TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 18 de maio de 2018


Escuto um blues
Para desatender a tempestade
Da  boca molhada dos céus
Estamos distantes
Mas os trovões se fazem tão perto.

Alexandre Lucas  

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Artista propõe interação em exposição no Cariri





O Centro Cultural Banco do Nordeste – CCBNB, em Juazeiro do Norte,  receberá exposição do artista/educador, Alexandre Lucas. A abertura  será no dia 01 de junho, às 19h, na galeria do 5º andar. 

A exposição de caráter interativo possibilitará que o  público tenha  a oportunidade desenhar, carimbar, pintar e levar parte da exposição para casa. Essa interatividade com o público é uma característica da poética  desenvolvida pelo artista. 

A exposição denominada “Xela” reúne desenhos reproduzidos em lambe-lambe, carimbos, adesivos, imãs e fotocópias. As imagens remetem a relação do artista com a pichação e ao mesmo a multiplicação de silhuetas de rostos.    

Para a professora Fernanda Maria Macahiba Massagardi, pós-doutora em Artes, a linha, muitas vezes ininterrupta, das obras de Alexandre Lucas convida o olhar do espectador ao movimento. Ela destaca que esse trabalho é uma abstração que convida à busca da forma e diz que associar a linha precisa às constelações de Miró ou aos desenhos de Matisse é inevitável. Fernanda enfatiza que o aspecto do jogo está presente, na medida em que desperta no público o desejo de interação, seja nos espaços que podem vir a ser cor como na continuidade da linha.

Alexandre Lucas é integrante do Coletivo Camaradas e tem um trabalho estético que visa aproximar a relação artista, obra e público, tanto no campo da literatura como nas artes visuais.

terça-feira, 27 de março de 2018

De 03 a 14 de abril de 2018 acontece o festival nacional de dança: IX SEMANA DANÇA CARIRI


A ‘Semana Dança Cariri’ é um festival nacional de dança que acontece todo mês de abril. A cada ano o evento aborda uma questão a fim de nortear o dialogo. Em 2018, na IX edição enfatizamos, ‘A dança não se finda’: existem alguns mitos/tabus/questões na Dança que precisamos refletir, tais como: durante muito tempo difundiu-se que esta era uma arte efêmera e que após o espetáculo nada mais restava; pensou-se que a dança estava destinada apenas aos corpos jovens, magros e virtuosos; acreditávamos que a dança só acontecia nas capitais/grandes centros; que a dança cênica era uma arte de elite; que a dança não era algo necessário ao nosso cotidiano. Porém, a contemporaneidade pôs todos esses conceitos em xeque, a dança é uma área de conhecimento inesgotável, que transforma e permanece, a dança não se finda.
É um evento elaborado com esmero e esforço, esta edição constituída de espetáculos, oficinas teórico-práticas, workshops, lançamento de livro, momentos de intercâmbios. A programação privilegia todas as faixas etárias, profissionais da dança e o público interessado em artes. 
Este ano o festival é uma realização da Associação Dança Cariri e SESC
segue abaixo a PROGRAMAÇÃO COMPLETA da IX SDC

PROGRAMAÇÃO GERAL


Dias 31 de março e 01 de abril
Oficina de Dramaturgia
Com Camila Fersi (RJ)
Local: Associação Dança cariri

Dia 02 de abril
19h Cine Dança – Exibição do Documentário PINA
Local: SESC Crato

Dia 03 de abril
9h Oficina de Dança Contemporânea
Com Alexandre Santos (PE)
Local: Sala de Dança SESC Crato

10h30 Palestra
Dança e educação em tempos de crise social
Com Isabel Marques  (SP)
Local SESC Crato

19h Cerimonial de abertura
Para Sempre teu
Qualquer um dos 2 Cia de dança (PE)
SESC Crato

Dia 04 de abril
9h Oficina JogoDançaManifesto
com Isabel Marques (SP)
Local SESC Crato

19h A notícia Caleidos Cia de Dança (SP)

Que Corpo é esse? Coletivo Incomum (PE)

Dia 05 de abril
Oficina de Dança Arquetípica
com Dakini Alencar.
Participação do músico Renê Danton
Local SESC Crato

19h Epifanias: outros jeitos de usar a boca
Dakini Cia de Dança Teatro (CE)

Translocadas
com Aline Vallim, Paola Ferraro, Veronica Navarro (Brasil, Paraguai, Argentina)
Local SESC Crato

