TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Pra quem estiver no Rio


E o poeta/escritor/professor/conspira Sandro Ornellas estará presente na PRIMAVERA DOS LIVROS, no Rio de Janeiro. Clique aqui, no site da Feira. Ele vai lançar o livro e vai ler também uns poemas. Vai ser sábado, amanhã. Dia 01/12.

O evento vai rolar no Museu da República (Rua do Catete, 153 - Catete), de 29/11 (quinta-feira) a 02/12 (domingo). Das 10:00 às 22:00.

Glu-Glu


Gudevaldo Pereira aposentara-se pras bandas da capital, onde exercera por mais de trinta anos as funções de delegado. Homenzarrão corpulento, um verdadeiro varapau, de cara própria para fazer cobranças, o velho Pereira voltara para Matozinho, após reformado. Zoadava pelos cantos, berrava nas esquinas e nas rodinhas de bar Gudevaldo costumava dar a última palavra. Conhecia malaca de longe, bastava um simples olhar : nunca dava bote perdido. Cabra com boné cobrindo os olhos, aquele andado molejante , os braços balançando atrás dos quadris como um pêndulo, desconfiado , com medo de sugesta, não tinha erro : pode abordar que tem coisa ! Assim nosso ex-delegado gostava de passar toda manhã pela delegacia, onde dava suas aulinhas e, também, tomava ciências das últimas presepadas da vila. O delegado em exercício o aturava a duras penas , Gudevaldo tinha mania de meter a colher de pau nas investigações e o bedelho nos depoimentos. Possuía, no entanto, uma qualidade que o fazia tolerável: sempre se mostrara extremamente corporativista e defendia a instituição policial com unhas e dentes. Por mais de uma vez andou quebrando cara de gente que insinuava algum desvio por parte dos seus pares. Colega de Pereira só tinha defeito quando a conversa se fazia entre policiais. Do lado de fora se tornavam todos ilibados, de conduta retilínea. Qualquer crítica à instituição, o velho Gudevaldo absorvia ,imediatamente, para si e saltava com um quente e dois fervendo. E tome pesqueiro no tronco da orelha. Havia ainda um epíteto que o levava às raias da loucura. Puxava faca e gatilho de berro se lhe chamassem de Glugludevaldo. Donde surgiu este apelido tão estranho? Vamos por partes.
Suas vaidades se atinham, basicamente , à vida profissional. Gostava de propalar suas espertezas e seu tino para desvendar os crimes mais intrincados. Enveredando neste assunto , levava horas e mais horas contando proezas que encheriam de inveja Sherlock Holmes.
--- De uma coisa de orgulho, nunca ninguém me fez de abestado , de Zé Mané !
No mais levava uma vida de missionário. A única exceção: um longo capote que Gudevaldo usava nas ocasiões mais especiais, como uma espécie de sobretudo. Ali colocava um broche vistoso da Polícia Militar e algumas medalhas que terminou por ir auferindo ao longo da sua atividade. Metido no capotão, o velho adquiria um ar nobiliárquico, falava de forma mais pausada e solene. E não cansava de lembrar, periodicamente, o quanto lhe custara aquela indumentária: os olhos da cara , meus amigos ! Dinheiro que gente besta não conta ! Dava pra comprar gado de se emparelhar daqui até Bertioga !
Pois bem, de tanto brotar pelos cantos e contar vantagem, Gudevaldo terminou encontrando a tampa. Um belo dia, o velho , vindo de uma reunião da Maçonaria, entonado no seu capotão, encontrou, uns meninos jogando peteca no patamar da igreja. O ex-delegado entendeu aquilo como uma afronta a Santa Genoveva, a padroeira da cidade e, depois de uns supapos e currulepes nos jogadores, dissolveu a brincadeira. Os moleques , à noite, passaram a comentar a arrogância do militar e como se vingariam do pavoneamento de Gudevaldo. Todos concordaram que a melhor maneira seria enganá-lo, armar uma pegadinha para o “cagador-de-goma”. Mas quem diabos teria coragem de botar o sino no gato ? De repente, , um guri esperto, de uns dez anos, apelidado de “Trocadim” , apostou com os colegas, que seria capaz de enrolar o farofeiro. Os amigos então concordaram em pagar durante todo o ano suas mariolas, seus quebra-queixos e passa-raivas, desde que ele conseguisse engabelar Gudevaldo.No outro dia, cedinho, “Trocadim” pegou um peru no quintal casa e pôs-se a pastorar a casa do delegado, de longe, com o bicho debaixo dos braço, esperando a saída do homem. Quando Gudevaldo ganhou o mundo, o menino esperou mais ou menos uma hora e, depois, aproximou-se da casa e bateu na porta. Atendeu D. Federalina, a mulher de Pereira. O menino, então, desenrolado, explicou:
---- Minha senhora, o Coronel Gudevaldo mandou este peru que deram a ele. Mandou dizer, também, que não vem almoçar, porque vai acompanhar uns depoimentos lá em Bertioga. Disse para a Sebhora mandar o capote dele por mim.
D Federalina, de posse do peru, achou a história do menino muito aprumada. Entrou em casa, pegou o capote, colocou em uma bolsa e disse ao menino para levar com todo cuidado a vestimenta de guerra do delegado. Rápido, “Trocadim” levou a prenda para os colegas que o esperavam num lugar pré-determinado: no sopé Serra do Carneiros. Quando Trocadim por lá chegou os meninos não acreditaram como ele havia conseguido a proeza. Felizes , o parabenizaram por ter ganho a aposta. Ele porém informou que o trabalho custara mais do que pensara, pois teve que dar um peru e negociou com os colegas mais um ano de quitutes grátis, por conta dos gastos adicionais. Disse ,ainda, que a pendenga não estava concluída e precisaria voltar.
Neste ínterim, Gudevaldo chega a casa e, ante a surpresa da esposa, pede que esta ponha logo o almoço à mesa, pois a fome era canina. Federalina explica , então, que não compreende, porque há pouco ele havia mandado avisar por um menino que não almoçaria em casa e enviara até um peru por ele. E ela, conforme solicitação, inclusive havia enviado, pelo moleque, o capote famoso, para a audiência em Bertioga. O velho, matreiro, compreendeu toda tramóia, num átimo: havia sido roubado. Ainda disse uns impropérios à mulher, zuadou e partiu para a delegacia para dar parte do roubo. Em lá chegando, aprontou um verdadeiro teatro e disse aos colegas policiais que o capote para ele era uma espécie de símbolo da sua fantástica carreira militar e que pegar o ladrãozinho que a afanou era uma questão de honra , pois aquilo se tratava de uma espécie de crime de lesa-M atozinho.
Enquanto Gudevaldo armava o barraco na delegacia, “Trocadim” colocou um bonezinho na cabeça e voltou à casa do homem. Bateu novamente na porta e, quando D. Federalina atendeu, ele explicou:
--- Sá Dona, o Coronel mandou eu vir aqui, pois eles já pegaram o ladrão do casaco, ele pediu para a senhora mandar o peru por mim, pra poder resolver a questão do roubo.
D. Federalina entregou o bicho e “Trocadim” desapareceu em procura da Serra dos Carneiros. E desde esta época, o coitado do ex-delegado passou a ser conhecido, para seu desespero, como “Glugludevaldo”.

J. Flávio Vieira

Memória dos festivais da canção do Cariri comprova tropicalismo regional

O Colóquio Tropicalismo no Cariri?, acontecido na noite de ontem, 29, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Juazeiro do Norte, respondeu afirmativamente a resposta proposta.
Sim!, repercutiu intensamente no Cariri, na década de 1970, os ecos do polêmico e genial manifesto estético-musical lançado pelo mais criativo núcleo baiano da incendiária conjuntura cultural do Brasil sessenta (Caetano, Gil, Capinan, Tom Zé, Gal, Rogério Duarte; mas, com uma grande ajuda dos amigos Hélio Oiticica, Rogério Duprat, Torquato Neto, Nara Leão e Os Mutantes).
O Colóquio teve como debatedores Luiz Carlos Salatiel, Abdoral Jamacaru e José Flávio Vieira – hoje, todos conhecidos pelo trabalho consistente que vêm realizando ao longo das últimas quatro décadas, mas que foram projetados como compositores e-ou intérpretes nos famigerados festivais da canção do Cariri. O professor Roberto Marques, da URCA, autor de um livro sobre o tema, fez a abertura do debate.
O colóquio inaugurou o mais novo programa do CCBNB-Cariri, o Museu Vivo, que segundo o coordenador Anastácio Braga, pretende ser um espaço de discussão sobre questões pertinentes à cultura caririense, que estejam ainda merecendo uma análise e decodificação da sua importância para a formatação do atual cenário regional.
O ambiente, por demais aconchegante, proporcionou uma noite histórica, pelo menos para aqueles que têm uma salutar curiosidade sobre a história recente dos movimentos culturais caririenses e, principalmente, àqueles que têm laços de afetividade para com este evento que ainda hoje é lembrado como o mais relevante e propiciador acontecimento para a definição do Cariri como uma espaço eclético de musicalidade e contextos artísticos diversos, que foi o Festival Regional da Canção.
Para Luiz Carlos Salatiel, os festivais, a partir da qualidade das produções elaboradas na região e pela liberdade com a qual se manifestaram os artista locais, é um exemplo da sincronicidade do Cariri com o mundo.
De maneira, muito mais inconsciente do que previamente formulada, os artistas caririenses estavam antenados com o que acontecia na aldeia global, fazendo repercutir aqui todo o caldeirão efervescente que explodia em vários lugares do planeta.
O Colóquio deixou claro uma verdade: o Cariri faz parte dessa aldeia global, pois traz na sua tradição um sentimento varguardista, típico dos locais predestinados a serem locus privilegiado da história.

Blandino, Zé Flávio, Salatiel, Stênio Diniz, Abdoral e Roberto Marques

FOLDER GEOPARK ARARIPE



Cachoeira de Missão Velha - 7 Geotope Devoniano


Situa-se a 4 km da cidade de Missão Velha, próxima à ponte sobre o Rio Salgado, na rodovia que liga o município à cidade de Aurora. É um afloramento da Formação Cariri, com paisagem exuberante, rochas sedimentares de grandes dimensões, cachoeiras e vegetação de grande porte.


