concorrentes. As pessoas preferem, cada vez mais, os encontros ocasionais às relações mais sólidas. Casais já não querem filhos sob o pretexto que dá muito trabalho, atrapalha a vida pessoal e , economicamente, é um investimento muito desfavorável.
                                    As cidades, assim, parecem ter uma população muito grande, mas , na verdade, têm encolhido dia após dia, vêm se tornando desertas, simplesmente porque cada um dos seus habitantes deixou de viver na megalópole e passou a habitar no seu próprio mundo. Os habitantes de São Paulo cabem numa selfie.  Claro que existe uma praça gigantesca onde periodicamente muitos se encontram : as Redes Sociais. Essa encontro asséptico, no entanto, evita o toque, o olho-no-olho, o beijo, o abraço e, talvez, por isso mesmo, tenha se tornado tão importante e desejado. Dá a falsa impressão de que não estamos sós no mundo, que temos mais de dois mil amigos que nos curtem  e que, assim, a solidão não nos baterá à porta.

                                   O problema é que as grandes questões do planeta precisam cada vez mais do diálogo, da dissolução de diferenças seculares entre os homens, da conversa, da compreensão e da visão holística. Nosso barco está à deriva e cada um dos tripulantes mete a cabeça no buraco, como avestruz, acreditando que o iceberg que está logo à frente não lhe diz respeito. Antes do impacto final estarão todos no convés , com seus pau-de-selfie para registrar o fabuloso naufrágio do  Titanic.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO PISCOU - José do Vale Pinheiro Feitosa

Fernando Henrique Cardoso piscou. Uma coisa é você atacar o seu adversário político, especialmente se ele está exposto a mal feitos e estes podem ser usados politicamente. Outra coisa, bem diferente, é você insinuar, fazer movimentos ofídicos através das brechas das instituições para sugerir um golpe de Estado. Ou seja, apregoar, difundir, insinuar, começar uma campanha de impeachment da Presidenta Dilma.

Que as vespas das redes sociais façam isso, até por mera atração do pólen, é um dado da realidade. Mas não se espera que Fernando Henrique Cardoso, membro de uma tradição familia de patriotas e filho de Leônidas Cardoso, além do seu histórico de perseguição por ditaduras, venha a público fazer isso.

Mas foi a impressão que causou com um artigo que publicou na grande imprensa e com o parecer, sem quê e nem para quê, de um arrivista do parecerismo, sob encomenda de ninguém mais e ninguém menos que um advogado do FHC e membro do Instituto que leva o nome do ex-presidente.

Hoje FHC na prática se defende de ser golpista. Tenta isolar o seu advogado de sua própria postura. Tenta respondeR a Ricardo Kotscko que diz FHC e o parecer eram o toque de clarim para o chamado “golpe paraguaio” (um golpe que não é mais dado pelas forças armadas mas pelo poder jurídico).

Um dado. O impeachment de Fernando Collor de Mello não foi dado pelo Poder Judiciário, mas pelo próprio Congresso Nacional. No Poder Judiciário Collor foi absolvido de todas as acusações. O seu impedimento foi inteiramente político.

E não tem ligação de causa e efeito, mas tem de sucessão por consequência: FHC levou, na época, um “safanão” político de Mário Covas porque estava já com um pé no governo Collor. Covas salvou o “democrata” de um enorme desgaste político com a saída de Collor. Ao contrário, FHC virou Ministro do Exterior e da Economia de Itamar Franco, pegou carona no Real e com a turma de economistas do Plano, foi ser presidente da República para fazer a maior privatização entre as feitas no mundo na época.

Pode ser que você acredite em conto da carochinha, sabendo tudo o que sabe sobre a Petrobrás. Mas não acredite que FHC e sua turma foi uma vestal na venda daquele enorme patrimônio público. Não acredite por uma simples razão: ele foi associado com compra de votos para sua reeleição e em citação de telefonemas com falcatruas na compra das empresas de telecomunicações.