Dia 06 de abril
9h Bate Papo N’outros Corpos: desconstruções, descobertas e outras possibilidades corporais latino-americas com Veronica Navarro Local: SESC Crato

 19hs Sertão Poeta
Cia Jovem Dança Cariri (CE)
Redoma
Guilherme Veloso (RJ)

Dia 07 de abril
14h as 17h Workshop de Balé para professores
com Helena Matriciano (RJ)
Local Associação Dança Cariri

19h Ofélia Territórios Movediços (MG/RJ)

19h45 Três solos em um tempo Denise Stutz (RJ)
Local SESC Crato

Dia 08 de abril
14h as 17h Workshop de Balé para professores
com Helena Matriciano (RJ)
Local Associação Dança Cariri

18h30 Ensaio abertos
Baiaum D´Sincko
Dakini Cia de Dança Teatro  (CE)
Sobre coisas Cruas
Guilherme Veloso e Camila Fersi  (RJ)
Debate Criação em Dança.
Local: Associação Dança Cariri

Dia 09 de abril
9h30 Aula de Balé
com Wilemara Barros (CE)
Local: Associação Dança Cariri

Dia 10 de abril
9h30 Oficina Corpo Presente
com Denise Stutz (RJ)
Local SESC Juazeiro do Norte

19h30
A Morte dos Cisnes
Cia Dita / Wilemara Barros (CE)
Finita
com Denise Sturtz  (RJ)
Local SESC Juazeiro do Norte

Dia 11 de abril
9h30 Oficina de Dança Contemporânea
com Romero Mota (PB)
Local SESC Juazeiro do Norte

19h30  Move
Cia Foco de Dança
Metal
Balé da Cidade de Campina Grande
Local SESC Juazeiro do Norte

Dia 12 de abril
9h30 Oficina Laboratório de formação e investigação criativa
com Ana Vitória (BA/RJ)
Local Associação Dança Cariri

15h Workshop Aula de Papel
com Angel Vianna (MG/RJ)
Local Associação Dança Cariri

19h30
Desatar
Com Aline Vallim (SP) e Alysson Amancio (CE)

Ofélia Territórios Movediços
Com Camila Fersi (MG/RJ)
Local SESC Juazeiro do Norte

Dia 13 de abril
9h30 Oficina Feldenkrais
com Priscilla Teixeira (RJ)
Local Associação Dança Cariri

18hs Lançamento do Livro
Angel Vianna, uma biografia de dança contemporânea
Noite de autógrafos com Ana Vitória
Local SESC Juazeiro do Norte

19h30 A cadeirinha e eu
Cia Dita/Fauller (CE)

O que deságua em mim
Cia Alysson Amancio (CE)
SESC Juazeiro do Norte

Dia 14 de abril
19h30 Ferida Sábia
Local Teatro Patativa do Assaré

21h Festa de Encerramento* – A Dança não finda
*R$ 10 (venda revertida para as despesas do festival)
Local: Cangaço Bar



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Caleidoscópio 70: Luiz Carlos Salatiel & Los Fractais celebram um tempo que não quer ser esquecido