Foto: Jackson Bantim Bola.

carta pro papai...


Quarenta e dois anos sendo enganado... Pior: deixando-me enganar, dando voz e vida a um personagem cretino, mentiroso e um grandessíssimo filho da puta. Fico imaginando quantas vezes, quando garoto, escrevi com minha letra torta “querido papai Noel, ano passado não deu né? Será que minha bicicleta sai esse ano?”. Eu acho que você tinha se mudado, minhas cartas nunca foram atendidas. Um dia, pedi um carro vermelho. Um vizinho ganhou o tal carro, quis tomar dele. Disse que o presente era meu, que você tinha errado o endereço. Apanhei feio... Do menino e depois da minha mãe. “Você quer ser o quê? LADRÃO?!”. Eu disse que tinha pedido o carro, e ela me olhou com seus olhos de dizer verdades doloridas e disse: - deixe de ser burro! Papai Noel sou eu, sua vó, suas tias! “Você já ta bem grandinho pra acreditar em história de trancoso.” A ficha caiu. Eu caí. E todos os natais ficava olhando os garotos, namorando vitrines, com uma vontade imensa de gritar: acordem seus merdinhas. Esse velho é uma farsa! Calei. De certa forma fui cúmplice: hoje, faço pesquisa de preços de brinquedos. Tenho duas filhas que acham que o bom velhinho vai se lembrar delas, que foram boas, que estudaram e tal. Você é um escroto seu velho nojento! Você e seus veadinhos com nomes difíceis, suas renas estúpidas bebedoras de coca cola. Quero lhe comunicar uma coisa seu monte de estrume vestido de vermelho: a ilusão acaba esse ano. Vou levar minhas filhas comigo pra comprar os presentes. Vou dizer da inexistência de duendes e do “bom velhinho”, vou dizer que os bons velhinhos estão no asilo, ou nas filas dos hospitais. Vou dizer que uma menina foi presa junto com um monte de homens. Vou dizer que o presidente do senado é um ladrão. Enfim, vou comemorar o natal na páscoa. E a páscoa no carnaval. O carnaval vou comemorar em finados. E sempre, em todos os lugares, vou cuspir na sua imagem balofa e miserável. No natal? Vou cantar garotos podres em vez de jingle Bell.
“Papai Noel filho da puta rejeita os miseráveis, eu quero matá-lo! Porco capitalista! Presenteia os ricos, rejeita os pobres” (garotos podres.).

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Bloquinho de Poesias

Alguém,
uma boa alma viu
meu bloquinho de poesias?
Não sei bem se perdi
nos canteiros da Sé
ou sob os pedregulhos do Afeganistão.
Sei que meu bolso amanheceu vazio.
Apenas cigarros amassados e oito números.
Meus irmãos,
dentre vós lúcidos
alguém pode me guiar os passos?
Só desejo encontrar meu bloquinho de poesias.
Sei que muitas idéias, cores, névoas
trazia eu há pouco.
Juro que não bebi das caipirinhas de Blandino.
Mas nunca esqueci aquela de cravo.
Meus irmãos de pele e de penúria
acudi meu coração neurastênico!
Devo dormir.
Amanhã é dia de caça.
Envenenar larvas do mosquito da dengue.
Mas onde,
onde jaz meu bloquinho de poesias?

O Machista



- Quantas vezes eu vou precisar repetir que eu odeio quando você bebe?
- Por que você odeia quando eu bebo? Eu bebo tão pouquinho... Pior é você que toda sexta-feira enche o pote com seus amigos e eu não falo nada.
- Mas você não sabe beber, aliás, nenhuma mulher sabe beber, começa logo a querer fazer escândalo, subir na mesa, tirar a roupa...
- Meu amor, alguma vez você me viu fazendo isso?
- Nunca fez porque eu não deixo você beber, porque se eu deixasse correr frouxo...
- Nunca imaginei que você fosse ser tão machista...
- Machista, eu?
- Claro, ou você tem outro nome para isso?
- Sou apenas realista, cuido do que é meu.
- Há 10 anos que você fala isso, mas na verdade você é o homem mais machista que eu já conheci! Por acaso você ainda se lembra do que você me disse quando eu me matriculei na faculdade?
- Lá vem você com essa sua memória...
- Você me disse: (imitando a voz do marido)”Não sei pra que você quer diploma de nível superior, pra pendurar na parede da cozinha?”
- Eu disse isso?
- Disse!
- E não é verdade? Tanto eu tinha razão que você trancou a bendita daquela faculdade...
- Você me chantagiou! Disse que eu não teria tempo para dar atenção aos nossos filhos, que eles iriam crescer revoltados com a “ausência” da mãe. E olha que a gente nem tinha filhos ainda... Acabou que você conseguiu o que queria: Eu me senti culpada e larguei tudo... Seu machista!
- Sua mãe concordava comigo.
- Minha mãe morria de medo que eu “ficasse pra titia”, falava que mulher depois dos 30 nenhum homem quer...
- Dona Esmeraldina era uma sábia...
- Seu machista, eu não agüento mais você, pede a conta que eu não quero ficar mais nem um minuto nesse lugar!Algumas semanas mais tarde, a mesma mulher, em animada conversa com as amigas:
- Meninas, estou cada vez mais apaixonada!
- Que felicidade hein! Nem parece que você já tem mais de 10 anos de casada!
- É verdade... mas o meu marido é o homem mais maravilhoso do mundo!
- Que tal um chopinho pra comemorarmos a sua felicidade?
- Nem pensar, meu marido detesta que eu beba!
- Deixa de ser boba, depois você compra uma balinha de hortelã e ele não vai nem reparar que você bebeu...
- Acho melhor não...
- Não acredito que você vai permitir que ele mande em você desse jeito!
- E você queria que ele mandasse em quem? Para mim, homem que é homem tem que mandar na mulher, tem que ser machista! Eu adoro homens machistas...

Adenor de Andrade - amigo carioca que ama quando eu posto os textos dele aqui.
(Amanda, essa é para você)

Espelhos

Digo que poeta não tem ego
mas seu umbigo
abismo profundo
purificado pela solidão.
Digo que poeta não tem medo
mas seu revólver
opaco,
pólvora molhada,
festim ao vento.
Digo que poeta eterno
mas o andar trôpego
tábua solta,
cadafalso,
guilhotina.
Digo que o poeta ainda respira
roubando oxigênio das árvores asmáticas.

I

Para onde tantas almas.
Espírito não ocupa espaço.
Mas para onde tantas almas.
Como explicar aos ossos
a tenra volúpia da carne.






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Afinal, para que serve a imprensa?

por Armando Lopes Rafael

A imprensa não tem finalidade meramente informativa. Ela possui, também, uma função cultural e até educacional. Alguns órgãos da mídia, felizmente, vêm cumprindo, entre nós, esses papéis. Seja restabelecendo a verdade dos fatos, seja divulgando noções da história. A imprensa – chamada de quarto poder – é um serviço de utilidade pública. O jornalista é um formador de opinião. Assim, sua responsabilidade não se limita a descrever o que se passa na sociedade. Tem o dever de contribuir para melhorá-la.

Dito isto, utilizo este artigo para fazer uma homenagem à revista Veja, a qual, ao longo de quase 40 anos, vem cumprindo o papel da verdadeira imprensa. Veja opôs-se ao regime autoritário militar (entre o final da década 60 a meados da década 80); foi responsável pela divulgação da entrevista com Pedro Collor (que resultou na queda do governo corrupto do presidente Fernando Collor); fez oposição a algumas iniciativas dos presidentes Itamar Franco e FHC (por isso foi tachada, à época, de “petista”). Agora, vem divulgando os desmandos da canoa furada que é o governo Lula da Silva. E, por isso mesmo, foi acusada de estar a serviço dos tucanos.

Veja divulgou – e vamos citar apenas matérias de capa produzidas neste findante ano 2007 – reportagens como a feita sobre a farsa existente de Che Guevara: a de um guerrilheiro altruísta. E mostrou a face real do “Che”: um sanguinário que se comprazia em presenciar mortes por fuzilamentos; um homem imundo, que não gostava de tomar banho e carregava um cheiro de suor nauseabundo. Um assassino frio, calculista e traiçoeiro. Che Guevara foi, assim, jogado no lixo da história para onde já foram descartadas figuras como Lênin, Fidel Castro, Stalin e Mao Tse Tung.

Outra matéria corajosa – divulgada por Veja – foi sobre Hugo Chávez, na qual mostrou que o desequilibrado líder venezuelano (novo ícone das esquerdas latino-americanas) está levando seu país à derrocada econômica, além de ali implantar uma ditadura arcaica, inspirada no modelo cubano.

Por fim citaria outra matéria de imensa repercussão feita por Veja: a reportagem sobre o legado do Imperador Dom Pedro II para a tradição democrática no Brasil. Dom Pedro II, mesmo depois de 116 anos da sua morte, ainda é apontado como uma personalidade exemplar na arte de bem governar, na defesa da liberdade de expressão, na tolerância e no amor pelo saber. Graças a sua visão de Estadista, o Brasil mereceu – em pleno século XIX - o respeito das demais nações do mundo que o admiravam por sua cultura privilegiada e o preparo que possuía para o exercício do poder.

Que falta faz Dom Pedro II ao Brasil dos medíocres dias de hoje...

Pretensos candidatos a Prefeito

Pedro Esmeraldo

Aproximam-se as eleições municipais. Uma avalanche de candidatos enche as ruas almejando ser Prefeito. Infelizmente, a maioria deles não está preparada para exercer o cargo tão elevado e espinhoso. Há deles incipientes, perdem-se na obscuridade, prejudicam o bom andamento no seu desempenho, partem para a maldade, as subserviências; deixam de lado os problemas do povo para resolver somente os seus.

Não há planejamento, não sabem escolher os seus secretários. Não têm organizações programadas para fazer o trabalho de sobrevivência. O seu desempenho é pífio, acomodam-se na resignação. Não oferecem nada de bom ao povo da cidade, atos indecorosos, pois, em pleno século XXI, o Crato anda em marcha lenta, perdido na poeira dos tempos. Enganam o povo constantemente com mentiras desvairadas, escondendo a realidade dos fatos. Urge, o tempo voa, é preciso avançar e nunca recuar.