Por isso, no dia de hoje, quando pronuncia uma frase cínica, dizemos que ele piscou. Assim ele disse: “atribuir-me ter dado um toque de clarim para pôr em marcha um chamado “golpe paraguaio”, deposição dos governantes pela Justiça, que estaria sendo urdido pelas forças antidemocráticas do nosso país. Diante desse disparate, sou obrigado a reiterar o óbvio: sou e sempre fui intrinsecamente um democrata. Não será aos 83 que mudarei essa convicção.”


Na última oração ele pisca integralmente: idade não prova absolutamente nada. É apenas uma figura de retórica. Assim como fumou maconha e não tragou. Como não acreditava e Deus e acredita. Igual como sentou-se na cadeira vazia de prefeito a pedido de um repórter na véspera de perde aquela eleição.   

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

À ESPERA DE UM TEMPORAL - José do Vale Pinheiro Feitosa

Considerando o horário de verão: são 18 horas e 32 minutos no Rio de Janeiro. A cidade entocou-se dentro de casa (digo apartamento, abrigo, hotel etc.). Desde as 14 horas que os trabalhadores foram liberados para retornarem aos seus domicílios em segurança.

Digo. Liberado, às vezes, para enfrentar a insegurança de suas moradias. Neste momento há um tempo fechado. Sem qualquer sinal de trovões, relâmpagos e outros componentes do anúncio que se tornou espera.

Espera que chegue um temporal. Inundando tudo. Derrubando barreira. Travando o fluxo da cidade. Formando correntezas. Alagados. Transbordando lagoas, levadas, riachos e rios.

Na espera um silêncio de automóveis. Seria a hora do rush. As ruas principais ainda têm volume, mas muito esvaziadas. Assim como o tempo que se antecipa a jogos da seleção brasileira no período da tarde quando todo mundo era liberado mais cedo.

A espera do previsto. Lá pelos lados da Pedra da Gávea e Morro dos Dois Irmãos, as nuvens se avolumam. Quando porções anuviadas intensamente plúmbeas começarem a se desgarrar do volume principal, chegou a hora desta gente bronzeada encontrar-se com o vaticínio.

Mas se a previsão furar? Não vier temporal? Apenas aquelas tempestades corriqueiras de verão? O que se há de dizer do serviço de meteorologia? Infelizmente diante de tantas mensurações, de tantos modelos matemáticos, como se justificar ao distinto público tamanho efeito adventício.

Eis que à ciência da previsão, segura e precisa, teria chegado ao estágio em que as imprevisões agora previstas, por outro lado passaram a sofre os males da omissão. O imprevisto, o não acontecido do que fora previsto. E retornamos à dúvida da imprevisão.


Mas não nos enganemos. Nós que vivemos nesta terra. A espera continua até muito depois do que pensamos. Vejamos o anoitecer e seus mistérios não contabilizados. Ali onde o contabilizado também perde ou ganha valor.

GOLPISTAS EM AÇÃO - José do Vale Pinheiro Feitosa

No dia 4 de março de 1955 um destacado nacionalista, militar de carreira, com uma enorme tradição de luta republicana, eleito deputado federal pelo PTB do Distrito Federal (Rio de Janeiro) faz um discurso no grande expediente da Câmara dos Deputados.

Ele fala para explicação pessoal. Em primeiro lugar cita a Liga de Emancipação Nacional, um movimento em defesa das riquezas nacionais e da autonomia do país em relação ao imperialismo americano e europeu. Diz que a Liga é composta, entre outros, pelo Deputado Campos Vergal, Vieira de Melo, Aarão Steinbruck, General Felicíssimo Cardoso, Coronel Artur Carnaúba e Edgar Buxbaum.

Em sua fala lê uma nota em que denuncia a tentativa de golpe político com a tal candidatura única (tese defendida pela UDN) e diz que são manobras feitas por forças nas sombras: os trustes norte-americanos, cujo exemplo é Eugênio Gudin, com o objetivo de liquidar a resistência patriótica contra a entrega do petróleo e do patrimônio da Nação e por isso se propõem ao golpe.