Foto: Kathylene Furtado
Texto: Carlos Rafael Dias

A estreia do show Caleidoscópio 70, ocorrida no início deste mês fevereiro, durante o VI Festival de Música Cordas Ágio, em Crato, suscitou algumas ponderações, das quais eu julgo importante comentar duas delas.
Em primeiro, a realização de um espetáculo carregado de forte simbolismo e protagonizado por um artista igualmente emblemático, poderia ser interpretada como um sinal de coroamento de uma longa e profícua trajetória artística. Mas não o é. Luiz Carlos Salatiel, esse ‘tal artista’, está prestes a completar 50 anos de vida artística, cuja marca principal é a obsessiva capacidade de surpreender, nunca aceitando a busca de uma carreira consolidada pelos cifrões do sucesso ou pelas críticas favoráveis veiculadas na imprensa. Essa trajetória, que já surpreende pela longevidade, alcança ainda maior expressividade se atentarmos para o fato dela acontecer praticamente em solo nativo, distante dos centros detentores e monopolizadores dos holofotes midiáticos tidos como necessários para a consagração de uma carreira artística. A segunda reflexão é sobre o conteúdo do espetáculo, ou seja, o repertório praticamente garimpado na parceria que Salatiel manteve com Geraldo Urano, um dos mais importantes e reconhecidos poetas nascidos no Cariri.
Metaforicamente, a aproximação de Salatiel com Urano nasceu de uma colisão cósmica entre dois astros que irradiam luz própria, destinada a provocar alguns cataclismos de efeitos invertidos nessa nossa terra-mãe. Ambos nasceram praticamente sob o mesmo céu astrológico, no ano da graça de 1953, influenciados talvez pela sincronicidade histórico-cultural que prenunciava a ocorrência de um iminente turbilhão universal. O rock’n’roll dava seus primeiros acordes e os poetas da geração beat desafinavam “o coro dos contentes”, aplainando o terreno para o encontro físico dos dois, que viria a ocorrer no início da década de setenta, no seio do Movimento de Juventude do Crato - MOJUCRA, braço ativo da Pastoral de Juventude da Igreja Católica. Este era o espaço possível de participação para uma geração sufocada pelo establishment perverso que vigorava na época, tendo à frente o aparelho repressivo do regime militar instaurado pelo golpe de 1964. Foi sob essas condições que Salatiel e Urano idealizaram o Festival da Canção do Cariri, realizado em Crato de 1971 até 1978, quando surgiu toda uma geração de músicos compositores regionais, como Abidoral Jamacaru, Cleivan Paiva, Luiz Fidélis, José Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru e poetas como Rosemberg Cariry e José Flávio Vieira, dentre outros. Concomitantemente, iniciou-se também a parceria musical da dupla, gestada no ‘útero eletroacústico’ da banda Cactus, vencedora daquele primeiro festival. Por isso, segundo Salatiel, “o show poderia ter sido feito nos anos setenta. Se não foi possível lá é porque era para ser feito agora com a mesma irreverência, timbres e cores caleidoscópicas daqueles loucos e apaixonantes anos”.
A parceria entre Salatiel e Urano, além de profícua, foi longa, pois durou enquanto o poeta viveu e a amizade fraternal entre os dois permaneceu. Por isso, ela trata de um leque de temas sintomáticos de uma época marcada por extremos paradoxos; uma época que pode ser resumida na frase que o violinista Yehudi Menuhin disse para descrever o século XX como um todo, “[um tempo] que despertou as maiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiu todas as ilusões e ideais”.
As esperanças despertadas, notadamente entre os anos sessenta e oitenta do século XX, podem ser traduzidas pelas radicais transformações impulsionadas pela revolução contracultural protagonizada pela juventude, acenando para a possibilidade de a humanidade ser redimida dos males que lhe são intrínsecos, sob a marcha iniludível da própria civilização que se construía. As desilusões, no entanto, também triunfaram sob o tropel dessa mesma civilização que se mostra temerosa das radicalizações inerentes às transformações sociais imprescindíveis ou inexoráveis. Essa gangorra existencial, que para muitos, em ambos os lados das trincheiras, encarnam a maniqueísta luta do bem contra o mal, marcou com profundidade a produção cultural daquele período e, por isso, permeia as composições assinadas pela dupla caririense.
Salatiel e Urano cantam a dor e o contentamento de terem vivido esses duros, urgentes e delicados tempos. E o fizeram com base na arte, ao mesmo tempo, engajada e diletante, mas sempre provocadora de catarse. Tal como o filósofo Nietzsche fez, elegeram a música e seus significados para a afirmação da vida: amor, liberdade, fatalismo e morte. Daí o tom de tragédia e celebração que o espetáculo Caledoscópio70 carrega na sua concepção e interpretação. Em outras palavras, o verso uraniano: seja feliz mastigando o seu chiclete.