Não sabemos por qual motivo esse povo desorientado acredita nas palavras inócuas desses homens inconseqüentes, alguns deles com falta de honestidade. Com certeza, não têm capacidade de administrar os destinos da cidade, mas querem, a todo custo, andar sem entusiasmo, a ver navios, perdidos sem nada poder fazer. Ao nosso ver, devem orientar o povo no processo de escolha de seus candidatos, vasculhando a vida pregressa de cada um, escolhendo o que há de melhor, com bom comportamento.

Todos merecem respeito até ser provado o contrário. Devemos observar os seus desempenhos no dia-a-dia, convém que todos pensem com segurança e equilíbrio. Primeiramente ouçam a voz do povo, porque a voz do povo é a voz de Deus.

Cratenses, não há tempo a perder. Os anos passam e o Crato vai ficando para trás. Não dêem ouvidos à malandragem, cuidado com os mexericos, pois estão sempre em atividades, pregando a mentira e a discórdia. Certa vez, vi, num livro de português, esses dizeres: “Aquele que decide parar, esperando que as coisas melhorem, verá, mais tarde, que aquele que nunca parou e colaborou com o tempo estará tão adiante que jamais poderá ser alcançado.” Por isso alertamos não colaborar com o tempo, vamos em frente, pois com o trabalho e luta alcançaremos o que desejamos.

Crato CE, 29 de novembro de 2007.

Enfrentando o desafio

Pedro Esmeraldo

Situada no Sul do Ceará, Crato foi o berço da civilização e do Progresso do Cariri. Possuidora de uma Juventude vibrante, participou da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador (1824), perdeu seus ilustres filhos. Foi o berço do patriotismo e da cultura regional. Cobriu de saber a região Centro Nordestina, que serviu de elo com tendências de expandir os movimentos de artes, cultivando conhecimentos culturais. Após a construção do Seminário São José, fez-se alargar conhecimento, tornando-se uma cidade vibrate e exuberante, distribuindo para toda região largo saber.

Ultimamente, Crato sofre de muita ansiedade causado pelos políticos, às vezes deselegantes e obscuros e incapacitados prejudicam em sua luta desenvolvimentista, afastando o jovem da política local.

Daí em diante, Crato caiu no arrefecimento, seu povo, aparvalhado, afastou-se do caminho reto, deixando-o desgarrado, sofrendo conseqüências inibidoras.

Com sinceridade, deve haver uma reviravolta, afastando-se do quadro político esses homens fracos, despidos de ética e probidade. Com toda certeza o povo irá compreender e enfrentar novos caminhos, com jovens eficientes, compreensíveis, imbuídas de responsabilidade e o desejo de trabalhar pelo bem comum. Para isso, é precisa luta e união entre os políticos, essa disparidade tem de acabar com essas desavenças, deixando de lado a intriga, a perfídia e a calúnia. Nota-se que hoje em dia, na Câmara de Vereadores, não há oposição, mas há intrigas, o que se torna um erro, pois todos ficam acomodados, meneando a cabeça, dizendo sim, sim senhor. Está na hora de haver uma revolução cultural, moral e de se trabalhar pela sua terra do que entregar facilmente ouro aos bandidos. Já chega de tanto comodismo e partam para a luta.

O Crato deve recuperar os seus bens patrimoniais, já que precisa de mais dedicação mútua e aproximar as forças vivas, com debater e coragem, procurando melhores condições para solucionar questões que sejam favoráveis e dignas de melhores encômios, com agilidade e rapidez, reabrindo caminho com novos movimentos e determinação. Deve-se recuperar os tempos áureos e com esperança reconquistar as lideranças política e econômica.

Por essa razão deve-se enfrentar com dificuldades esses desafio, com muita luta e trabalho.

Crato CE, 19 de novembro de 2007

A TROPA SE ALIA.


A idéia é histórica. Os nazistas a tiveram como prática política central. Os adversários são inimigos e os inimigos devem ser eliminados. Por isso mesmo era uma ideologia política tão antidemocrática. Os inimigos evoluem no processo, começaram com os comunistas, depois certos grupos de comportamento, em seguida atingiu certos grupos étnicos e depois os liberais. Para cada inimigo há uma razão estratégica e uma tática apropriada para combatê-los. Porém o eixo que mais caracterizou o nazifascismo como luta ideológica e regimes de governo pervertidos, foi sempre a tendência a eliminar os inimigos, excluir os adversários.

Antes que me ponha de modo unilateral relembro as grandes questões revolucionárias desde o século XVII. A revolução inglesa, especialmente com Crommel, foi regicida, autoritária e perseguiu os inimigos da mesma como forças a serem eliminadas. A revolução francesa, então, especialmente na efervescência dos jacobinos, no período do terror, foi de uma violência humana nas raias de voltar-se contra os próprios líderes jacobinos, afinal Robespierre também terminou na forca (as guerras napoleônicas arrasaram gerações). A revolução russa, já no século XX foi uma revolução de grandes conflitos humanos, enormes impactos da ação revolucionária sobre os inimigos da revolução.

No entanto, encontro uma diferença nos dois tipos de violência. A revolucionária ocorre no contexto de enormes conflitos de classes e de esgotamentos de regimes políticos, enquanto o tipo de violência do nazismo (que pode ser tratado igualmente no século XX com os expurgos de Stalin, o impacto social em mortes da grande depressão dos anos 30, os regimes revolucionários em diversos países mais periféricos ao centro industrial) é a mera violência da hegemonia do poder, de natureza não revolucionária, conservadora, buscando reduzir os beneficiários ou adversários do modo de gerir o bem público.

Hoje na coluna do Veríssimo ele aborda exatamente como nos centros urbanos as fronteiras entre as pessoas desapareceram. Os bem aquinhoados em renda se encontram em permanente contato com os que vivem no limite da sobrevivência. Este contato é gerador de conflito de classes, sem muita consciência de grupo, mas já com relativa intolerância em diversos termos: territorial, tipo físico, posturas, roupas e comportamentos. A classe média clean, moderna, que fala outras línguas, tem MBA, carrão, um sonho em Miami, - estou caricaturando apenas – vê os territórios de favelas como território inimigo, não gosta de negros e mulatos, de como se vestem, de suas tranças no cabelo e odeiam a música dos morros (hoje até dança, nalguma Rave um Funk, mas o estilo quando no morro causa asco).

A primeira vez que no pós-guerra, a era da social-democracia, do Keynisienismo econômico, dos direitos humanos e sociais, eu vi falar em população excludente, foi num artigo do atual prefeito do Rio, César Maia, no início dos anos 90. A diferença era sutil: os democratas brasileiros lutavam por uma sociedade justa, um momento em que as populações excluídas de renda e vida social fossem recuperadas e ao final o Brasil tivesse uma sociedade mais equilibrada. Mas o artigo do César, no contexto do neoliberalismo dos anos 90, revelava que no mercado havia um lixo humano irrecuperável. Um lixo humano sem solução humanística, sem possibilidades econômicas, culturais e sociais. Não disse o César, mas o não dito aterrorizava com a imagem dos fornos crematórios nazistas, que afinal é o símbolo para a eliminação física do "lixo humano".

Esse pensamento sempre existiu ideologicamente em algumas pessoas, mas tem sido minoritário. No entanto, no espaço livre da Internet, seja por e-mails, por artigos e Power Points, por artigos de blogs, comunidades de debate e na imprensa oficial se dissemina um tipo de ideologia que pretende construir uma hegemonia nestes termos e isso é muito perigoso. A principal é trabalhar com a ignorância histórica e com temas não explicitados, como se houvesse nexo causal entre eles. Quais os temas este ovo de serpente germina?

O primeiro deles é o dos direitos humanos. A hegemonia deste discurso ocorre principalmente através de agentes policiais que vivem no meio do conflito social. Estas forças que operam na segurança pública operam principalmente e, preferencialmente, contra pobres e territórios em que vivem. Daí o discurso a ele vinculado, aí já por políticos, pensadores e líderes de opinião na imprensa, começa a se transformar em ideologia da exclusão. O outro é dos direitos sociais: saúde, educação, assistência, previdência e seguro desemprego. A matriz se encontra no pagamento de impostos, especialmente pelas classes médias, pois o imposto no país é regressivo, quem ganha mais paga menos. Como a classe média conhece parte do seu quinhão, Imposto de Renda de CPMF, ela é o foco deste tipo de hegemonia. Como se atacam os direitos sociais, por vários modos. Os discursos principais vêm pelo falso dilema entre público e privado; o estado corrupto, o funcionalismo marajá, o ataque à política e aos políticos e agora o parasitismo social dos mais pobres. O bolsa família é um bom mote, pois se politizou eleitoralmente à esquerda e, principalmente, à direita.

O que assusta de tudo isso é que hoje, como nos anos trinta a irracionalidade, o ódio focado em alguns, em princípios e pessoas possa retornar como mais uma desgraça demográfica e ambiental. Já ouvi, pasmado, argumentos demográficos, uma guerra é bom para reduzir esta quantidade de gente. Acontece que esta gente é o meu, o teu, os nossos pais, filhos e netos. E o pior de tudo, uma guerra é mais destruidora da natureza de modo direto ou indireto, tanto na ocasião como depois na paz do que se imagina. Uma nova guerra mundial em decorrência de regimes conservadores que excluem, é um suicídio ambiental.

É Hoje: A Voz dos Guerreiros do Cariri - Escola Agrotécnica Federal de Crato - CE

Homenagem à Era do Rádio


Exposição de Rádios Antigos, esquetes teatrais em Homenagem à Antonio Vicelmo, e diversas outras manifestações em saudação à Era do Rádio. Simplesmente Imperdível.


"O Rádio se tornou o primeiro aparelhinho eletrodoméstico com capacidade de conectar às pequeninas e interioranas cidades ao mundo. "O Rádio foi o ovo da Internet."