Qualquer leitor atento do momento brasileiro encontra um paralelo enorme com aquele remoto ano de 1955. Naquele ano o PSD, em aliança com o PTB, indicava Juscelino Kubistchek para a candidatura à presidência. A UDN, que tinha no Presidente Café Filho o seu braço político, afinal era um governo onde a UDN tinha o controle, não queria a candidatura Juscelino. Muitos setores militares agiam para derrubar a candidatura do PSD e estes militares tinham o braço político da UDN.
O discurso da UDN era a corrupção de Juscelino. Tratava-se da aquisição de dois terrenos da prefeitura por parte dele enquanto prefeito. Aquisição dentro das normas jurídicas, postas em dúvida pela UDN. Na verdade era uma velha briga dos mineiros, entre UDN e PSD, alçada ao nível nacional porque interessava à UDN.

Aliás a UDN, num paralelo incrível com o momento atual, conseguira rachar o PSD e vários outros setores aliados e eleito Carlos Luz, que era do PSD, mas desafeto de Juscelino. E foi com Carlos Luz na Presidência da Câmara que a UDN tentou uma CPI contra Juscelino, fez discursos agressivos contra ele e afinal, aproveitando uma licença saúde de Café Filho, deu a Carlos Luz o poder de desarmar politicamente a candidatura Juscelino.

Para todos efeitos foi tido como um golpe político. Como houve uma reação à manobra, o outro lado, a UDN, acusou a esta de golpe. Enfim, Café Filho após a alta hospitalar não mais assumiu o cargo, Carlos Luz perdeu a presidência da Câmara, passou para um udenista, mas eleito pelo PTB do Rio Grande do Sul que era Flores da Cunha. O golpe não deu certo, Juscelino foi eleito. Tomou posse. E passou o cargo para o próximo presidente eleito.

Enfim nos dias atuais, setores do judiciário, o PSDB e mais outros arrivistas em partidos menores, a mídia corporativa e um amplo trabalho nas redes sociais estão na mesma linha. Hoje mesmo, demonstrando a tese do deputado do PTB do qual cito o discurso na Câmara, José Serra, Senador pelo PSDB de São Paulo advoga a venda de partes da Petrobrás e a entrega do Pré-Sal para os “trustes estrangeiros” como denunciava o discurso do deputado em 1955. Falam-se num “trabalho lobista” de Serra com a Chevron (em vários sites).


E para saber quem era o deputado do PTB, nacionalista e que denunciava o golpe financiado pelas grandes empresas americanas: GENERAL LEÔNIDAS CARDOSO. PAI DO EX-PRESIDENTE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

ATÉ ISSO ??? – José Nilton Mariano Saraiva

Até prova em contrário (e tal prova não existe), a sede da Universidade Regional do Cariri (URCA) se localiza na cidade do Crato-CE, onde além dos diversos cursos ministrados se acha estabelecida a sua Reitoria.

Dentre as diversas faculdades vinculadas à URCA, a Faculdade de Direito tem se destacado sobremaneira, o que pode ser constatado quando da realização do Exame Anual da OAB, quando os alunos oriundos daquela salamanca têm obtido significado numero de aprovação.

O que não dá pra entender é que, quando da divulgação pela imprensa nacional da relação dos alunos aprovados no tal Exame Anual da OAB, no espaço dedicado ao Estado do Ceará os alunos da Faculdade de Direito do Crato sejam listados como aprovados e oriundos de Juazeiro do Norte, sem que se mencione nem de leve tenham eles cursado e sido aprovados na Faculdade de Direito da cidade do Crato.

Qual a razão para esse “desvio de finalidade” ou autentico “estelionato educacional” ??? Por qual razão descredenciar quem realmente faz (a cidade do Crato), em beneplácito de quem não tem nenhum crédito na questão (Juazeiro do Norte) ??? Não seria o caso das autoridades cratenses (políticos, associações de classe, clubes de serviços e tal) se  dirigirem formalmente à OAB, “exigindo” explicações ???  Como continuar aceitando tal tipo de humilhação ??? Qual a razão de tanta passividade e subserviência ??? 
  


ELES GANHARAM O CONGRESSO NACIONAL - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ou melhor: o governo e sua política de aliança com o PMDB perdeu a Câmara dos Deputados. Ganhou no Senado, sem convicção. E perdeu para quem?

Primeiro para os deputados dissidentes da “base do governo”, segundo para a oposição (vai aproveitar-se da confusão no galinheiro do vizinho) e para a grande mídia corporativa (que é contra o governo Dilma e tem Eduardo Cunha no punho, dada a fragilidade jurídica do mesmo).