Canções de amor e resistência – O repertório do espetáculo, como se disse, reflete notadamente os sonhos e os pesadelos vividos em terras sob o Trópico do Equador: Brasil profundo, anos de chumbo, caleidoscópio setenta, ‘profundezas que cintilam constelações’. São canções de amor e resistência cantadas, gritadas e sussurradas sob/sobre uma muralha sonora construída, tijolo a tijolo, pela competente banda Los Fractais, integrada por Vinícius Saravá (teclados), Stênio Alves (Guitarra), Thiago Leonel (contrabaixo) e Remy Oliveira (bateria). A propósito, a relação entre Salatiel e a ‘garotada’ da banda é de puro mutualismo: eles se retroalimentam de experiência, sabedoria e energia. Assim, a pegada roqueira dos jovens músicos, com direito a citação de Voodo Child (Jimi Hendrix Experience) não encobre o ecletismo das influências por todos sofrido, vide igualmente as citações de O Guarani (Carlos Gomes) e de repentes de violeiros de feira -, que, ao lado do domínio de palco de Salatiel, fortemente influenciado pelo teatro de Antonin Artaud, são exemplos de virtuosismo e sacação para reafirmar o universalismo que sempre foi a marca da parceria desses que são considerados os glimmer twins caririenses.
    Contradizendo um verso de uma das mais representativas canções do repertório – nada de novo pelos corações modernos -, o espetáculo Caleidoscópio 70, é uma prova de que, sim, há novidades no front da cultura brasileira. Novidades inteligentes e de qualidade e que podem nos abstrair um pouco do lixo que assola o nosso pobre e ao mesmo tempo multimilionário showbiz. Em meio à profusão de ‘vittars’ e ‘anittas’ da vida, Caleidoscópio 70 pode funcionar como uma ‘vittamina’ (oh, infame trocadilho!) para a mente e o espírito, olhos e ouvidos dos deserdados amantes da boa música. Nunca os versos cáusticos e ferinos, mas às vezes docemente românticos de Geraldo Urano, e a performance desabusada e instigante de Salatiel, emoldurados pelo som encorpadamente psicodélico dos Los Fractais, são tão indispensáveis como agora.

Contatos para show
Facebook: www.facebook.com/ocaleidoscopio70/
E-mail: ocaleidoscopio70@gmail.com
Telefone: (88) 9 9806-4693
Produtor executivo: Edmilson Alves

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Longa vida, ágeis mãos...

                
“Eu sou uma parte de tudo, tal
como a hora é uma parte do dia.”
Epicteto

               
                                              
A vida, amigos, olhando assim de relance, parece carregar consigo uma injustiça congênita. Alguns nascem em palácios e outros em manjedouras. As oportunidades nos são distribuídas de forma díspare e pouco  equânime. Numa extremidade muitos passam fome, na outra alguns fazem dieta. Se repararmos direitinho, no entanto, existe um socialismo vital que funciona como uma balança de precisão. A Morte nos iguala a todos: o produto final de sonhos, aspirações, ambições , querelas e vaidades  é sempre o mesmo : o pó. Além de tudo , equanimemente, a cada um de nós só é permitido viver um pequeno e ínfimo fragmento da história da humanidade. Com sorte, vararemos uma centúria, seremos testemunha ou protagonistas de alguns fatos históricos e o destino final de cada um , por mais aventuroso e épico que o pretendamos,  sempre desaguará na foz do esquecimento. A única possibilidade que nos resta para ampliar e esticar um pouco a pequena quantidade de vida que nos é presenteada,  é buscar fazê-la mais intensa, mais pulsante. Podemos turbiná-la com os combustíveis propulsivos mais corriqueiros: com Esportes, com Vícios, com Virtudes. Sempre é bom, no entanto, lembrar: se acendemos a vela nas duas extremidades, existe sempre a possibilidade de se ter um brilho bem mais intenso, mas , possivelmente, a parafina consumida rápido, tornará a luz mais incandescente, porém mais fugaz.
                                   Nestes dias comemoramos uma história de vida que, simplesmente, quebra a inexorabilidade desta regra. O percurso de um desses raros visionários que cedo entendeu : diante de uma tragédia social reiterada, planejada meticulosamente , sempre era possível fazer a nossa parte, mesmo ante as crônicas cegueira e surdo-mudez dos governos instituídos. O Padre Ágio Moreira escolheu o trabalho social como intensificador de sua existência. Intuitivamente, despertou para as forças libertadora e transgressora da Arte e foi assim que, há 50 anos, fundou a SOLIBEL -- Sociedade Lírica do Belmonte -- aqui em Crato. Inserida numa comunidade periférica e rural, de pequenos e pobres camponeses, a Música , simplesmente, mudou destinos, transformou mentes e corações, imantou gerações com novos valores e novos encantos, abrindo horizontes e perspectivas. É que a Arte tem esse poder único de conectar espíritos e de inseri-los como peça única e  insubstituível da grande colcha de retalhos universal. E imaginar que a música erudita, tida sempre como de elite e inalcançável aos mais humildes,  seria capaz de enfeitiçá-los e enebriá-los ! Emociona-nos ver, hoje,  a nobreza aplaudindo os humildes camponeses que provam que é possível manejar tão bem a enxada e a foice como o violino e o violoncelo ! Parece claro que todas as nossas diferenças  são uma questão inerente ao acesso e à oportunidade.
                                    Quebrando todas as normas, o brilho do nosso sacerdote o fez longevo, fazendo com que sua missão ultrapassasse uma centúria e, ao contrário do que seu nome pareceria indicar, não recebeu lucros da sua messe e do seu trabalho hercúleo nunca auferiu nenhum ágio.
                                   São estas pequenas e individuais ações que movem as catracas do mundo. A evolução da humanidade sempre dependeu de visionários que conseguem enxergar para além dos muros do seu pomar. Melhorar um pouquinho o colorido do meu retalho faz com que toda a colcha fique mais bela e mais fulgurante. Que país construiríamos,  se a caridade fosse substituída pela justiça social e se os governos instituídos gozassem da mesma força e sensibilidade do nosso Padre Ágio Moreira ?!  A SOLIBEL , apesar de todas as desesperanças e percalços dos últimos tempos , ensina-nos todo dia a música e a coreografia de novos tempos que se prenunciam.