José Flávio Vieira

Atenção Ouvintes e Profissionais do Rádio! Está no ar: A Voz dos Guerreiros do Cariri - Quem te ouviu, oh não te esqyuece mais ! projeto intercolegial, desenvolvido na escola Agrotécnica federal de Crato-CE e Colégio Wilson Gonçalves.
Antene-se e participe desse evento que ousou adentrar em "outras frequências".

Hoje, dia 29/11/2007
Local: Auditório da Escola Agrotécnica ( Colégio Agrícola )
Horário: 19 Horas

Nossa Programação:

01 - Abertura
02 - esquetes teatrais:

2.1 - A Saga do Guerreiro Wellington Costa
2.2 - O Sonho vital de Henrique Vidal
2.3 - Vicelmo, um retrato fiel da nossa cidade !

03. palavra dos Homenageados.

O.B.S - Haverá exposição de rádios antigos, e painéis pelo Jornalista Huberto cabral e a presença dos grandes profissionais do Rádio da região do Cariri.



Por: Escola Agrotécnica de Crato/ Dihelson Mendonça

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Colóquio : Festivais da Canção do Cariri : Um Tropicalismo Caririense ?




É Hoje !!!!

História do Cinema Mundial


Imagem: Limite (1929), Mário Peixoto

Uma dica aos interessados na Sétima Arte. Estaremos realizando um minicurso sobre história do cinema mundial, nos dias 4, 5, 6 e 7 de dezembro, no Centro Cultural BNB, em Sousa-PB. Abordaremos os principais períodos da historiografia, desde o primeiro cinema (1895-1915), passando pelas vanguardas dos anos 1920 (expressionismo alemão, impressionismo francês, montagem soviética, surrealismo), seguindo pela gramática clássica do cinema griffitiano (americano), chegando no cinema moderno (neo-realismo italiano, nouvelle vague e cinema novo brasileiro), até a discussão de algumas vertentes contemporâneas. Tudo isto acompanhado de muitos trechos de filmes que exibiremos, incluindo as primeiras imagens dos irmãos Lumière e de Georges Méliès, além de material complementar de leitura (textos). A inscrição é gratuita.



Mais informações: CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - SOUSA - Rua Cel. José Gomes de Sá, 07 - Centro Sousa-PB / Fone: (83) 3522-2980 (De terça à sábado, no horário de 13:00 às 21:00) - http://glaucovieira.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

As maiores honrarias do Rio Grande do Sul são entregues à Fundação Casa Grande

Diário do Nordeste - Fortaleza(CE) 28 de novembro de 2007

Empreendedorismo social

Cearense recebe homenagens


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A Casa Grande fará 15 anos em dezembro e atua com projetos nas áreas de comunicação, artes, memória e turismo. (Foto: Gustavo Pellizzon)

Alemberg Quindins recebe, hoje, no Rio Grande do Sul, várias homenagens pelo trabalho social realizado no Cariri

Nova Olinda. O presidente da Fundação Casa Grande, Memorial do Homem Cariri, Alemberg Quindins, no município de Nova Olinda, recebe reconhecimento do Estado do Rio Grande do Sul, com as maiores honrarias do Estado, a Medalha do Mérito Farroupilha, da Assembléia Legislativa; a Comenda Simões Lopes Neto, concedida pelo governo daquele Estado; e Troféu Acorde Brasileiro, oferecida pelo Programa Acorde Brasileiro.

A solenidade de entrega das homenagens acontece na manhã de hoje, no Teatro do Sesc, em Porto Alegre. A abertura do evento conta com a participação de diversos artistas brasileiros. Além de Alemberg Quindins, recebem a homenagem a cantora Inezita Barroso e J.C. Botteselli, de São Paulo, Paixão Côrtes e Ayrton dos Anjos, do Rio Grande do Sul.

A homenagem com a Medalha do Mérito Farroupilha é uma condecoração oferecida pela Assembléia Legislativa do Estado gaúcho para as autoridades que desempenham, com determinação e competência, importantes serviços. A Medalha existe desde 1995 e é a maior distinção do parlamento estadual. Já a Comenda Simões Lopes Neto faz referência ao maior jornalista e escritor regionalista do Rio Grande do Sul. Alemberg também destaca a ligação de Simões com o empreendedorismo social, com a criação de diversos projetos em Pelotas, entre os quais uma fábrica para confecção de materiais de vidro, onde as crianças da cidade de Pelotas estudavam meio expediente, com o objetivo de aprender o domínio de novas tecnologias.

Palestra

O diretor da Fundação Casa Grande fará a palestra de abertura do evento, às 9 horas desta quinta-feira, sobre “Escola de Gestão Cultural das Crianças do Sertão”, na qual fará uma abordagem da instituição, hoje uma das Organizações Não-Governamentais (ONGs), com trabalhos direcionados a crianças e adolescentes, mais bem-sucedidas do Brasil. A Casa Grande fará 15 anos no mês de dezembro e atua com projetos nas áreas de comunicação, artes, memória e turismo. Participam das atividades 70 crianças e adolescentes, do município, meninos do sertão, filhos de agricultores.

Entre os participantes do Programa Acorde Brasileiro estão grupos e artistas renomados de todo o País, como o Quinteto Violado, Luiz Carlos Borges, Vicente Barreto, Nilson Chaves, Carlos Malta, Almir Sater, Renato Borghetti, Lucinha Bastos, entre outros.

Música

Alguns músicos ministrarão palestras com temas relacionados à música regional, música brasileira de raiz, a formação musical, a cadeia produtiva na economia da música, a circulação da música no Brasil e em busca de soluções criativas.

“O importante nisso é a concepção do País como um todo. Não se faz mais um trabalho isolado”, diz Alemberg, ao fazer referência ao reconhecimento do trabalho vindo de um Estado do Sul do Brasil. O presidente da Fundação ainda destaca o compartilhamento de tecnologias humanas. Atualmente, conforme ele, se faz turismo social no Brasil inteiro. Somente ano passado, a Casa Grande teve um fluxo de mais de 28 mil visitantes de várias partes do País e do exterior. “A Fundação não é só um projeto de dimensão nacional. Também mantêm intercâmbio com a África e jovens de instituições da Itália”, ressalta.

Além dessas homenagens, a Casa Grande e Alemberg Quindins já receberam reconhecimentos internacionais na área de empreendedorismo social, com a Fellow Ashowa, de instituição americana, Líder Avina, da Suíça, e a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, como Cavalheiro da Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, no ano de 2004.

Mais informações:
Fundação Casa Grande
Endereço: Avenida Jeremias Pereira, 444 - Centro, Nova Olinda-CE
(88) 3546.1333

Fábula Árabe


Uma sábia e conhecida fábula árabe diz que, certa vez, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho. O adivinho ouviu atentamente o sultão.
- Que desgraça, senhor! – Exclamou o adivinho.
E continuou:
- Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
- Mas que insolente! - Retrucou o sultão. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui.
O sultão chamou os guardas e ordenou que dessem cem chicotadas no adivinho.
Mandou então que trouxessem outro adivinho, e lhe contou sobre o sonho. O segundo adivinho, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:
- Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem chicotadas e a você com cem moedas de ouro.
- Lembra-te meu amigo – respondeu o adivinho – que tudo depende da maneira de dizer.

A árvore frondosa


E se
Desnecessária for
A dor poente operária
Dos serenos arenosos
De respiração difícil
E olhos postiços
As tuas palavras
Petrificadas ficarão
Demarcando amargas
A mortandade dos dias
E a luz suspendida
Tão supremas
Quanto suportadas

E quando as sobras
Se repartirem mais do
Que as sombras
E quando pouco de ti
For esbaldado para
Deixar toda cacimba
Mergulhada em si
E quando flechas
Não te tocarem e mil
Caírem do teu lado
Tudo permanecerá
Tão firme
Quanto fremido

Dizem que eu ando
E as palavras me
Perseguem lavadas
Mas não é verdade
Dizem que eu redobro
O velho preço das
Peles engilhadas
Mas não é verdade
Dizem que eu vasculho
O basculante dos alhures
Em busca do vasto
Tão hirto
Quanto abismado

Sei que depois da
Lâmpada acesa
Criou-se a escuridão
Desvirginada
Sei que depois de
Alexandrina e
Cibele partirem
Criou-se o sorriso
Dos mortos dormindo
E nunca mais vimos
Rodopiando a poeira
Tão grossa
Quanto pesada

E mesmo assim
Quando as cabras
Amassam assíduas
A solidão solene
Com seus berros
De arribação
É fácil perceber
O silêncio se
Desprender de mim
E se recobrir com uma
Camada fina de saudade
Tão poroso
Quanto solícito

E não é apenas
O senhor deus dos
Exércitos que sofre só
As amputações da vitória
Eu mesmo só posso
Ter dois mil cavalos
Se neles puder montar
É assim que o
Chão racha sob
A paz dos meus pés
Emprenhados
Tão sedoso
Quanto cáustico

Das cangalhas que
Dependuradas em pares
De espasmos
Transportam provisões
Arriaram duas mantas
De carne seca que
Não matou a fome
E o sal sozinho
Conservou a saudade
Que Taumaturgo disse
Como profeta ser
Tão pontiaguda
Quanto destinada

Mas não temos
Para onde ir
Eu e minha saudade
Bordada em linho
E o mormaço
Fincado não sobe
Fica emparedado
Tornando a alma
Cheia de pedregulho
E me fadiga
Desenterrar os meses
Tão despossuído
Quanto empoçado

Quase todos
Já se foram de si
Aqui ainda estou eu
Pespontando os teus
Nervos ausentes
Enquanto do alpendre
Os meninos de Letícia
Miram-me com
Peixes azuis
Flutuando no olhar
É um reinado curto
Tão ardiloso
Quanto totalitário

As coisas podiam
Muito bem caberem
Em tuas mãos incontidas
Mas vê bem a estiagem
Por onde já passaram
Tantas agonias
Ela é maior do que
O próprio destino
Com seus dias de glória
E suas nuvens novenas
Orando pelos vivos
Tão esquálida
Quanto impávida

Crespa é minha sorte
Ondulada como
As cercas desse vale
Já esquartejado
Pelo desejo de ter
Mas a mim a desonra
Não tem olhado
Com o seu manto
Acima dos tornozelos
Apenas o sono brilha
Como ferro em marteladas
Tão silente
Quanto calado

Os tijolos aparentes
Dessa velha casa
Já não são tão absortos
Como antigamente
Disse Eleutério
Sem voz e suspenso
Olhando firme
Por sobre meus
Assopros e espantos
Alguns sentados
Nos batentes
Tão denso
Quanto etéreo

Sei que minhas
Unhas crescem e eu
Desejo a noite
Mas ela não vem
Ante tantos dias enfiados
Num rosário de esperas
Enquanto isso
Tateio pregos hirsutos
Para fixar o pleno
Dessa árvore frondosa
Que se ergue
Tão alada
Quanto grávida

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Não conheço o autor deste artigo (que se escondeu sob um pseudônimo) mas, com certeza, ele entende do que escreve. Leiam até o fim e tirem suas conclusões...
Os Segredos de "Tropa de Elite"
por Conde Loppeux de la Villanueva

Um filme brasileiro que está fazendo grande sucesso em relação ao público é "Tropa de Elite", uma história a respeito da violência do Rio de Janeiro, contada por um policial do Batalhão de Operações Especiais da Policia Militar, o BOPE. A intelectualidade de esquerda, chorosa pelos bandidos, detestou o filme. Achou-o "fascista". Vejam a palhaçada: os filhotes de Stálin e Fidel Castro acham o BOPE fascista. É piada? Raro é o cinema brasileiro chamar a atenção do público.