Mas era um resultado esperado. A base desta previsão era o próprio processo de financiamento das eleições. Mas especificamente a influência do poder financeiro nos resultados das mesmas. E onde nasce tal coisa.

Primeiro saiba-se que isso ocorre em todas as sociedades onde há votação em massa para escolha dos dirigentes do Estado. Isso foi uma evolução do comportamento da classe rica para se contrapor à emergência das sociedades do voto universal.

O voto universal é uma grande mobilização do povo. As campanhas eleitorais atingem milhões e custam muito caro e cada nova tecnologia de convencimento, usando as técnicas sofisticadas da propaganda comercial, se volta para o interesse da classe rica.

Mesmo os plebiscitos, as consultas amplas sofrem o efeito do dinheiro privado em seus resultados. Usando as técnicas de propaganda em massa, já tão bem experimentadas desde o século XX, é possível conduzir as escolhas em benefício de certas classes privilegiadas. Para isso se usam de mitos e falsidades para confundir um simples ato, aquele da escolha.

A outra ponta do domínio político da elite é o controle dos partidos políticos, por meio de prepostos ou diretamente. Como a lista de candidatos já sai pronta dos partidos, as escolhas já se reduzem aí. De modo que após passar a barreira pesada dos “dirigentes partidários”, as opções populares vão se desgastar no financiamento das campanhas.

Por isso o Congresso Nacional e o Senado são conservadores, formado por bancadas de interesse e por milionários representantes de certos segmentos. É um Congresso formado por representantes de classe, que não aceitam políticas sociais e de interesse da maioria, que é, contraditoriamente, quem os pôs lá.

Quando falarem em Eduardo Cunha e Renan Calheiros, lembrem-se de Luiz Eduardo, de Severino Cavalcanti, este em pleno governo Lula deu um troco no governo, sendo eleito pelo baixo clero. Agora é o que se sabe: Eduardo Cunha e Renan são presidentes do outro poder e a negociação vai ser por aí. Como foi com o STF que compõe o terceiro governo. Não tem novidade, é a mesma coisa, de modo inamistoso ou negociado.

Agora onde a repercussão maior acontece não é no governo. Este, como é um intervalo no tempo, até pode usar estes personagens para justificar suas acomodações. Afinal o PT não é um partido revolucionário e nem de um governo também revolucionário.

A diferença é para a sociedade e sua agenda política: autonomia nacional, meio ambiente, fonte energética e de matérias primas, distribuição de renda, emprego e renda, qualidade de vida nas cidades e no campo, liberdade de opinião e diversidade de meios para isso, liberdade na base de comunicação interpessoal (internet), maior valor coletivo e redução do valor privado a apenas as pessoas e suas necessidades. Entre outras questões.

Esta agenda continua a mesma de antes das eleições. Ela é imperativa para o destino das gerações. Para um projeto de sociedade solidária, participativa e capaz de mobilizar seus conhecimentos. Essa é a agenda principal.

E não podemos esquecer que as técnicas de manipulação estão em plena ação: controle das informações, vigilância das pessoas e dos comportamentos, contrainformações para desacreditar a agenda coletiva, sabotagem e assim por diante. Só isso explica porque pessoas tão bem formadas em termos de educação, sejam capazes de reproduzir tanta bobagem.

Uma das tabulas rasas mais intensas deste momento são as redes sociais. Ali se preparam verdadeiras forças (o Exército Inglês, Israelense, entre outros têm equipes para fazer a guerra no Facebook) para criar climas, convicções e posições infladas como um saco de papel cheio de ar. Isso corre solto no nosso dia-a-dia. Pessoas com formação em contabilidade, experiência em empresa é capaz de aceitar na conta da corrupção toda aquela história dos 88 bilhões da Petrobrás.

Mas isso não é de agora. A técnica de levar as pessoas a imaginarem que toda a origem dos seus problemas é da corrupção é antiga e fonte da perseguição aos judeus pelos nazistas alemães, de perseguição religiosas, de grupos e assim por diante. É uma verdadeira troca da parte pelo todo.