Crato, 02/02/18
                                      
                                  
                                   

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

COISA COM COISA.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
12:33
Dia destes estive conversando com uma criança, atividade de que gosto muito. É um menino inteligente e muito perspicaz. Depois de algumas brincadeiras linguísticas, utilizando rimas, ritmo, e um pouco do imaginário infantil, no meio da conversa ele parou, pensou um pouco e disse num tom entre sério e debochado: "Ele não diz coisa com coisa!" Outro adulto que estava presente repetiu a frase como quem confirma e aprova a expressão. Fiquei triste e bastante preocupado. Um adulto pensar assim, é até natural, mas uma criança de cinco anos com sintomas dessa natureza?
Tudo bem que um gato seja um gato e um passarinho seja um passarinho... Mas com um pouco de imaginação, um gato pode querer voar e cantar como um passarinho, ou um passarinho aprender a miar e conversar com o gato. Como diria um amigo meu, o mundo das fábulas é fabuloso!
Enquanto poeta, transito livremente entre o estreito universo da razão e as infinitas possibilidades da transcendência. Afinal, poesia é transcendência.
Uma criança de tão pouca idade, olha e vê o mundo com espanto, onde tudo é novidade. Um caramujo no jardim, uma borboleta sobre a flor, uma fileira de formigas... Tudo isso é ao mesmo tempo real e fantástico. Partes de um mundo a descobrir e reinventar. A lógica binária dos computadores não chega nem a arranhar o verniz destas realidades tão profundas e, por isso mesmo tão simples, quando tenta explicá-las.
Sou irmão umbilical das metáforas, das metonímias, enfim da metalinguagem. Assim, acredito e tenho fé, que a Verdade - com "v" maiúsculo e a Beleza -idem- só podem ser alcançadas por esta via. Entenda-se como metalinguagem todas as formas de linguagem que transcendam aos estreitos limites racionais, incluindo as não verbais.
Não que eu despreze a Razão e o conhecimento que dela decorre. Afinal toda esta conversa (para muitos, chata) está firmada em argumentos plenamente razoáveis. Prefiro considerar que a razão e suas ferramentas sejam como pedras num caminho pantanoso, onde devamos pisar com segurança para dar um próximo passo. E ainda que nos arrisquemos pisando no desconhecido, as pedras da razão devem ser nossas referências, nosso porto seguro entre um e outro movimento.
Vejam que não posso abrir mão da metáfora, mesmo pra pensar a razão. Então vamos imaginar que a casca do ovo, em sua pequena espessura, contenha o universo racional. Toda a razão e todo o conhecimento racional ali estão contidos. Com este conhecimento é possível abarcar todas as realidades racionais. Tudo que existe no universo racional, contido na espessura da casca de um ovo.
Admito que isso seja suficiente, para a maioria das pessoas. Acontece que no interior desta casca imaginária, no interior deste ovo-metáfora, existe mais um universo de fenômenos e possibilidades, totalmente desconhecido e inatingível pelas ferramentas do mundo racional. E como não bastasse, existe ainda o exterior deste ovo imaginário, que não compreende nem sua casca (o mundo racional) nem o seu interior.
Ao descobrir-formular este pensamento tenho um susto imenso, quase um surto, e percebo que a Verdade e a Beleza são muito maiores e mais plurais do que poderiam supor nossos parcos recursos racionais.
Penso com Leonardo (Boff) que a transcendência seja uma das necessidades humanas; assim como o alimento, o abrigo, a procriação; e se não fosse esta necessidade de transcender nossa condição humana, de buscarmos o além-de-Nietzsche, não teríamos supra-humanos como Leonardo (o Da Vinci); a Terra teria a forma de uma bolacha e seria o centro do universo; o espaço seria plano e Einstein e Deus estariam errados, e...
Sinto muito pelos meninos inteligentes que são forçados a dizer coisa com coisa. Sinto por eles e por toda a humanidade.
João Nicodemos .