Porém, qual o segredo da popularidade de Tropa de Elite? É simples: os bandidos são vistos como bandidos, os universitários maconheiros que pedem paz nas ruas são cúmplices da violência e a lógica dos Direitos Humanos de apologia do bandido vítima da sociedade é ridicularizada. E o mais interessante: a visão de um policial honesto, embora truculento, do BOPE, consegue ser a mais autêntica expressão da realidade, se comparada à legião de sociólogos, filósofos e acadêmicos que produzem toneladas de papel inútil para falar do que não entendem e nunca conviveram.

O filme não dá uma opinião formada sobre o assunto, não cria estereótipos sobre a polícia. Apenas mostra os fatos e os coloca uma dinâmica em que os personagens decentes se encontram encurralados no caos, na violência e na corrupção. A figura do capitão Nascimento é o que apresenta a própria contradição da polícia, ou seja, a de um homem honesto numa situação de guerra de todos contra todos. Por mais odiosa que seja a tortura, o abuso de poder ou mesmo a violência ilegal contra bandidos, a polícia, naquele caso, segue a lógica do crime que combate: os bandidos também são violentos, arbitrários, tirânicos, frios e torturadores. Por mais errada que nos pareça a ação do capitão, a população aprova seus atos arbitrários, precisamente porque os bandidos também são assim, porque as leis e as instituições brasileiras estão falidas e não alcançam a finalidade de punir o crime.

E quando se vê uma sociedade desamparada, o único jeito que cabe a ela é usar do exercício arbitrário das próprias razões, da autotutela. É a vingança privada contra a impotência. Na verdade, o próprio policial é desamparado: o capitão Nascimento é um cidadão à beira de um ataque de nervos. Daí a entender o porquê da população do Rio de Janeiro ter gostado do filme: os bandidos são satirizados, mostrados como eles são. A polícia não refresca com eles; mata-os, espanca-os, tortura-os, tal como os próprios bandidos fazem contra a população civil honesta. É a lei do talião na ausência de leis formais.

Há um outro aspecto do filme que é a sátira dos movimentos sociais e ong´s que divinizam o bandido. A aula de Michel Foucault, em que uma classe universitária delinqüente e maconheira encontra razões para criminalizar a ação correta da policia de combater o crime, é uma paródia da cumplicidade que tal setor possui para com a bandidagem. Que as universidades sejam umas fábricas de delinqüência, isso está provado historicamente. As ideologias mais assassinas do século XX surgiram desses redutos. A criminalidade romantizada não é diferente. Se o Rio de Janeiro e muitas outras cidades brasileiras estão dominadas pela bandidagem, em parte, é devido aos movimentos sociais e organizações de Direitos humanos que transformaram no criminoso em uma vítima da sociedade. Essa é a lógica que predomina nos meios acadêmicos: o policial é um opressor de classe, um lacaio de um sistema perverso e o bandido é um justiceiro social, um indivíduo que clama contra as mazelas da desigualdade e a indiferença das elites. Na prática, contudo, a pior indiferença das elites acadêmicas é crer piamente que o pobre e honesto homem da favela seja um admirador de bandidos. É uma alienação total da realidade, uma negação completa do cotidiano, racionalizada numa espécie de ódio às pessoas de bem.

Há de concluir que o próprio acadêmico defensor dessas idéias também é um marginal, um delinqüente. Ora é um drogado, ora é alguém que se sente rejeitado pelo próprio grupo social ao qual pertence . Uma cena do filme mostra o quão ridículo e caricato são os movimentos sociais e similares, como as organizações de Direitos Humanos. Maria, uma militante de uma ong da favela e namorada do policial honesto, Matias, fala mal da polícia, porque esta não refresca contra os marginais da classe média. A própria mulher fica furiosa quando descobre que seu namorado é policial e do BOPE. Ela mesma participa da criminalidade, porque é usuária de drogas. No entanto, o traficante da favela, Baiano, divinizado pelos voluntários da Ong, seqüestra um casal amigo da moça e, desesperada, ela vai pedir ajuda ao namorado. A cena é cômica: antes, o traficante Baiano tinha "consciência social", era o justiceiro da sociedade; agora que o próprio algoz se revoltou contra seus "opressores", a moça se vê numa encruzilhada. Pede ajuda ao "sistema opressor perverso" na figura do policial Matias. Já era tarde demais. O casal amigo da jovem é barbaramente executado.

Outra cena elucida este alto grau de alienação de uma parte da sociedade dita "letrada". Depois da morte do casal de ativistas, os alunos da universidade fazem uma passeata pedindo a "paz". O paradoxo desta ação é bem clara: os mesmos que pedem paz financiam a violência, usando drogas. E o honesto e severo policia Matias, sinônimo do preto no branco, do certo e errado, algo que carece a seus amigos universitários, espanca um dos manifestantes, que é traficante de drogas. Surra-o, pois foi o mesmo quem denunciou o seu amigo policial ao traficante que matou o casal de ativistas. E chama todo mundo de "maconheiros filhos da puta", "burgueses safados". Alguns conservadores radicais viriam nisso uma espécie de condenação da classe média. Todavia, a maior parte da classe média honesta se identificou com o policial indignado. Classe média honesta não gosta de bandido, mesmo que ele seja, por assim dizer, "burguês". E o personagem Matias está longe de crer na ideologia da luta de classes, já que as únicas classes que ele conhece, e que são antagônicas, é o do homem honesto e do bandido.

Muitos ainda repetem a cantilena de que são as desigualdades sociais e a miséria quem causam a violência. Os próprios atores, pressionados pela esquerda, entre os quais, o protagonista da história que interpretou o capitão Nascimento, repetiram esse mantra politicamente correto. Tamanho policiamento ideológico, por assim dizer, boicotou o filme para concorrer a vários prêmios. Pouparei o ator Wagner Moura das críticas, porque ele estava impecável no filme. Falarei dessa ladainha comum dos críticos. Se há alguém que mais sofre a desigualdade social e de direitos neste país é o cidadão honesto. É o cidadão honesto que está sendo extorquido nas ruas, violentado, assassinado. É este cidadão que não tem ongs, Direitos Humanos, subsídios estatais e segurança pública. E quando alguém honesto se manifesta nas ruas em protestos contra a violência, a esquerda quer calar a boca desse povo. Quer que eles sofram e morram quietos, porque eles reproduzem a ideologia do sistema, dentro do imaginário da luta de classes.

Não foi isso que ocorreu com o casal de namorados Liana Friendenbach e Felipe Caffé? Não foi isso que ocorreu com o garoto João Hélio, de apenas 06 anos de idade? Não é isso que ocorre com tantos outros inocentes covardemente assassinos por bandidos? E o que fizeram os Direitos Humanos e os movimentos de esquerda? Quiseram silenciar suas famílias, através da chantagem emocional e da intimidação. Marilene Felinto, dublê de escritora e jornalista da caricata revista Caros Amigos, dizia que a vitima da sociedade era o estuprador e matador de Liana Friedenbach . Tudo porque o pecado da menina era ser judia, rica e bonita. A polícia não está longe de ser a vitima, quando ela é honesta. Não há nenhum apoio ao policial decente que é morto e deixa viúvas e filhos. Lembremos, policiais são agentes do "sistema opressor". Libertários mesmo, na consciência da esquerda, são os estupradores, ladrões e matadores.

Quem conhece o pensamento do pobre honesto, sabe que ele aprova essa forma de violência contra bandidos; que ele odeia os criminosos e deseja, ainda que de forma silenciosa, que a polícia tome providencias e pacifique os subúrbios e favelas, através da força. É um lugar-comum da empregada doméstica ao balconista de uma loja, do operário a um faxineiro, e das demais classes pobres, a seguinte sentença, quase unânime: ladrões, bandidos, estupradores e assassinos devem morrer. As opiniões de muitas dessas pessoas do povo fariam o próprio Cesare Beccaria se revirar do túmulo. As propostas são as mais sanguinárias possíveis: execuções em praça pública, decapitações, espancamentos, linchamentos, fogueiras, enfim. A grande maioria do público bradou quando o capitão Nascimento mandou o policial Matias explodir a cabeça de Baiano com uma escopeta. Era para estragar o velório, desfigurando o rosto do marginal. O interessante é que este sentimento do homem honesto existe em todas as classes sociais. Até eu fiquei feliz com a morte do vagabundo do Baiano.