Ou alguém em sã consciência não sabe que a maior de todas as corrupções se encontra nas manipulações de preços, no ganho exorbitante dos que acumularam capital e especulam no mercado financeiro, no enriquecimento sem causa e assim por diante. O sistema capitalista já era inerentemente corrupto, mas sua ganância (inerente) exacerbou a sua corrupção e a maior evidência são as novas tecnologias da era digital e o mercado financeiro.


É nesse sistema de exploração (novas tecnologia .com e financeiro) que o Império Americano pretende eternizar-se. Pelo menos no tempo das próximas gerações. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Beco das Garrafas, em Copacabana, Bottles Bar, a partir das 20 horas até a meia noite, domingo 25 de janeiro de 2015. Primeiro esqueça as facilidades da modernidade: nada de comprar ingressos na internet, sem assentos marcados, os primeiros quarenta têm cadeiras e mesas e outro tanto fica em pé, pelo bar ou ao fundo do pequeno salão.

Um pequeno palco com uma grande foto emoldura de Durval Ferreira posando com o violão à frene. Para sentarmo-nos chegamos ao beco por volta das 18 horas. Com isso fomos os primeiros da fila. Nos dão comandas numeradas e ficamos andando ali pela Atlântica enquanto a hora chegasse.

Abriu a porta da boate, entramos, e ficamos os seis (o tanto do nosso grupo) bem colados ao pequeno palco. Assim como ficássemos nas cadeiras juntos a grupos de amigos que resolvem fazer uma noitada de música. A distância entre nós e o palco era o suficiente para a passagem do garçom. A prestação do serviço é sofrível. Os preços não são exploradores.

Agora vem o lado especial. Não é um show, com produção especial, talvez como Miele e Bôscoli fizeram no passado. Mas diante de tantos espetáculos de luz, som e efeitos especiais que tornam os ouvintes em alvo passivo ou controlado pelos do palco, é um alívio ser parte do show. Está ali como sentados na sala de casa com todos eles.

E tem mais. É uma noite de artistas. Tantos foram os que passaram pelo palco. Com os instrumentos trocando de mãos, uma nata de jovens músicos na percussão, no teclado, no baixo, ao violão, no trompete, até na flauta transversa. E nesses momentos eles não apenas querem se mostrar para o público, como desejam um diálogo artístico com seus pares. Um diálogo de arranjos, improvisos, de tocar no perfeito modo intimista e o outro compreender e responder perfeitamente.

Paulinho Trompete, que fez parte de vários grupos (Ed Lincoln, Lafayette, Som 7 etc.), tocou em clubes pelo mundo (Olympia de Paris, Carnegie Hall) e atuou com muitas estrelas da música instrumental (Dizzy Gillespie, Ray Charles, Chet Baker etc.) entrou no palco e arrasou.

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Lá pelas tantas a Amanda, filha do Durval Ferreira canta algumas canções e chama o Billynho (filho do Billy Blanco) ao palco. Ele canta algumas canções, inclusive de recordações de sua infância nos EUA. Lá pelas tantas ele conta que uma vez Dolores Duran chegou para o Billy Blanco e contou que todas as noites ela tinha um fã que ia onde ela estivesse no Beco, mas tinha um detalhe, ele não a cumprimentava e sentava-se de costas para ela. Ela pensava que fosse por ela ser mulata. Disse que ele ficava até terminar a performance dela, pedia uma comida para viagem, quando a quentinha estava embrulhada sobre a mesa, ele saia, deixando o embrulho para trás. Com pouco o motorista dele vinha, pegava o embrulho e ia embora.  

E Billynho cantou esta "A Banca do Distinto", composição de Billy Blanco, uma resposta ao “nobre” que não dá mão a pobre.

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Durante o show, a noite virou, e Leny Andrade comemorou seu aniversário. Leny o tempo todo intervia, falava, contava histórias, brincava com o João Donato, como o Paulinho Trompete. Todo aquele pessoal efetivamente atinge um êxtase com a música.

Leny vem ao palco, domina a casa e canta várias músicas. Quando cantava “Até Quem Sabe
” ela chamou João Donato ao palco que passou a acompanha-la no teclado. É que você verá abaixo, com um som sofrível, pois gravado por um celular.