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Acordado: show de Luciano Brayner no VI Festival de Música Cordas Ágio


                                            Luciano Brayner: acordado, afiado e aceso.
                                            Show que promete animação com reflexão

Será do músico Luciano Brayner o privilégio de abrir uma série de expressivos e aguardados shows que acontecerão no Espaço Padre ágio, na da Vila da Música, bairro do Belmonte, em Crato, durante o VI Festival de Música Cordas Ágio. O show de Brayner, intitulado “Acordado”, será nesta quinta-feira, dia 1º de fevereiro, as 22 horas. Gratuito e imperdível.

Luciano Brayner, cantor, compositor e instrumentista pernambucano radicado no Cariri, apresenta um trabalho que estabelece um rico diálogo entre a musicalidade nordestina com suas tradições e outras vertentes presentes na música popular brasileira. O resultado se traduz numa música eclética, marcada por influências de vários gêneros e estilos. Com forte presença de palco e com uma voz com grandes recursos expressivos, Brayner nos oferece um repertório autoral de muita originalidade em interpretações de grande vigor e apuro estético. Samba, cabaçal, ijexá, bossa nova, baião e maracatu são alguns dos muitos gêneros que se harmonizam na expressão musical desse artista, cujo trabalho demonstra, cada vez mais, a qualidade e a diversidade da música popular independente produzida no Cariri e no Nordeste atualmente.

Acordado, afiado e aceso – No show, Brayner se expressará com toda a sua versatilidade - além de cantar e  tocar violão, flauta, sax e pífano, assina todos os arranjos - e será acompanhado de uma banda formada por alguns dos mais talentosos músicos da região. O repertório é composto por canções inéditas em conjunto com outras já conhecidas, presentes em seu primeiro disco, Casa de Badzé, com novos arranjos elaborados especialmente para o Festival Cordas Ágio, valorizando a presença e as sonoridades de cordas friccionadas.

Num dos momentos que promete ser um dos mais marcantes da noite, Brayner interpretará a canção Bárbaras palavras acesas, composta em homenagem ao poeta cratense Geraldo Urano, um dos maiores ícones das vanguardas artísticas no Cariri, falecido em fevereiro de 2017. Outro momento de destaque e que constitui uma oportunidade de reflexão política dentro do show, é o samba inédito Ai loviú Rintintin, onde de forma bem-humorada e crítica o artista comenta aspectos da atual situação política instaurada no país. Passeando por repertórios alheios, Brayner fará uma releitura tanguística da canção Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil, que dialoga em seguida com o belo e lírico tango de Astor Piazzolla, Vuelvo a Sur.

Ao final, como de costume, com seu pífano afiado e acompanhado apenas por percussão, de forma totalmente acústica, encerra o show em grande estilo, em clima de terreirada, no meio da plateia, numa evocação que celebra a cultura musical do pífano e das bandas cabaçais, inspiração e influência bastante presente na sua trajetória artística e marca maior da sonoridade tradicional do Cariri.


SERVIÇO
Show Acordado, com Luciano Brayner e banda
Local: Espaço Padre Ágio, em frente à Vila da Música, distrito do Belmonte, Crato
Data: 1º de fevereiro (quinta-feira), as 22 horas
Livre e gratuito.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Caleidoscópio70: show celebra parceria musical entre Luiz Carlos Salatiel e Geraldo Urano

Luiz Carlos Salatiel & Geraldo Urano: os glimmer twins caririenses
(Foto: Pachelly Jamacaru)