Alguém me perguntará se sou a favor da tortura e dos métodos policiais arbitrários. A resposta é não. Eu mesmo não consigo gostar da polícia brasileira, apesar de defender suas ações, quando elas são certas. Já presenciei coisas tão absurdas da parte dela, que guardo um profundo ceticismo dessa instituição. Tampouco aprovo os métodos de violência ilegal. Na verdade, eu gosto da ordem e da legalidade. Por mais que me cause indiferença ou mesmo agrade a morte de um bandido, a tortura e a violência ilimitadas da polícia possuem um vicio fatal: o abuso de poder que não se deve permitir ao Estado e nem a seus agentes. Se um policial se acha no direito de torturar e matar bandidos, ele pode fazer isso com qualquer pessoa. O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. É tudo uma questão de autoridade e de usar a farda. É claro que seria ingênuo e estúpido afirmar que o policial não deve usar da violência: não só deve como pode, dentro da lei.

As limitações legais que existem no poder da polícia e mesmo de punição do Estado servem para defender o cidadão comum do arbítrio. Jamais pensamos que o mesmo poder de violência que é usado contra bandidos, pode ser usado contra nós, cidadãos comuns indefesos. Daí minhas reservas quanto a essa mentalidade vingativa e apaixonada de muitos, a respeito de execuções sumárias e torturas contra bandidos. Até porque esses métodos, além de irracionais, são ineficazes, pois criam novas mazelas ao invés de combatê-las.

Tampouco isso me aproxima dos movimentos de Direitos Humanos. O que essa turma dos Direitos Humanos ignora é que não é somente a polícia que viola direitos: os bandidos nas ruas são muito piores. Como a maioria está imbuída na idéia romântica, estúpida e mesquinha de que o criminoso é vítima da sociedade, esqueceu-se dos direitos das vítimas e mesmo de policiais mortos no cumprimento do dever. O caso de um bandido torturado, por mais que mereça garantias jurídicas, é um mal menor, perto de uma mulher violada ou um policial decente assassinado. Porque enquanto os dois últimos são pessoas inocentes, o primeiro assume os riscos pela violência que provoca. Uma distinção óbvia que os pretensos defensores da dignidade humana não sabem avaliar.

Defender os direitos da sociedade não é defender o bandido: é saber puni-lo dentro da lei. É saber exigir leis e penas rigorosas para eles, quando violam os direitos humanos da população. O problema é que os movimentos sociais são que nem a personagem Maria, a ativista maconheira do filme: a polícia é uma força perversa de repressão social. No entanto, quando precisam dela, só faltam implorar por sua segurança. E aí pedem paz nas ruas, com muita droga e merda na cabeça! Os segredos da popularidade do filme?

Preciso falar mais?"

Cultura e sabedoria populares


Foto: Sérgio Bade

As manifestações culturais populares são muitas vezes tratadas como objetos exóticos, pertencentes ao passado e que pouco têm a nos dizer. Essa concepção de cultura popular tem sua origem no século XVIII, quando intelectuais da emergente civilização européia passaram a denominar de estranhos os hábitos e ritos, o jeito de ser e de viver das populações pobres. Com isso se estabelecia um profundo abismo entre a cultura das elites, erudita e civilizada, e a cultura dos populares, estranha e primitiva. Pior ainda, a cultura popular era retirada do seu contexto, perdendo o seu significado.

Quero aqui pontuar três aspectos que considero importantes nessa discussão. Inicialmente, quando falo cultura não estou me referindo somente às manifestações artísticas, mas, sobretudo ao modo de viver de um determinado povo, pois a cultura diz respeito a todos os aspectos da vida do ser humano e não apenas ao artístico.

Em segundo lugar, a cultura é um espaço de conflitos e de aproximações. Espaço de conflitos porque sua produção tem um lugar social. Daí, muitas vezes, o desprezo e/ou o olhar de superioridade das elites (intelectuais, econômicas, religiosas) em relação às manifestações populares. Estas são fruto de uma longa experiência de vida. Para os que as produzem e as vivenciam elas tem um sentido e um significado próprios. Não são meras apresentações artísticas, como o show de um cantor ou de uma banda de forró. Espaço de aproximações porque não existe uma cultura fechada em si mesma ou uma cultura pura. As culturas mantêm entre si uma relação de influências mútuas e de mudanças constantes.

Por fim, a produção cultural está localizada socialmente. Assim, quando falo em cultura popular estou me referindo à cultura produzida pelas camadas populares (subalternas). Nesse sentido, vale salientar que a cultura popular é fruto, sobretudo das experiências cotidianas vivenciadas pelos populares. Agora, essas experiências são vividas em constante relação com os demais grupos sociais.

É preciso, portanto, ter cuidado para não rotular de relíquias, que devem ser preservadas e guardadas numa redoma, as manifestações da cultura popular. Não é disso que essas manifestações precisam. Elas precisam ser respeitadas nas suas especificidades e nos seus significados. Elas precisam ser respeitadas enquanto expressão de vida de determinados grupos sociais. Infelizmente, nem sempre, é isso o que ocorre. No entanto, o mais interessante é que, independente da vontade de estudiosos, intelectuais, poder público, etc., as manifestações populares continuam existindo e resistindo às tentativas de globalização, destruição e massificação. É a sabedoria popular que teima em sobreviver num mundo cada vez mais dominado pelos interesses do capital e do modismo. Que possamos aprender um pouco com essa sabedoria.

cult movie movido a vinho e optalidon


[exterior, noite] voz em off: - viver? É muito perigoso... [pausa] voz cansada: - tudo...pode...acontecer... [farolete da polícia iluminando um beco]. Cena 1. um homem nu, absolutamente magro, come a bunda de uma mulher de plástico. O policial ilumina a cena com o farolete e grita: - oh shit!!! O outro policial aponta a magnum 45 para o peito do esquelético tarado e fala entre dentes: - welcome to hell fela da gaita. [corte – a cena congela – um senhor distinto, vestindo roupas do princípio do século aparece e traduz as falas dos policiais] (pigarro) – boa noite senhoras, senhores. O objetivo dessa minha singela aparição é deixar um pouco mais claro o linguajar desses policiais, e, se possível, transformar essa película em algo proveitoso. (pigarro) – o magro comendo a mulher de plástico, apesar de nada acrescentar, mostra como são solitários os corretores da bolsa. Vale como performance, algo assim meio zé celso. O primeiro policial, ao vê-lo, exclama: - oh merda. O outro, que saca a arma, com um linguajar misturado de inglês e ceares, vocifera: - bem vindo ao inferno, filho de um instrumento musical. Como se vê, são hilários. Bom, mas o que eu queria realmente dizer com isso é que...[corte – o policial com a arma na mão descongela e dá dois tiros no peito do comentarista – (tihuana canta tropa de elite osso duro de roer)] – os idiotas falam demais! Aliás, falando nisso, e aproveitando que está gravando, eu... ta gravando? Bom é que eu queria mandar um beijo pra minha filha que ta aniversariando, e dizer que nunca mais eu chuto a boca dela com coturno, e...[o outro policial descongela, atira no magro, na mulher de plástico, no companheiro, no farolete do carro, na fachada de néon que ilumina a cena, no diretor, no câmera e na claquete] após soprar o cano da arma fumegante, ele exclama: - my name is silva! João da silva! Ao longe se ouve uma pacata música dos ratos de porão: “de pé contra o muro, de pé contra a lei. Pra ser condenado, pra ser fuzilado, não há esperança pra eu ou você”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Colóquio : Festivais da Canção do Cariri : Um Tropicalismo Caririense ?


No próximo Dia 29/11/07 , no Centro Cultural Banco do Nordeste, às 18:30 em Juazeiro do Norte estaremos apresentando o Colóquio : "Festivais da Canção do Cariri nos Anos 70 : Um Tropicalismo Caririense ? " .
O Colóquio será moderado por Luiz Carlos Salatiel, Abidoral Jamacaru e J. Flávio P. Vieira da OCA .
Na oportunidade será feita uma ampla história dos Festivais, com vasto material fotográfico, vídeos e material fonográfico. Convidamos todo público interessado a se fazer presente e participar do enriquecedor debate que será travado.



Colóquio :
"Festivais da Canção do Cariri nos Anos 70 : Um Tropicalismo Caririense ? "

Moderadores:
Luiz Carlos Salatiel
Abidoral Jamacaru
J. Flávio P. Vieira




Local : CCBN em Juazeiro do Norte

Hora: 18:30 H

Data- 29/11/07 ( Quinta-Feira)


Participe !!!!

Shows !


AO SÍMBOLO DA OCA em homenagem!

A logomarca OCA!


Quando fundamos a OCA-Officinas de Cultura e Artes & produtos derivados, final dos anos 80, precisávamos de uma logomarca. Sugerí ao Romildo Alves (artista plástico na época) uma rã ou sapo porque o seu canto era o primeiro sinal de alegria que anunciava a chegada das chuvas do esperado inverno sertanejo. Como desdobramento da mesma idéia criamos o nosso coral "BOCA DE SAPO" regenciado por Aparecida Silvino (formação), Leonardo e Nivaldo (Solibel).
Deu sorte! Passados vinte e tantos anos, está ela aí faceira e bela.

Bola Bantim, o fotógrafo, sugeriu e os internautas corresponderam ao seu pedido. Abaixo expomos os comentários a respeito da bela imagem denominada "Olho da flora", captada na encosta da chapada do Araripe.

Domingos Barroso disse...

O soluço de Van Gogh
antes mesmo dos girassóis.


lupeu lacerda disse...

dezenas de pequenas mãos
segurando um ovo
feito de amarelos grãos
o que tem dentro desse ovo?
o novo
a nova
a for que resta
a floresta.

Socorro Moreira disse...

Um pinho tocado por Midos
Uma graviola amarela
uma vela perfumada, acesa na floresta
milho verde, em palhas queimadas
um botão de flor não identificada
uma tela japonesa
um abajour, ligado na lua
um brinquedo de gueixa
um duende mergulhado num barril de chope
um mamão com catapora
uma fantasia de carnaval...
uma camisola nupcial...
uma dor de amor inflamada
na fogueira da saudade!

Ruben Mousinho disse...

A impressão que a foto me passa é que a flora sempre esteve a nos vigiar com seu olhar de mãe protetora nos tentando mostrar que quanto mais nós evoluimos mais voltamos a insignificância de jamais repetirmos tamanha superioridade mostrada na foto.
Parabéns pela sensibilidade.
Saionara Alencar

Glória disse...