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Saímos felizes, mais de meia noite pelas ruas de Copacabana. Terminamos o programa comendo um sanduíche no Cervantes, na Prado Júnior. Aí, de volta para casa, com o domínio da vida. 

Geraldo Junior e Beto Lemos - O Brasil de JACKSON DO PANDEIRO (chamada CCBB DF)

domingo, 1 de fevereiro de 2015

BECO DAS GARRAFAS - José do Vale Pinheiro Feitosa

E por falar em cultura. Não esqueço minhas origens, mas nelas se fixam a grande música do Rio de Janeiro. Mais especificamente da cidade do Rio de Janeiro. Entre as quais, não a única, mais pelo tema da postagem, se encontra a Bossa Nova.

Há mais de quarenta anos de Rio de Janeiro, vivendo na Zona Sul, e ainda não tinha ido até o Beco das Garrafas, até mesmo por curiosidade. Quando aqui cheguei a Bossa já não atraia tanta gente aos seus locais de expressão. O Beco ainda existia, mas já não fazia público. O espetáculo estava em outros locais.

O Beco das Garrafas, para acrescentar alguma informação, é um espaço entre prédios na Rua Duvivier em Copacabana. De um lado fica um grande edifício e do outro havia algo em torno de quatro bares que se transformaram em boates. Para completar: na região dos postos 1 e 2 era um perímetro pleno de boates, night club, restaurantes e inferninhos.

O pessoal ficava nos bares até tarde. Tocando e cantando e falando alto. O pessoal dos prédios, querendo dormir, jogava garrafas em protesto. Daí veio o nome do beco. Ali onde as garrafas se estilhaçavam, outras garrafas foram sopradas sobre a forma de pistas e palco. O palco da Bossa Nova.
Todos os grandes nomes passaram naquelas boates. Todas bem pequenas. Era o espaço exíguo e contíguo da música e dos músicos, dos músicos e dos ouvintes. Na verdade em menos de 100 metros de rua, existiam três casas noturnas: Little Club, Bacará e Bottles.

No Littles Club, Dolores Duran estreou e ali se tornou um grande e curto sucesso. Nas boates do Beco, Miele e Ronaldo Bôscoli produziram pequenos shows que os projetaram nacionalmente. Além de Dolores Duran, passaram pelas boates do Beco das Garrafas a Elis Regina, Nara Leão, Sylvinha Telles, Claudette Soares, Jorge Ben, Marisa Gata Mansa, Doris Monteiro, Wilson Simonal, Alaíde Costa, Pery Ribeiro, Leny Andrade, Sérgio Mendes, Baden Powell, Airto Moreira, Johnny Alf, Hélcio Milito, Chico Batera, Wilson das Neves, Durval Ferreira, Dom Um Romão, Paulo Moura, Trio Bossa Três composto por Luiz Carlos Vinhas, Edson Machado e Tião Neto.

Agora, retornando ao presente. Há uma semana, domingo que passou, 25 de janeiro de 2015, atiramos no escuro e acertamos no alvo. Isso pelo impulso guardado que precisava se realizar. A filha de Durval Ferreira, nascida, criada e com talento musical viveu e vive no centro dos músicos cariocas do estilo instrumental, bossa nova, samba canção e da geração MPB.

Juntou-se a outros e reabriram o Bottles Bar e mais a Bacará. E todos os dias da semana, sem folga, tem algo acontecendo no palco das duas pequenas boates. Tem de tudo, de chorinho ao instrumental brasileiro de linhagem jazzística. À Bossa Nova, ao clássico da MPB, samba e por aí vai. Mas tudo é Brasil. Pode ter influência, mas é Brasil.

E por que acertamos no Alvo? Era noite comemorativa da Bossa Nova.  A Amanda Braga (filha do Durval Ferreira) e a Bottles, atraiu uma grei de músicos mais jovens e da melhor estirpe. E junto a eles quatro clássicos: Leny Andrade, João Donato, o Billynho (filho do Billy Blanco) e o Márcio Lott.

O resto fica para amanhã. Tem algumas fotos. Imagens em movimento de qualidade amadora. E mais narrativa da noite.