Carlos Rafael Dias

Estreia neste sábado, 3 de fevereiro, no Festival Cordas Ágio, em Crato, o show Caleidoscópio70, que traz o cantor e compositor cratense Luiz Carlos Salatiel à frente da banda Los Fractais. Porém, o detalhe de que o show é totalmente composto de composições de Salatiel em parceria com o poeta Geraldo Urano torna o evento muito maior do que um mero espetáculo de entretenimento artístico. Será a celebração de uma profícua e genial parceria interrompida definitivamente há exato um ano, com o falecimento de Geraldo Urano, após uma longa e dolorosa doença psíquica adquirida em meados dos anos 80, época de maior produtividade da dupla. No entanto, desde a década anterior – os caleidoscópios anos 70 que inspiraram o título do show – que a dupla mantinha uma amizade fraternal e artística, responsável por momentos que engrandeceram a cena cultural caririense. Só que o encontro dos dois parece ter ocorrido bem antes. Na verdade, metaforicamente, essa aproximação nasceu de uma colisão cósmica entre dois astros que irradiam luz própria, destinada a provocar alguns cataclismos de efeitos invertidos na nossa terra-mãe.
Ambos nasceram praticamente sob o mesmo céu astrológico, no ano da graça de 1953, influenciados talvez pela sincronicidade histórico-cultural que prenunciava a ocorrência de um iminente turbilhão universal. O rock’n’roll dava seus primeiros acordes e os poetas da geração beat desafinavam “o coro dos contentes”. Mas o encontro fisico entre os dois só se deu mesmo no início dos anos 1970, na cidade do Crato, na emblemática região do Cariri cearense, no seio do antigo Movimento de Juventude do Crato - MOJUCRA, braço ativo da pastoral de Juventude da Diocese do Crato, espaço possível de participação para uma geração sufocada pelo establishment perverso que vigorava na época, tendo à frente o aparelho estatal repressivo instaurado pelo golpe militar de 1964, apoiado localmente pela tradição católico-provincial.

Anos setenta - Como informa o press-release do espetáculo, Salatiel e Urano, como membros do MOJUCRA, foram os responsáveis pela idealização dos inesquecíveis festivais da canção realizados no Crato entre os anos de 1971 e 1978, quando surgiu toda uma geração de compositores, como Abidoral Jamacaru, Cleivan Paiva, Luiz Fidélis, José Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru e poetas como Rosemberg Cariry e José Flávio Vieira, dentre outros. A parceria Salatiel e Urano iniciou-se por essa época, gestada no ‘útero eletroacústico’ da banda Cactus, integrada, além da dupla, pelos irmãos Alberto (Louro) e Abidoral Jamacaru e mais Hobert e Xico Carlos, que depois seria o baterista do Papa Poluição, banda de pop-rock formada, em meados dos anos 1970, por músicos cearenses radicados em São Paulo. Por isso que, segundo Salatiel, “o show poderia ter sido feito nos anos setenta. Se não foi possível lá é porque era para ser feito agora com a mesma irreverência, timbres e cores caleidoscópicas daqueles loucos e apaixonantes anos”.
A trajetória desta parceria foi em parte interrompida ou limitada por conta de problemas de saúde que começaram a atormentar o poeta a partir de 1987 e que o acompanharam até sua morte, em fevereiro de 2017. Portanto, o seu sofrimento foi longo, se agudizando com o passar do tempo. Em todo esse período, Salatiel foi um amigo constante, visitando-o periodicamente, buscando estimulá-lo a continuar a escrever, coisa que Urano infelizmente parou de fazer nos últimos anos de vida.
Este show traz, pois, um recorte da produção musical realizada por dois parceiros que se irmanaram como almas gêmeas moldadas pela arte que se engaja na busca da vida em toda sua plenitude, com a intenção, também, de consagrar e perenizar a obra dos dois: a genialidade poética de Urano e a musicalidade performática de Salatiel que, no palco, sempre foi um dos grandes intérpretes do Cariri.
Um show para ver, ouvir, sentir e viver, deslocando-se para uma época onde o lema era simplesmente ‘paz e amor’, tudo o que hoje estamos cada vez mais precisando.


SERVIÇO
Estreia do show Caledoscópio70, com Luiz Carlos Salatiel & Los Fractais - Vinícius Saravá (teclados); Stênio Alves (Guitarra); Thiago Leonel (contrabaixo) e Remy Oliveira (bateria)
Data: 3 de fevereiro de 2018, as 22 horas
Local: Espaço Padre Ágio, Vila da Música, Belmonte, Crato.
Livre e gratuito.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A PALAVRA DO PROMOTOR


Aliás, nesta ditosa “República de Curitiba”, de prodígios imensuráveis, nada há que não nos espante.
 