Conheço toda a série dessas fotos. Umas perecem símbolos fálicos e outras tem essa luz extraordinária, linda. Bola, meu querido, eu estou já recuperada e quero que você poste mais. Você tem um acervo que deve ser mostrados aqui no Blog.
Inté amanhã.


Sonora Brasil no SESC - Hoje !


SONORA BRASIL
TRAZ GRUPO RETOQUES PARA O SESC JUAZEIRO

Nesta segunda-feira, dia 26 de novembro, o SESC apresenta a terceira e última etapa do projeto Sonora Brasil, ano 2007.

Na oportunidade, será apresentado ao público caririense, o trabalho do grupo carioca "Retoques" que tem o objetivo de levar uma "nova" sonoridade a composições contemporâneas. Utilizando instrumentos modernos (flauta transversa) e antigos (cravo, viola da gamba e flauta doce), o grupo faz uma releitura de peças escritas originalmente para outros instrumentos, mas principalmente, incentiva os compositores contemporâneos a criarem para esta formação. Assim é que algumas das obras do programa apresentado foram escritas especialmente para o grupo e estão sendo executadas pela primeira vez pelo Brasil.

O grupo é formado por:
Laura Rónai – Flauta transversa
Helder Parente – Voz e flautas
Sula Kossatz – cravo
Mário Orlando – Viola da gamba


Programa
André Vidal - Caicó
Ronaldo Miranda - Cantares
Bruno Kiefer - Querências
Sérgio de Oliveira - Dores
Guerra Peixe - Primeira suíte infantil: Valsa / Seresta / Choro
Quatro Coisas: Prelúdio / Movimentação / Interlúdio / Caboclo de pena
Patrícia Michelini - L`Eternité
Osvaldo Lacerda - Variações sobre peixe vivo
Marcus Ferrer - Mundo Pequeno IV

Serviço:
Sonora Brasil (última etapa)
Grupo Retoques
Segunda-feira, dia 26 de novembro, às 19h, no SESC Juazeiro.
Entrada Franca.

Mais informações:
SESC Juazeiro
Rua da Matriz, 229. Centro, Juazeiro do Norte – CE.
Fone: 3512.3355.

Para tudo há um tempo...

Amigos,
Fui convidado pelo amigo-irmão Carlos Rafael a fazer parte da Equipe do CaririCult. Para mim é uma honra participar deste seleto grupo, que pensa e tem, ao longo do tempo, realizado coisas fantásticas em prol da cultura, da história, da educação e das artes do nosso querido Cariri.
A seguir, como minha primeira postagem, uma das passagens mais belas do Livro Sagrado dos Cristãos:

TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

(Eclesiastes, 3:1-8)
Um grande abraços a todos e a todas e que o Criador nos ilumine sempre.
Océlio

A História da Mancha Branca de Cadinho


Cadinho tinha uma mancha branca no cabelo. Os irmãos e os amigos de Cadinho ficavam brincando com ele, porque ele era diferente e tinha uma parte do cabelo que ao invés de ser loura, era branca. Como ninguém sabia porque Cadinho tinha esta mancha, gozavam dele pela ignorância. Ai Cadinho resolveu que ele mesmo iria descobrir porque era diferente.

Cadinho acordou antes de todo mundo, levantou-se da cama sem fazer barulho, trocou o pijama por uma roupa comum, calçou as alpercatas e saiu pela porta da frente da casa. Era tão cedo que o sol ainda não tinha nascido e tudo ainda estava escuro. Mas Cadinho não tinha medo, pois a curiosidade de saber porque tinha a mancha branca era maior.

No terreiro da casa ele encontrou o Galo que cantava para o dia amanhecer. Cadinho parou e perguntou se ele sabia porque tinha uma mancha branca no cabelo. O Galo bateu as asas, respondeu bem alto, para todos os outros galos dos terreiros distantes:
- Cocó ri Cocó! Cadinho me deu um nó.
- Qui qui ri qui qui! Cadinho molhou a cama de pipi!
- Cacá rá Cacá! A mancha branca tá lá!

Cadinho jogou uma pedra no galo para ele deixar de mentir. Cadinho não fazia pipi na cama. Ai ele saiu e quando já começava a deixar o terreiro da casa, passou um gato. Cadinho chamou pelo gato e repetiu a mesma pergunta para ele. O gato se espreguiçou todo, os pelos das costas se eriçaram e abrindo a boca com preguiça disse:
- Ron Ron Ron Ron! Cadinho nasssceuuuuu!
- Ron Ron Ron Ron! O leite derrraammmouuu!
- Ron Ron Ron Ron! Na caaabeççaaa de Caaadiiiinhhoooo!

Cadinho nem gostava de leite, quanto mais deixar o leite cair na cabeça dele. Saiu andando a procura de outras fontes de conhecimento. Quando passava debaixo do pé de Timbaúba ele viu os pavões que dormiam no galho mais alto da imensa árvore. Cadinho gritou, perguntando aos pavões porque tinha uma mancha branca na cabeça e era diferente das outras crianças. Os pavões responderam:
- Coéeemmm! Coéeemmm! O raio riscouôôôôô!
- Coéeeemmm! Coéeemmm! Queimouôôôôô!
- Coéeeemmm! Coéeeemm! O quengo de Cadinhoooooo
!

Cadinho balançou a cabeça insatisfeito pois nunca ouvira falar em tal raio. Os pavões poderiam saber dos mistérios das noites, reconhecer as novidades e gritar para alertar a todos, mas não sabiam nada de mancha branca no cabelo.

Cadinho, já estava meio chateado com a situação e resolveu ir pelo canavial até a beira do Rio Batateira. Chegou a beira d´água, ela corria mansa e silenciosa no seu leito transparente. Os primeiros raios do sol iluminaram a água do rio e Cadinho viu um Jundiá passando mansamente na água. Cadinho gostava muito dos Jundiás, pois sempre que ia tomar banho no rio, brincava com eles e então ele disse:
- Meu amigo Jundiá, eu já estou cansado. Eu quero saber porque tenho uma mancha de cabelos brancos na minha cabeça. Eu quero saber porque eu sou diferente.

O Jundiá foi até o centro do rio, se afastando de Cadinho. Cadinho ficou agoniado, pensando que ele se afastava sem querer responder ao problema. Aí Cadinho gritou para o Jundiá não deixá-lo sem resposta. O Jundiá apenas tinha se afastado para ter um momento de solidão e meditar sobre a resposta do problema que Cadinho havia lhe trazido. O Jundiá voltou e disse:
- Calma Cadinho nunca se afobe por uma resposta. Uma resposta mal dada é pior do que uma pergunta não respondida. Eu não poderia responder logo o que me veio na cabeça e por isso fui meditar a resposta.

Cadinho ficou inteiramente atento à resposta do Jundiá e por isso ficou bem junto da beira da água para ouvir melhor. O Jundiá começou a dar a resposta:
- Cadinho você quer saber porque o sol tem luz? Se quer saber também deve querer saber porque a luz surge quando o sol queima o hélio. Se quer saber porque o hélio queima e assim por diante, encontrar a razão primeira da sua cadeia de perguntas, vai encontrar uma resposta que já não tem nada a ver com o valor da luz do sol.

Cadinho não estava entendendo aquela resposta filosófica do Jundiá e por isso escreveu num papel para depois perguntar para o pai o que o peixe queria dizer para ele. E o Jundiá passou para a segunda parte da pergunta:
- A mancha branca no cabelo de Cadinho está lá como a luz do sol está nele. Sem a luz não tem sol e sem a mancha não tem Cadinho. Cadinho e a mancha nasceram juntos, no mesmo minuto e são inseparáveis.

Cadinho já compreendeu melhor e se aproximou mais ainda, se abaixando em direção à água. E o peixe terminou a explicação:

- Agora Cadinho você não é diferente porque tem a mancha branca. Você é diferente pela sua natureza, todos nós somos diferentes e não dependemos de uma manchinha para isso. Eu sou Jundiá, você é Cadinho, o rio é o rio e todos somos diferentes por que já nascemos diferentes. Mas nascemos diferentes e ao mesmo tempo iguais. Pois eu sou igual aos outros Jundiás e você é igual aos outros meninos.

Cadinho estava tão entusiasmado com a sabedoria do Jundiá que se descuidou e tibungo na água. O Jundiá tomou um baita de um susto e Cadinho se molhou todinho. Mas Cadinho achou foi bom aquele banho na sabedoria do Jundiá. Saiu da água, espremeu as roupas e foi para casa tomar café. Assim que chegou pediu à avó:


- Vovó junte um café preto com o leite branco e me dê para beber uma mistura marron.