Nos lugares solitários, onde toda a vaidade humana se apaga, pendurados nos locais de costume, encontram-se em fartura e esplendor papéis higiênicos ilustrados com o Artigo 5º da Constituição da moribunda República Brasileira.

O papel assim estampado, prestimoso amigos das horas aflitas, está ali à disposição e limpeza das intocáveis e impolutas nádegas dos notáveis juristas desta excepcional jurisdição”.


Fuad Faraj (Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná).




A PALAVRA DO PROMOTOR

"ALIÁS, NESTA DITOSA REPÚBLICA DE CURITIBA, DE PRODÍGIOS IMENSURÁVEIS, NADA HÁ QUE NÃO NOS ESPANTE.
NOS LUGARES SOLITÁRIOS, ONDE TODA A VAIDADE HUMANA SE APAGA, PENDURADOS NOS LOCAIS DE COSTUME, ENCONTRAM-SE EM FARTURA E ESPLENDOR PAPÉIS HIGIÊNICOS ILUSTRADOS COM O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO DA MORIBUNDA REPÚBLICA BRASILEIRA.
O PAPEL ASSIM ESTAMPADO, PRESTIMOSO AMIGO DAS HORAS MAIS AFLITAS, ESTÁ ALI À DISPOSIÇÃO E LIMPEZA DAS INTOCÁVEIS E IMPOLUTAS NÁDEGAS DOS NOTÁVEIS JURISTAS DESTA EXCEPCIONAL JURISDIÇÃO".


FUAD FARAJ (PROMOTOR DE JUSTIÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O MINISTRO E OS DONOS DO DINHEIRO – José Nílton Mariano Saraiva

Aécio Neves, Daniel Dantas, Roger Abdelmassih, Jacob Barata, Ike Batista, José Riva, Anthony Garotinho, Adriana Ancelmo, Beto Richa e Benedito Lira, dentre muitos outros (a lista seria infindável), têm alguma coisa em comum: 01) trafegaram na ilegalidade por anos e anos e, portanto, são comprovadamente marginais; 02) têm muito dinheiro; 03) depois de roubarem estratosféricas somas de dinheiro foram liberados da prisão por decisão monocrática do excelentíssimo senhor ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

E como na lista do Gilmar Mendes não figura um só pobre, sequer um remediado da classe média, o que metade do mundo e a outra banda pode pressupor é que, por caminhos que o mortal comum desconhece, o tal ministro deve receber, sim, algo em troca. Não no Brasil, mas, provavelmente, lá fora. O quê, fica a critério de cada um emitir algum juízo de valor.

Fato é que, embora já houvesse um certo ar de “desconfiômetro” da população em razão da postura ousada do ministro, agora temos uma outra grave denúncia pública de um juiz federal com atuação na cidade de Campos, no Rio de Janeiro, tratando da liberação do Anthony Garotinho por Gilmar Mendes, a saber:

Em um vídeo estarrecedor, o juiz Glaucenir Oliveira, que prendeu de forma extremamente polêmica – e, para muitos juristas, ilegal – o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, decidiu atacar o ministro Gilmar Mendes, que determinou a libertação do político nesta semana; na mensagem, o magistrado acusa Gilmar Mendes de ter recebido dinheiro em troca de decisão favorável: “a mala foi grande”, afirmou. Gilmar soltou Garotinho, apontando que não havia qualquer elemento que justificasse a prisão preventiva; procurado pela reportagem, o juiz Glaucenir ainda não se manifestou.” (ipsis litteris).

Arrogante, sarcástico e prepotente, Gilmar Mendes já humilhou advogados em sessões do Supremo Tribunal Federal, assim como “peitou” os colegas daquela Corte (em mais de uma oportunidade), por “ousarem” questionar suas bravatas (lembremo-nos que em um embate duríssimo, no recinto do STF, o ex-ministro Joaquim Barbosa o acusou de “coronel” e de destruir o Judiciário brasileiro).

Não esquecer, também, que nos dias atuais Gilmar Mendes funciona como principal “conselheiro-orientador” do ilegítimo presidente, e que, coincidentemente, sua esposa (do ministro) foi aquinhoada com uma polpuda remuneração (fala-se em mais de R$ 30.000,00) para funcionar como membro efetivo de um dos Conselhos da Itaipu Binacional.

Pode até não ter nada a ver, mas tudo isso nos faz lembrar o grande e sempre atual Nelson Rodrigues, ao afirmar que: “Se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas, o mundo estaria salvo.”