roteiro de filme para um diretor anônimo


Mauro medrado palhares alhures silva e silva sempre foi um sujeito bonachão. Ele costumava dizer que na sua cidade todos o adoravam. Ou por conta da sua inenarrável amabilidade, ou porque, se alguém tivesse a infeliz idéia de não adorar, ele baixava a porrada no mentecapto intrépido. Quando alguém o questionava, ele se retratava e dizia que aquilo era maneira de falar, e tal. O ponto de encontro da cidade onde morava mauro medrado palhares alhures silva e silva era a barbearia. Era lá, que quase todos os dias, os homens da cidade se reuniam para ouvir e contar histórias. Na cidade, todos sabiam que mauro medrado palhares alhures silva e silva só tinha ódio de uma coisa: que o chamassem de gordo. Aí ele subia nas paredes literalmente. Nada o segurava. E o combate era certo e seguro. Até então, treze infelizes tinham tido a audácia de chamá-lo assim. Eram as únicas treze cruzes do cemitério da cidade. Um belo dia, chegou à cidade um viajante. E, como antes de abrir sua mala e vender suas quinquilharias, precisava ficar apresentável, dirigiu-se a barbearia. Lá chegando, perguntou quantas pessoas estavam em sua frente. O barbeiro apontou com o queixo escanhoado para mauro medrado palhares alhures silva e silva. O viajante para confirmar, disse: - só o cavalheiro gordo? . o silêncio podia ser ouvido da barbearia as escadarias da igrejinha, onde o velho vigário sentiu seus poucos cabelos arrepiarem. O viajante, sentindo o ar fúnebre, perguntou: - eu disse algo de errado? Ofendi alguém? O Sr. Não gosta de ser chamado de gordo? Olhe, eu tenho por sinal umas pílulas que... Mauro palhares alhures silva e silva larga o jornal que estampava a sua cara sorridente e com urros proféticos avançou para cima do viajante. Mauro medrado palhares alhures silva e silva chama o viajante de hijo de puta. Corre com suas pequenas e balofas pernas para pegar o incauto, que se desvia, gira em torno a cadeira do barbeiro. Enfim o combate: murros, chutes, pontapés, a bolsa de apostas corre solta na porta da barbearia. Quem falta apostar? Só a porra do padre, que sempre atrasa. O viajante está com o rosto parecendo um pizza, sangue nos olhos, pensa: - vou morrer nas mãos desse elefante. No meio da luta vê um sinal estranho na nuca de mauro medrado palhares alhures silva e silva. Arranca-o a dentadas. Para espanto de todos, mauro medrado palhares alhures silva e silva começa a secar, murchar, como uma... como uma... bola de futebol! Mauro medrado palhares alhures silva e silva era uma bola. Sempre foi. Uma bola com complexo de superioridade. Mas era isso: uma bola, com doze gomos, por sinal, já bastante estragada. A população festejava. Fogos. Banda de música. Sexo ao ar livre. Então o prefeito, em uma ato que todos acharam louvável, entregou as chaves da cidade ao viajante. E pediu pra que ele aceitasse o cargo – ora vago – de xerife e caçador itinerante de bolas. O viajante aceitou de pronto. Mauro medrado palhares alhures silva e silva ainda participa da vida social da cidade: vez por outra os garotos passam na delegacia e pegam-no para bater um babinha no campo perto do cemitério. Quando o jogo é oficial, quem dá o primeiro chute é o xerife. Que por sinal, anda feliz da vida: a ex-mulher de mauro medrado palhares alhures silva e silva aceitou seu pedido de casamento. Ele também notou o pequeno sinal na sua nuca. Mas isso ele não conta pra ninguém.

domingo, 25 de novembro de 2007

Indiferença galopante

Emerson Monteiro

Por vezes quer-se pensar que existe relativa ordem neste mundo e a gente sorrir beatífico, parecendo que os equívocos dizem respeito aos outros lá longe. Passa-se a mão por cima dos espinhos, usam-se panos mornos e a vida continua. O tempo sem sol da poesia dorme esquecido na memória dos dias, fera embriagada na boca da caverna do futuro inevitável.

Na semana que passou, porém, notícia forte mexeu como um tanto de gente deslumbrada, nesta vidinha brasileira de dramas entorpecidos nas mais diversas consciências, sobretudo daqueles que se acham no lugar de organizar a sociedade, pagos a peso de ouro, às custas do sangue e do suor dos cidadãos que lhes delega o poder.

O acontecido nefasto procede do Norte do País, da cidade de Abaetetuba, a 130 km de Belém, Estado do Pará, onde uma jovem de apenas 15 anos, acusada de tentativa de furto, permaneceu encarcerada durante pelo menos 20 dias com mais de 30 homens, submetida a abusos sexuais, violência e estupros seguidos, que só tiveram fim no recente dia 15 de novembro.

Diante desta nota realista murcham as máscaras humanas, ardem as sensibilidades mais empedernidas e clamam aos céus milhares de filosofias e credos, pois não adiantam argumentos perante as ocorrências frias da verdade.

"Era um show isso daqui. Todo mundo sabia que a menina estava lá no meio daqueles homens todos, mas ninguém falava nada", disse uma mulher na delegacia, sexta-feira à noite.

"Antes de comer, os presos se serviam dela", lembra inflamada outra mulher, falando alto bem em frente à sala do delegado de plantão. Refere-se ao fato de os presos obrigarem a menina a praticar sexo como condição para lhe darem alimento. "Ela gritava e pedia comida para quem passava, chamava a atenção para si, e, como ela era conhecida por aqui, não dava para ignorar", afirma outra.

Um espetáculo de horror e conivência imperou naquelas terras por mais de 20 dias, aos olhos da humanidade, representada por quem sabia e calava as sevícias executadas pelos outros presos. Que fase triste da longa história da qual fazemos parte, cada um de nós sendo testemunha privilegiada, refestelados no drama diário dos sonhos da vaidade, feia condição dos seres humanos atuais.

“Nos bastidores do governo federal, em Brasília, existe a convicção de que o caso configura-se em uma das mais graves violações dos direitos humanos, uma ofensa ao Estatuto da Criança e do Adolescente, além de ferir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres,” acrescenta a notícia da Folha On Line, no dia 25 de novembro de 2007.

Tem o que tirar por menos não. A carapuça se encaixa feita luva na cara de todos os que vivem a época, de cara enfiada no aquário das ilusões do egoísmo dominante. O assunto diz respeito a qualquer um. E o tal acontecimento funesto indica detalhe mínimo revelado na mídia, trama pecaminosa das práticas coletivas.

“Os presos até que tentaram camuflar a presença daquele corpo estranho no meio de tantos homens. ‘Minha filha tinha cabelos lindos e encaracolados que iam até o meio das costas’, diz a mãe biológica. ‘Cortaram o cabelo dela com um terçado [facão], para disfarçar que se tratava de uma menina. Cortaram é modo de dizer, escalpelaram a minha filha’. Mas não funcionou”, publica o jornal.

Se era tão flagrante a identidade feminina e quase infantil de L., por que ninguém denunciou antes? "Medo de morrer. Aqui todo mundo tem medo", diz a tia de um dos presos transferidos. "Se a delegada põe uma menina na cela com os homens, e a juíza mantém ela lá, quem sou eu pra denunciar. Aliás, denunciar para quem?"

Eis aqui, por isso, um leve soco nas fuças da acomodação que alimenta o atraso das pessoas, instituições e seus ocupantes eventuais, no rumo da Eternidade.

AMANHÃ

O amanhã há de chegar, há de chegar sempre,
Sempre o dia vindouro, um futuro ideal.
Mas por hora os homens sangram na tarde,
Sangram como um sol pondo-se num milharal.

O amanhã sanará as chagas de todo o mundo,
E as chagas sumirão de toda a humanidade.
Enquanto isso os homens choram,
Escondendo sua dor, embreagando-se de felicidade?

Este amanhã de tez ão justa,
De que ele é feito e como ele fala?
Este amanhã nada mais é que um brinde com cicuta,

Corrida de muletas, análise de cegos.
Amanhã que é tecido pela voz de quem "Parla",
Mas jamais pelos ouvidos de quem escuta.

sábado, 24 de novembro de 2007

DEZ RAZÕES PARA GOZAR DA AFEIÇÃO DE ALGUNS AMIGOS CRATENSES


(postagem especial para CaririCult e BlogdoCrato)

No auge da polêmica sobre os ‘comentários ou não dos anônimos no blog CaririCult’, a minha personalidade foi questionada e até a simpatia manifestada de alguns para comigo foi taxada de “bajulação ” inconseqüente. No íntimo, me senti gratuitamente ofendido e fiquei quieto, porem aborrecido.

Como sei que o que incomoda é o reconhecimento da minha importância no cenário cultural de nossa cidade, registro aqui, de propósito, a minha interferência direta em alguns projetos (que não os meus próprios) e que contribuíram para que o Crato continuasse sendo esta nossa “capital da cultura”:

1- Idealizei (com Geraldo Urano) do Festival Regional da Canção: até hoje o maior responsável pela construção da musicalidade caririense contemporânea;

2- Mantive (com o Grupo de Artes Por Exemplo) os Salões de Outubro: uma seqüência anual de salões de artes-plásticas que envolvia também música, teatro, poesia e dança;

3- Fundei (com Rosemberg Cariry e outros poetas e escritores da região) o Jornal Nação Cariri, depois transformado em revista literária;

4- Fundei (com Carlos Rafael Dias) a OCA-Officinas de Cultura Artes e Produtos Derivados, que até hoje articula e promove movimentos artísticos da cidade e que manteve o literário “Folha de Pequi”;

5- Ainda com Carlos Rafael Dias, pensamos e elaboramos o projeto da Fundação J. de Figueiredo Filho, defendida pelo vereador Ronald Albuquerque, votada e aprovada na Lei Orgânica do Município;

6- Produzi (sem patrocínio externo) o primeiro disco – AVALLON, de Abidoral Jamacaru, eleito pela crítica especializada o melhor disco independente daquela década, e que recebeu o selo OCA;

7- Produzi, durante algum tempo, a banda “Pombos Urbanos” e que hoje se transformou na maravilhosa “NACACUNDA;

8- Fui diretor cultural da Solibel – Sociedade Lírica do Belmonte- e sob a nossa gestão é que se construiu as salas de aula que hoje existem, recuperamos o auditório Cristina Prata e retomamos todos os convênios com a Secretaria de Cultura do Estado na época. Ainda, trouxemos o maestro Johnatha David (fundador da escola de música Schomberg) para aprimorar conhecimentos dos alunos e regentes e renovar o repertório da orquestra;

9- Ergui o “NAVEGARTE” (poderia ter comprado uma Hilux!): um belo lugar com a galeria de arte José Nornando Rodrigues; sala de referência Artur Bispo do Rosário, com livros, revistas e catálogos de arte para a leitura do público; bar-café; espaço para festas e shows (2.000 pessoas), quando lá desfilaram músicos desde Nonato Luiz (violonista), Zé dos Prazeres, Socorro Alencar, Cacá Malaquias, João do Crato e Manel de Jardim, Corais de Crato, Fortaleza e da Catalunha, Waldick Soriano e uma dezena de bandas de rock de adolescentes do cariri que nas tardes de domingo invadia o lugar para realizar o “Rock, Pop Cariri”;

10- Dirigi, com José Flávio Vieira, a peça “A terrível Peleja de Zé de Matos contra o Bicho Babau nas Ruas do Crato” - uma opereta que é a maior declaração de amor até hoje feita a uma cidade e todos os seus ícones – com mais de trinta apresentações em todo o Ceará;

Prometi-me parar na décima, porque a décima primeira já seria a criação do blog “CaririCult”